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Como alimentar 9 mil milhões em 2050

16 outubro 2014 Arquivado
Isabel do Carmo

16 outubro 2014 Arquivado

No Dia Mundial da Alimentação, relembramos a importância de uma alimentação saudável, variada e equilibrada, bem como o apelo lançado na conferência de encerramento das comemorações do 40.º aniversário da DECO: é preciso tomar medidas globais para garantir alimentos à população a meio deste século.

Atualmente, o mundo divide-se entre a abundância e a fome. O desperdício alimentar estimado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) em 1,3 biliões de toneladas por ano, sobretudo no mundo ocidental, contracena com a falta de alimentos básicos para mais de 800 milhões de pessoas, em particular nos países em desenvolvimento. A obesidade, a diabetes e as doenças cardiovasculares, associadas à alimentação hipercalórica e a hábitos de vida sedentários, são típicas dos países de abundância. Nas palavras de Isabel do Carmo, médica convidada para a conferência, “quem tem fome não tem diabetes”, mas apresenta problemas relacionados com deficiência nutricional. Hélder Muteia, da FAO, outro conferencista, chamou a atenção para a existência de dois mil milhões de pessoas com défice em micronutrientes, como vitaminas e minerais, e mais de cinco milhões de crianças até 5 anos com baixo peso.

Será possível viver sem fome nem diabetes ou obesidade? “A experiência tem demonstrado que a educação não chega”, refere Isabel do Carmo, para quem são necessárias medidas legais e estratégias das autoridades de saúde para reduzir o consumo de sódio, açúcar e gorduras saturadas, os principais fatores de risco alimentares para as doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes, e incrementar a ingestão de fruta e legumes. Estas linhas de orientação, segundo esta especialista, têm de ser globais, os planos de ação terão de atravessar governos e será necessário dar mais poder às agências globais, para que as medidas tenham um efeito alargado no mundo. 

Para Hélder Muteia, é preciso repensar os sistemas alimentares, de modo a garantir uma melhor distribuição da produção. “Em 2050, seremos 9,2 mil milhões de pessoas e 70% viverá em zonas urbanas, o que mudará a forma de obter alimentos”. Aumentará a procura de cereais e carne, mas não será possível aumentar as áreas de cultivo. Por isso, o representante da FAO insiste na necessidade de mudar hábitos de consumo, de modo a evitar o desperdício, e de políticas de cooperação internacional, tanto ao nível da produção como da distribuição.

O terceiro orador desta conferência, José Lima Santos, professor universitário, lembra que desde o início deste milénio o custo dos alimentos tem subido em paralelo com o preço do petróleo. A desigualdade social, seja em que país for, afeta o acesso a uma alimentação de qualidade. Por isso, Hélder Muteia defende a criação de políticas de estabilização de preços, de modo a “não encurralar as populações mais vulneráveis”. 

O futuro da alimentação humana, com o aumento da escassez de recursos, como água, energia e solo agrícola, exige uma aposta séria na investigação, que permita produzir mais no mesmo espaço e com os mesmos recursos naturais e industriais (por exemplo, fertilizantes).  Para isso, José Lima Santos pretende que a investigação avance no sentido de “rentabilizar a fábrica da natureza”, aumentando a eficiência de forma sustentável.” Para que em 2050 haja comida para todos.        

Para já, a DECO convida os consumidores a variar a alimentação. Os legumes, a fruta e a carne ou o peixe devem fazer as honras da refeição. Corrigir maus hábitos contribui para controlar o peso e manter a saúde. Não se esqueça de que, mesmo em tempos de crise, é possível fazer alimentação saudável a baixo custo.



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