Dossiês

Salmão fumado, camarão e atum pouco sustentáveis: o que pode fazer o consumidor

02 dezembro 2016 Arquivado
Teste às políticas de responsabilidade social das empresas

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As nossas investigações revelam que marcas de salmão fumado, camarão e atum têm poucas iniciativas ao nível ambiental e social. Em alguns casos, os direitos dos trabalhadores ao longo da cadeia de produção não estão acautelados. Saiba como pode contribuir para esta realidade mudar.

Salmão fumado pouco ético

A Noruega é o maior produtor de salmão fumado, seguida pelo Chile. Mas a tendência é deslocar a produção para países onde a mão-de-obra é mais barata e onde as barreiras comerciais ao salmão da Noruega são mais brandas. O processamento e exportação estão mais concentrados na Polónia e na Lituânia, embora muito salmão da Noruega, das Ilhas Faroé e do Chile seja enviado para a China para ser processado e de novo exportado para a União Europeia. Os 10 principais importadores são países europeus, a Austrália e os Estados Unidos da América.

Para avaliar se os produtores de salmão fumado tinham preocupações de responsabilidade social, contactámos os cinco principais: Ahumados Dominguez, Copesco & Sefrisa, Vensy, La Balinesa e Xantelmar. Concluímos que nenhum desenvolve de forma consistente políticas sociais e ambientais. Como são empresas representativas da indústria do salmão fumado, de algum modo, espelham a situação do setor. Também notámos que as diversas fases de produção não são completamente controladas. Verificámos uma falta de iniciativas para reduzir os impactos negativos, quer na área social quer ambiental, desde a aquacultura até a fase em que o peixe é fumado.

Aquacultura insustentável

A esmagadora maioria do salmão fumado produzido e à venda provém de aquacultura. Nessa perspetiva, o salmão canalizado para dar origem ao fumado também vem desse modo de produção. Segundo dados de 2015, o mercado europeu de salmão fumado, traduzido em peso, chega a quase 292 mil toneladas por ano. Por sua vez, para alimentar este peixe, utilizam-se cerca de 307 mil toneladas de matéria-prima de salmão. Há, assim, um défice de stocks de salmão selvagem, que serve de alimentação às populações, mas também ao salmão de aquacultura. Por isso, é preciso encontrar outras formas de alimentação menos danosas e mais sustentáveis.

À medida que a aquacultura aumenta e as espécies selvagens entram em declínio, torna-se mais urgente mudar de ração. A soja começa a ser um dos componentes da alimentação para salmão, mas esta solução também tem impactos negativos na desflorestação da selva amazónica.

As políticas e as iniciativas das marcas são muito parcas na produção de pescado sustentável. Nenhuma marca apresenta provas de ter códigos de conduta, iniciativas ou certificações na área da responsabilidade social. Nem no funcionamento da empresa, nem na relação com os fornecedores, há provas de preocupação social ou de respeito pelos direitos humanos, no que toca às condições de trabalho, mão-de-obra infantil, horas de trabalho e saúde e segurança.