Dicas

Leites enriquecidos pouco úteis

15 julho 2013

15 julho 2013

Muito mais caros do que o leite de vaca, os chamados “leites de crescimento” não são indispensáveis para o bom desenvolvimento das crianças. Com uma alimentação variada, obtêm os nutrientes de que precisa.

Uma alternativa bem mais cara

  • Estão à venda em qualquer superfície comercial e anunciam-se como “leites de crescimento” para crianças. Os pais compram-nos, julgando que se trata de produtos essenciais para o bom crescimento dos mais pequenos.
  • Contudo, os leites enriquecidos em vitaminas e minerais não trazem vantagens adicionais face ao leite de vaca meio-gordo. Além disso, podem custar o dobro ou até o triplo do leite tradicional.
  • A maioria desses produtos, para crianças entre 1 e 3 anos e a partir dos 3 anos, tem mais calorias do que o leite de vaca meio-gordo. Alguns deles contêm ainda sacarose adicionada (vulgo açúcar), ao contrário do leite de vaca, que apenas contém lactose. Os fabricantes apostam na adição de açúcar, aroma a baunilha ou cereais, para cativar os mais novos. Habituadas ao sabor doce, as crianças podem ter uma adaptação mais difícil ao sabor natural dos alimentos. Mais tarde, pode haver um maior risco de sofrer de obesidade e de formação de cáries dentárias.
  • O consumo destes leites enriquecidos só poderá beneficiar as crianças com problemas de apetite, se tal for indicado pelo médico. Para as outras, uma alimentação variada e equilibrada, sobretudo rica em fruta, vegetais, cereais, ovos e peixe gordo, permite obter todos os nutrientes de que precisam.
  • A mais-valia destes leites é o facto de serem enriquecidos com ácidos gordos essenciais. Estes não são produzidos pelo nosso organismo. Logo, temos de ingeri-los pelos alimentos.
  • Mesmo assim, é preciso algum cuidado para evitar os excessos de vitaminas A, E, C e D e de cálcio no organismo das crianças. Antes de comprar, verifique na embalagem qual a contribuição do produto para as doses diárias recomendadas.

Regras de ouro

  • O leite, fonte de cálcio, é essencial para o bom crescimento da criança. Até aos 4 ou 6 meses, o bebé é apenas alimentado com leite (materno ou fórmulas de transição). A partir desta idade, o organismo já está apto a ingerir novos alimentos sob a forma de papas de cereais e purés de fruta e de legumes. É altura de diversificar a alimentação e experimentar novos sabores e texturas, sempre segundo a orientação do pediatra. Introduzir um alimento novo de cada vez permite identificar logo eventuais alergias ou intolerâncias.
  • Não se deve dar papas com glúten antes dos 6 meses. Para os purés de legumes, comece pelos mais fáceis de digerir: a batata, a cenoura, a abóbora, a alface e o feijão-verde. Depois, vá introduzindo um a um sabores mais fortes, como brócolos, cebola, alho francês e couve-flor.
  • A pera, a maçã e a banana são as primeiras frutas a introduzir. Depois dos 9 meses, pode começar a oferecer-lhe outras frutas como manga, papaia e pêssego. Os citrinos e os morangos, muito alergénicos, apenas são indicados a partir de um ano.
  • A gema de ovo pode ser incorporada nas refeições do bebé a partir dos 9 meses, mas a clara só depois dos 12 meses.
  • A partir de um ano, e desde que o bebé não seja alérgico ou intolerante ao leite, pode começar a beber leite de vaca. Meio litro por dia, ou o equivalente noutros alimentos lácteos (como iogurtes e queijo), satisfaz a necessidade diária de 400 miligramas de cálcio.  
  • Não adicione sal nem açúcar à comida. Um fio de azeite na sopa, já no fim da cozedura, dá-lhe sabor. A comida já pronta a consumir, como os boiões de carne, legumes ou fruta, é útil, mas não deve substituir a alimentação preparada em casa. Reserve os boiões para ocasiões em que são mesmo práticos, como, por exemplo, viagens ou saídas.