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Abacaxi exótico mas pouco ético

12 janeiro 2011 Arquivado

12 janeiro 2011 Arquivado

Enquanto as vendas crescem, aumenta a pressão dos intermediários para baixar o preço, com consequências nefastas para os países produtores da América Latina. São as principais conclusões da nossa investigação, em parceria com a Consumers International.

As vendas do abacaxi estão em pleno crescimento há algum tempo. As novas variedades são maiores, mais doces e mais apreciadas. O clima tropical da Costa Rica, neste caso, é ideal para o cultivo do abacaxi, mas o preço nos supermercados tem baixado nos últimos anos. Esta realidade repete-se noutros países da América Latina, como o Equador, o Panamá e as Honduras.

Trabalhadores pagam o preço mais elevado

Quanto mais o preço desce na Europa, maior é a fatura a pagar pelos trabalhadores nas plantações:

  • trabalho é pesado, repetitivo e exigente fisicamente, muitas vezes sem pausas;
  • trabalhadores só ganham o salário mínimo e a maioria vive abaixo da linha da pobreza;
  • mulheres e idosos são muitas vezes discriminados e os trabalhadores receiam aderir a sindicatos devido a represálias do patrão.

O cultivo do abacaxi tem efeitos nefastos para o ambiente e as comunidades locais. Por se tratar de uma monocultura, o cultivo deste fruto provoca a falta de rotação com outras culturas e o empobrecimento do solo. São usados químicos agrícolas com frequência, o que polui o solo e as águas subterrâneas e representa um risco para a saúde pública. Estes produtos têm efeitos tóxicos ou cancerígenos.

A pressão dos consumidores pode fazer a diferença na mudança de atitude das grandes superfícies. Quando for às compras, peça informação sobre as políticas de responsabilidade social aplicada aos fornecedores. A transparência da informação divulgada permite optar pela marca mais ética.