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Azeite virgem extra: duas marcas são só virgem

A análise sensorial a 24 marcas de azeite virgem extra levou-nos a concluir que duas marcas, na realidade, só poderiam ser designadas de “virgem”. O consumidor está a pagar mais por produtos que pertencem a uma categoria inferior.

  • Dossiê técnico
  • Dulce Ricardo e Susana Costa Nunes
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
28 agosto 2018
  • Dossiê técnico
  • Dulce Ricardo e Susana Costa Nunes
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
azeite

iStock

Duas das 24 marcas do nosso estudo a azeite virgem extra não fazem justiça à designação que apregoam: Casa Pontinha e Tojeira Biológico Clássico. Na realidade, são azeites “virgem”. Com base em critérios internacionalmente reconhecidos, a análise sensorial (ou organolética), de caráter obrigatório, separou as águas entre amostras virgem extra – no topo da hierarquia de qualidade do azeite – e apenas virgem. Esta análise foi realizada num laboratório aprovado pelo Conselho Oleícola Internacional (COI).

Ver teste a azeites virgem extra

Após esta análise, as mesmas amostras foram ainda submetidas a mais duas provas no mesmo laboratório, em diferentes garrafas do mesmo lote. Depois, estas amostras foram ainda enviadas para outros dois laboratórios, igualmente reconhecidos pelo COI. Todos os resultados confirmaram a primeira avaliação, o que nos levou a manter a classificação de “azeite virgem”. 

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O que significa a “despromoção” de virgem extra para virgem? O azeite virgem extra, ideal para temperar, distingue-se pela qualidade superior, com sabor e cheiro intensos a azeitona sã. “Extra” significa também que os provadores especializados na avaliação sensorial não podem detetar nenhum defeito no azeite virgem extra. Mais caro do que o virgem, o azeite virgem extra, tal como descrito na legislação, obtém-se diretamente do fruto da oliveira através de processos mecânicos, ou por outros processos físicos, mas em condições que não o degradem. De igual modo, não pode ter sofrido tratamentos além da lavagem, da decantação, da centrifugação ou da filtração.

Já em 2015, no último teste a 26 marcas de azeite virgem extra, detetámos quatro amostras de categoria inferior, ou seja, virgens. Antes de proceder ao embalamento deste produto, é preciso um maior cuidado, ou seja, ter a certeza de que se trata de um azeite virgem extra que se manterá com qualidade ao longo do tempo. Também é preciso maior cuidado com a qualidade das azeitonas selecionadas.

Sem misturas fraudulentas

As várias análises que conduzimos em laboratório levaram-nos a descartar, para todas as amostras, a hipótese de fraude ou de falta de autenticidade. O azeite virgem extra é realmente puro e merece o preço que se paga. Ou seja, não contém, por exemplo, mistura de azeites refinados. O preço adicional exige uma qualidade superior, sem fraudes económicas, o que se verificou neste teste. 

 

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