Como testamos

Iogurte líquido: como testamos

26 novembro 2018
iogurtes liquidos

26 novembro 2018
Higiene, teor de fermentos lácteos, pesquisa de contaminantes e degustação compõem os testes em laboratório. Analisamos também a rotulagem.

O sabor escolhido para o nosso teste foi o morango e as compras ocorreram na Grande Lisboa e no Grande Porto, respeitando o cuidado de não quebrar a chamada cadeia do frio, para não comprometer as características dos iogurtes. Como? Fazendo o transporte numa carrinha refrigerada. No laboratório, os produtos foram também mantidos em condições de temperatura adequadas, até que, junto ao prazo de validade, foram finalmente submetidos ao teste.

Sem açúcar: 100% saudável?

A nossa legislação não estabelece um limite máximo para a quantidade de açúcares nos iogurtes líquidos. Contudo, verificámos que o teor destes iogurtes magros é reduzido, mas graças à presença de edulcorantes. Todos os iogurtes testados os contêm, seja sucralose, acessulfame K ou aspartame. Em alguns produtos, o paladar doce é complementado com sumo concentrado, puré, polme ou polpa de fruta.

No entanto, os edulcorantes não desabituam do sabor doce: os ditos intensos têm mesmo um poder adoçante superior ao da sacarose. É verdade que apresentam vantagens na prevenção da cárie dentária e, adicionados aos alimentos de valor energético reduzido, podem ser úteis numa dieta de perda de peso ou na alimentação de diabéticos. Não significa, porém, que haja licença para abusar. Por exemplo, as crianças, que têm peso corporal mais reduzido, podem facilmente ultrapassar a dose diária admissível, mesmo porque, entre sumos, refrigerantes, bolachas e outros alimentos que os mais novos apreciam, as fontes de edulcorantes podem ser muitas.
Além disso, substâncias como a sacarina, os ciclamatos e o acessulfame K podem provocar efeitos adversos em indivíduos sensíveis. É o caso de reações alérgicas, dores de cabeça e efeitos laxantes.

Dada a proliferação de produtos processados, é difícil determinar o real consumo de edulcorantes. O problema poderia ser mitigado se fosse obrigatória a indicação no rótulo da quantidade adicionada, acompanhada da dose diária admissível e da percentagem desta a que o consumo do alimento em causa corresponde.

Outros testes no laboratório

No plano da higiene, pesquisámos microrganismos nocivos, como como Enterobacteriaceae, E. coli, S. coagulase positiva, Listeria monocytogenes e Salmonella spp. Mas, felizmente, não os detetámos.

Quanto aos fermentos lácteos, também não existe uma regra legal a definir um patamar mínimo. E, embora os teores de bactérias (estas benéficas) como o Lactobacillus bulgaricus e o Streptococus thermophilus até sejam elevados, trata-se de uma matéria que não deve ficar ao critério dos fabricantes. A lei deve ser melhorada e exigir que os iogurtes líquidos contenham uma flora mínima.

Procedemos ainda à pesquisa de aflatoxina M1, um contaminante derivado da presença de bolores com potencial hepatotóxico, isto é, que pode causar problemas ao fígado. Mas os iogurtes também se revelaram seguros para o consumo.

Rotulagem aquém do desejável

A rotulagem deveria incluir todas as informações que permitissem ao consumidor fazer escolhas conscientes. Não é o que acontece, porém. As exigências legais, como denominação de venda, data de validade, designação comercial, peso líquido, ingredientes, alergénios, conselhos de conservação e declaração nutricional, todas as marcas cumprem. Porém, estes elementos são insuficientes.

Para identificarmos os produtos que mais bem informam o consumidor, tivemos em conta dados extra, que, aqui e ali, algumas marcas já adicionam. Estamos a falar da informação nutricional por porção, do lote, da data de produção, da origem do leite, dos fermentos lácteos, dos aditivos indicados por extenso e dos contactos do fabricante ou representante e do serviço de informação.

Degustação: experiência agradável

Selecionámos um painel de consumidores habituais de iogurtes líquidos. Os produtos foram-lhes apresentados de forma anónima e em condições idênticas de temperatura e quantidade. Os jurados tiveram de pronunciar-se sobre o aspeto, o odor, a textura e o sabor. E os resultados não desiludiram: todos os iogurtes mereceram quatro estrelas.

 

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