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Carne de vaca: origem desconhecida em 44% dos rótulos

16 fevereiro 2016
campanha origem da carne desconhecida

16 fevereiro 2016

Na nossa análise a mais de 700 rótulos, foi difícil encontrar a indicação de origem, sobretudo nos rótulos da carne de vaca vendida a granel. A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária pretende facilitar essa indicação.

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) publicou no seu site um documento com as regras de rastreabilidade. Objetivo: ajudar os operadores económicos a cumprir a obrigatoriedade de indicar no rótulo da carne o local de abate. No nosso último estudo, verificámos que as falhas na rotulagem se devem sobretudo à omissão desta informação. Para isso, a DGAV publicou no seu site um documento com as regras de rastreabilidade.

Estudo a 729 peças revelou retrocesso nos rótulos
É obrigatório conhecer a origem da carne de vaca desde 2000, altura em que surgiu o escândalo da BSE. Desde abril de 2015, estas exigências foram alargadas à carne de suíno (porco), ovino, caprino (borrego e cabrito) e às aves de capoeira. Mas o nosso estudo sobre a rotulagem da carne revela que ainda existem muitas falhas. O principal enfoque foi dado à carne de vaca, uma vez que o enquadramento legal já tem 15 anos, mas também incluímos carne de porco, frango, peru, pato, borrego e cabrito pré-embaladas, para as quais também já existem regras relativas à determinação da origem. Face a 2004, altura em que realizámos pela primeira vez este estudo, a situação piorou na carne de vaca. Inspecionámos o rótulo de 729 peças de carne, 288 das quais de vaca, em busca da indicação da origem, obrigatória por lei. Visitámos 126 talhos e supermercados em junho de 2015.

Em 60% das peças de carne, os rótulos estavam em conformidade com a legislação. Porém, 28% não continham referência à origem ou a outras menções que permitam determinar a origem. As aves, os ovinos e os caprinos pecam, sobretudo, por omitir o local do abate. Na carne de vaca, não mencionar o local de desmancha foi a falha mais frequente. Aliás, a carne de bovino (vaca e novilho a granel) apresentou mais problemas, com dois terços da amostra em incumprimento: 44% da carne nos talhos de rua ou supermercado não referia a origem e, em 24% dos casos, a rotulagem apresentava falhas ou omissões.

Carne pré-embalada com menos falhas
Na carne pré-embalada, embora haja um maior cuidado, ainda assim, 13% das amostras não permitem saber a origem e 31% omitem alguns dados, como o local de abate e a desmancha. 

Passados tantos anos, o regime comunitário de rotulagem obrigatório continua a não ser totalmente cumprido. Os talhos de rua e de hipermercado têm de melhorar a rotulagem da carne, indicando as menções obrigatórias, para se saber detalhadamente todo o percurso. Se faltam informações relevantes, o sistema de rastreabilidade cai por terra. Torna-se impossível chegar à origem e atuar quando surgem irregularidades que ponham em causa a segurança dos consumidores.

Para tornar as regras mais transparentes, a Organização Europeia dos Consumidores (BEUC, sigla em francês para Bureau Européen des Unions de Consommateurs), lançou em 2014 a campanha “Conheça a origem da carne” (em inglês Can we trust our meat?).