Notícias

Alargar prazos de validade não resolve desperdício alimentar

05 fevereiro 2013

05 fevereiro 2013

A Europa desperdiça milhões de toneladas de alimentos por ano. Alargar os prazos de validade, como propõe o governo espanhol, não é a solução.

Só Portugal perde ou desperdiça cerca de 1 milhão de toneladas de alimentos por ano, 324 mil das quais em casa, revela o Projeto de Estudo e Reflexão sobre Desperdício Alimentar (PERDA), desenvolvido pelo Centro de Estudos e Estratégias para a Sustentabilidade.

Para evitar o desperdício alimentar, o Governo espanhol propôs aumentar o prazo de validade de alguns alimentos. Segundo Miguel Cañete, ministro da Agricultura em Espanha, pode ser uma medida positiva atendendo aos tempos de crise que se vivem. No caso dos iogurtes, a validade poderá vir a ser alargada para 35 dias, em vez dos atuais 28.

Alargar os prazos de validade não resolve, no entender da DECO, o problema do desperdício. Estes devem ser regulados na produção, cabendo aos fabricantes definir prazos para o consumo dos alimentos, em função das suas características. Só assim é possível garantir que são consumidos com qualidade e em total segurança.

Um dos primeiros passos para não estragar comida em casa é ter atenção à validade dos produtos antes de comprar e consumir. Ingerir alimentos fora de prazo não é um bom princípio. Ainda assim, há casos em que é possível “esticar” a validade.

É essencial saber distinguir entre durabilidade mínima (“consumir de preferência antes de...” ou “consumir de preferência antes do fim de...”) e data-limite de consumo (“consumir até...”).

A data de durabilidade mínima refere-se a alimentos como arroz, grão, bolachas, chocolates e massas. Nestes casos, ainda que possa haver alterações ao nível do sabor, da textura, da cor e do cheiro se a data indicada na embalagem for ultrapassada, os alimentos podem ser consumidos com relativa segurança. Nos produtos com a menção “consumir de preferência antes de...” , o prazo de validade é indicado com o dia, mês e ano. A menção “consumir de preferência antes do fim de...” deve ser precedida do mês e do ano.

Já a data-limite refere-se a alimentos muito perecíveis, como queijo fresco, iogurte e carne de aves, e deve ser respeitada. Caso contrário, o consumidor pode sofrer uma toxi-infeção alimentar, se ingerir um produto contaminado. Nestes casos, a seguir à menção “consumir até...”, é indicado o dia, o mês e, eventualmente, o ano (por esta ordem) até ao qual pode ser consumido. Se o produto não tiver qualquer menção, respeite a validade indicada na embalagem.

Consumir produtos muito perecíveis após a data-limite indicada na embalagem pode pôr em causa a saúde pública.
Consumir produtos muito perecíveis após a data-limite indicada na embalagem pode pôr em causa a saúde pública.
Alguns alimentos podem ser consumidos com relativa segurança, mesmo que a data indicada na embalagem seja ultrapassada.
Alguns alimentos podem ser consumidos com relativa segurança, mesmo que a data indicada na embalagem seja ultrapassada.

Imprimir Enviar por e-mail