Notícias

Alface, couve-coração e espinafre são mesmo biológicos

Comprámos 35 legumes de produção biológica para despistar pesticidas proibidos. Apenas uma couve-coração continha resíduos de pesticidas.

30 janeiro 2018
alimentos biologicos

Thinkstock

Os defensores da agricultura biológica e que se abastecem de legumes cultivados respeitando os requisitos na legislação podem ficar descansados, pelo menos no que diz respeito à alface, à couve-coração e ao espinafre. Comprámos 35 vegetais biológicos em 14 supermercados e mercearias de Lisboa e numa loja online. Todas as amostras do nosso estudo, compradas em setembro de 2017, foram submetidas, em laboratório, à pesquisa de 310 princípios ativos e do herbicida glifosato. Nos legumes de produção biológica, a sua presença é proibida. Em Lisboa, comprámos couve-coração em 12 lojas, alface em 13, e espinafre em dez. A grande maioria (28) provinha de Portugal e da Holanda. Escolhemos legumes de folha larga pelo facto de esta característica propiciar maior acumulação de pesticidas.

O nosso teste

Analisámos um grande leque de resíduos de pesticidas nas categorias de alimentos já mencionadas. Encontrámos apenas um produto com pesticida, uma couve- coração comprada na Bioino − Mercearia Biológica, em que detetámos dimetoato e ometoato. De acordo com a informação do regulamento comunitário aplicável, de 2008, estes pesticidas não são aceites. Detetámos também deltametrina, também proibido, que estava, no entanto, abaixo dos limites de quantificação. Após receber os resultados, o distribuidor cessou o contrato com o fornecedor. É possível que se trate de um caso esporádico (aparentemente devido à tentativa de salvar a produção de couves num período de seca anormal), mas os responsáveis da loja consideraram a situação “inadmissível”. Até à próxima certificação, o fornecimento foi cancelado. Atitudes destas são de louvar, pois revelam que o comerciante respeita o bem-estar do consumidor e tenta fazer prevalecer os princípios que orientam o modo de produção biológico.

Pesticidas em legumes de produção biológica
LOJAS Alface Couve-coração Espinafre
AmorBio Mercado Biológico
Praça de Alvalade
good good good
Biocoop-Produtos de Agricultura Biológica
Rua Salgueiro Maia
good good  n.a.
Bioino - Mercearia Biológica
Alameda dos Oceanos
good bad good
Biomercado
Av. Duque de Ávila
good good good
Celeiro
Av. da República
good good   n.a.
Continente Telheiras  n.a. good   n.a.
El Corte Inglés
Av. António Augusto de Aguiar
good good   n.a.
Go Natural Telheiras good good good
Jumbo Alfragide good   n.a.  
Mercado Biológico Alfazema
Rua de Sant’Ana à Lapa
good good   n.a.
Mercearia Bio
www.merceariabio.pt
good   n.a. good
Miosótis
Rua Latino Coelho
good good good
Pingo Doce
Parque das Nações Sul
  n.a. good good
Puro Bio
Rua Fernão Lopes
good good good
Villa Bio
Rua Gonçalves Zarco
good   n.a. good

good Sem vestígios

bad Com vestígios de pesticidas

A origem dos resíduos de pesticidas deve ser investigada cautelosamente. Por um lado, o risco de contaminação cruzada nas fases de produção biológica é elevado: no campo, durante o processamento, através do material de embalagem, no transporte e na prateleira do supermercado. No entanto, a lei prevê medidas para evitar contaminações acidentais, nomeadamente um período de conversão ou purificação do solo entre dois e três anos. Mais: na loja, os produtos de origem biológica não podem estar misturados com os restantes. Por outro lado, a presença de resíduos de pesticidas em culturas biológicas pode indicar a utilização não permitida de fitofármacos. Os resultados devem ser avaliados e investigados pelos organismos independentes de controlo e, claro, pelas autoridades competentes. 

São mais seguros e mais saudáveis?

Trata-se mesmo de produtos mais seguros, com menos aditivos, mais saudáveis, mais nutritivos e mais saborosos? As normas de segurança alimentar aplicam-se tanto aos produtos alimentares convencionais, como aos de produção biológica. De qualquer modo, os produtos de agricultura biológica obedecem a mais limites e mais controlos para poderem ser certificados. Por princípio, os produtos biológicos não devem conter resíduos de pesticidas químicos de síntese, nem medicamentos de uso veterinário, além de que o uso de aditivos é muito restrito face aos de produção convencional.

A adesão ao regulamento biológico da União Europeia (UE) é exigida para que os produtos possam ostentar o logótipo para a agricultura biológica, obrigatório desde julho de 2010. O rótulo visa ganhar a confiança dos consumidores dos Estados-membros da UE na autenticidade dos produtos da agricultura biológica. Nesta, o controlo incide sobre o processo de produção e não sobre o produto. Cumpridas as regras, pode ser vendido como biológico, isto é, ser certificado como tal. Há medidas específicas de controlo com requisitos aplicáveis às fases de produção, preparação e distribuição. Os operadores são sujeitos a uma fiscalização, pelo menos, uma vez por ano. 


Imprimir Enviar por e-mail