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Bombons de chocolate: o melhor sabor à espera para o Natal

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Os bombons de chocolate põem os sentidos à prova. Leia as nossas críticas e compre os melhores este Natal.

28 novembro 2017
28 novembro 2017
bombons

Thinkstock

Para espalhar pela mesa na véspera ou no dia de Natal, ou para oferecer aos familiares ou amigos mais gulosos, os bombons que degustámos são apostas ganhas por antecipação. Avaliámos cada marca numa escala de uma a cinco estrelas e ordenámos os bombons pela pontuação final, tendo em conta os critérios da prova de degustação.

Pela boca de quem sabe

Nelson Félix, chef especialista em chocolate, realizou a prova de degustação. O que diferenciou os bombons? O brilho do chocolate, o equilíbrio dos vários tipos de chocolate (não há como fugir a esta palavra), a crocância (é isso mesmo, o barulho que se ouve ao trincar) e a cremosidade. Já está com água na boca? Leia a análise de Nelson Félix.

 
Chef Nelson Félix com a vagem do cacau. Foto de 4See/Ana Brígida.
 

Quais as características essenciais de um bombom?

O aspeto é o principal. O brilho: ou é atraente ou não. Numa montra é mais fácil escolher do que se o bombom estiver embalado. Ao comer, deve sentir-se a crocância, o
chocolate deve quebrar. Sentir que está bem homogéneo. Depois, o sabor: conseguir apreciar os aromas do chocolate. Deve-se ler os ingredientes. O ideal é que tenham manteiga de cacau. Se for uma tablete de chocolate, de preferência, não devem existir gorduras vegetais adicionadas. Se for um bombom, deve ter pelo menos cacau e manteiga de cacau.

Quais os sinais de alarme?

Um aspeto esbranquiçado é sinal de oscilações na temperatura. Não deve comprar os bombons e, se o fizer, deve devolvê-los, até para que a empresa que os vendeu possa reclamar ao fornecedor. Não se pode dizer que o produto está estragado, mas está alterado. O sabor não é igual. E perde o brilho. Infelizmente, existe muito a tendência, nalguns supermercados e hipermercados, de desligar a climatização à noite. Então, os produtos sofrem essas oscilações: durante o dia estão numa temperatura boa e, à noite, volta a subir. Essas pequenas oscilações alteram produtos mais sensíveis, como os bombons, e alguns deles com pequena rotação. Em determinadas alturas do ano, como no verão, é preferível retirá-los das prateleiras.

Qual a diferença entre o bombom artesanal e o industrial?

O industrial procura preços para se posicionar no mercado, porque a concorrência é muito forte. Muitas vezes, baixam a qualidade. Apostam em camadas muito finas de chocolate, aumentando nos recheios, com gorduras de palma e de coco, com misturas de avelãs e amêndoas, muitas vezes dando bons aromas, mas perdendo no chocolate, ainda que consigam boas cremosidades e crocâncias, como camadinhas de bolachinhas. Há uma grande diferença entre bombons e tabletes de chocolate. Num bombom pode haver as misturas de gorduras vegetais e de manteiga de cacau, e a lei permite que se chame bombom de chocolate. Tudo o que tem mais de 5% de mistura de gorduras vegetais são os chamados sucedâneos, muito mais baratos. Um sucedâneo pode custar € 1 ao quilo e um chocolate pode custar 8 euros. O mais caro, mais do que o cacau, é a manteiga de cacau. Na forma industrial de produzir o chocolate, esmaga-se as favas de cacau, retirando uma grande percentagem da gordura, ou seja, a manteiga de cacau. Fica a pasta de cacau. Depois de fazerem essa separação, preparam os lotes de chocolate mais e menos fluido. Quando comemos um chocolate, apreciamos o sabor e a intensidade e não ficamos com a sensação de gordura na boca. Num sucedâneo, fica-se com a sensação de que se está a comer margarina. A indústria precisa de ter preços aceitáveis, com caixas de chocolate a 5 ou 7 euros. O chocolate, em média, pode custar € 7 ou € 8 por quilo. Um artesão, se trabalhar os chocolates, tem de os vender a 55 ou 60 euros. O artesão, para conseguir o seu espaço, tem de fazer a diferença na qualidade.

Come-se muito chocolate em Portugal?

Nos últimos 30 anos, o consumo de chocolate em Portugal tem aumentado. Comia-se pouco. Havia mais a tradição dos ovos e do açúcar dos doces conventuais. O chocolate veio para ficar, porque é de facto algo de que as pessoas gostam. Os produtos que vendem mais têm chocolate. Mesmo assim, somos o país da Europa que menos consome. Per capita, consumimos 1,6 quilos por ano, enquanto os nórdicos, 6 ou 7 quilos. Ainda comemos aquilo que talvez não seja o ideal: os chocolates mais doces. Tem a ver com a influência dos doces conventuais. Ainda predomina muito o chocolate de leite. Outros países da América ou da Europa Central preferem os negros, com maior percentagem de cacau, sem leite. O chocolate de leite, ou o branco, ao reduzirem o cacau, aumentam o açúcar e o leite, daí não serem tão bons para a saúde. O chocolate é como o vinho. Conforme se vai tendo mais cultura alimentar, seleciona-se mais.


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