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Bebidas energéticas: OMS alerta para riscos

12 dezembro 2014
bebidas energéticas

12 dezembro 2014

A Organização Mundial de Saúde confirmou os riscos cardiovasculares e neurológicos associados ao consumo de bebidas energéticas. Se as consumir com álcool, pode perder a noção de embriaguez.

O artigo publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) na base de dados científica PubMed alerta para os efeitos nefastos do consumo de bebidas energéticas, causados sobretudo pela cafeína. O consumo de uma quantidade reduzida desta substância (50 mg) pode causar taquicardia e agitação, lembra a OMS. Em doses mais elevadas, além destes efeitos, é possível que surjam palpitações, tremores, aumento da tensão arterial, náuseas, vómitos e convulsões. Nas grávidas, aumenta o risco de aborto. 

No último estudo que realizámos a produtos do género, em 2012, encontrámos teores de cafeína entre 60 a 143 miligramas por embalagem. Em novembro de 2014, fizemos uma nova ronda pelo mercado e verificámos que os valores aumentaram para 75 a 160 miligramas por lata.

A OMS chama ainda a atenção para as consequências de misturar bebidas energéticas e alcoólicas. As primeiras mascaram o efeito das segundas, podendo dar a falsa sensação de sobriedade e, assim, levar a um maior consumo de álcool. A mistura aumenta ainda o risco de dependência física de cafeína e álcool e acentua a probabilidade de outros comportamentos de risco, como a condução perigosa.

Jovens em risco 

O consumo é particularmente arriscado para adolescentes e jovens. A cafeína em excesso pode afetar o desenvolvimento neurológico e cardiovascular. Estas faixas etárias são também mais influenciadas pela publicidade e pelas atitudes dos colegas, podendo cair com maior facilidade no consumo abusivo. 

Um estudo da Autoridade Europeia da Segurança Alimentar (EFSA), em 16 países da União Europeia, em 2011, revelou que 68% dos adolescentes, dos 10 aos 18 anos, e 18% das crianças consumiam bebidas energéticas. O grupo dos adolescentes apresentou 12% de consumidores crónicos, com uma ingestão média de sete litros por mês, distribuídos por quatro ou mais vezes por semana. Esta foi também a frequência de consumo de 16% das crianças com menos de 10 anos, que bebiam uma média de quatro litros por mês.  

Apesar de preocupantes, estes resultados não conduziram a medidas eficazes para reduzir o consumo pelos jovens. Os produtos com mais de 150 mg de cafeína por litro devem indicar no rótulo que contêm um teor elevado desta substância. É um aviso útil e informativo, mas não dissuasor do consumo. É essencial atuar noutras frentes, começando, por exemplo, por definir regras para promoção dos produtos junto dos mais jovens. As autoridades e organizações de saúde deverão continuar a desenvolver estudos para avaliar os efeitos da cafeína e restantes substâncias estimulantes das bebidas, e a monitorizar o consumo.

No caso de adultos saudáveis, o consumo de bebidas energéticas não é problemático, se for ocasional e moderado e desde que o consumo total diário de cafeína não ultrapasse 400 miligramas. Para atingir este valor bastam, por exemplo, três cafés e uma lata destas bebidas. As grávidas e lactentes não devem consumir estes produtos.

Energética não é para desportistas 

As bebidas energéticas não devem ser confundidas com as isotónicas, vulgarmente usadas por desportistas. A missão destas últimas é repor os sais minerais perdidos através da transpiração, evitar a desidratação e a fadiga muscular durante e após o esforço. As bebidas energéticas têm como principal componente a cafeína, são usadas para reduzir a sonolência e aumentar a concentração.


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