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Dietas: descubra o que escondem de A a Z

16 março 2022
coração preenchido com vários frutos vermelhos, alguns objetos de ginástica, ténis, cenoura baby e outros alimentos saudáveis

Muitos regimes prometem um emagrecimento rápido e sem esforço, mas alguns são perigosos para a saúde. Conheça o que está por trás de algumas dietas da moda.

G-J

Grupo sanguíneo

A dieta do grupo sanguíneo (ou do Dr. D‘Adamo) recomenda que a alimentação seja definida em função do grupo sanguíneo da pessoa: A, B, AB ou O.

Mas não há um argumento científico que justifique esta premissa. É um regime desequilibrado e desaconselhado. Se for seguido por muito tempo pode levar a carências.

Hiperproteica

Também conhecida como dieta proteica, baseia-se no consumo quase exclusivo de proteínas. A ideia é limitar ao máximo a ingestão de gorduras e de hidratos de carbono para que o organismo queime as reservas. Este processo chama-se cetose e tem a vantagem de fazer desaparecer a sensação de fome.

Mas o regime não está isento de riscos. É indispensável tomar um suplemento de vitaminas e de minerais. Há contraindicações para pessoas com insuficiência cardíaca. Além disso, não corrige os maus hábitos alimentares. Por isso, os quilos que perde rapidamente podem regressar logo que volte à alimentação normal. É uma dieta a evitar.

Intuitiva

A alimentação intuitiva foi descrita e desenvolvida em 1995, por duas nutricionistas norte-americanas, Evelyne Tribole e Elise Resch. A base desta alimentação passa por "comer intuitivamente", fazendo "as pazes com a comida" e deixando de a catalogar como "boa" ou "má". O objetivo é promover uma imagem corporal positiva e reduzir o stress e a ansiedade associados às escolhas alimentares.

As opções alimentares devem ser tomadas de acordo com a saúde e o bem-estar emocional e social de cada um.

As autoras advogam a que se abandone o "espírito de dieta" e se respeite a fome e a sede, dando ao corpo aquilo de que ele realmente precisa. A alimentação deve ser prazerosa, harmoniosa e flexível, defendem.

Neste regime alimentar não há a prática de exclusão de um determinado alimento – não há alimentos proibidos – ou grupo de alimentos. Não requer também a contagem de calorias ou de macronutrientes. Pode, por isso, não ser eficiente para quem quer emagrecer. O foco não é o défice calórico.

Pessoas com algum tipo de doença com indicação para seguir uma dieta específica, como os celíacos ou os diabéticos, devem contactar um profissional de saúde antes de pôr em prática a alimentação intuitiva.

Evelyne Tribole e Elise Resch defendem que se deve distinguir a fome fisiológica da fome emocional. Ou seja, devemos comer quando temos fome e parar quando estamos satisfeitos. Os alimentos não devem servir de conforto em momentos de tristeza, stress, alegria, ou como distração.

O exercício físico deve ser visto como um promotor de bem-estar e saúde e não como "queimador de gordura".

Jejum intermitente

O jejum intermitente propõe um intervalo de tempo sem ingerir alimentos alternado com períodos em que se faz uma alimentação normal. Em alguns casos é permitida a ingestão de líquidos sem valor energético, como a água. Existem diversas formas de aplicar o jejum intermitente, mas apenas algumas foram estudadas pela ciência. É o caso do jejum de dia completo alternado, do jejum de regime modificado e do jejum de restrição de tempo.

No jejum de dia completo alternado, fazem-se dias de jejum alternados, por exemplo, com um jejum de 24 horas numa segunda-feira e numa quarta-feira. Nos dias de jejum, não se consomem alimentos nem bebidas com valor energético.

O jejum de regime modificado, por sua vez, envolve restrição severa de energia em dois dias não consecutivos, por semana. Esta dieta permite o consumo de 20 a 25% da energia necessária nos dois dias de jejum e um plano energético normal nos outros cinco dias. Assim, consomem-se entre 300 e 375 quilocalorias (kcal) nos dias de jejum e 1500 quilocalorias (kcal) diárias nos outros dias.

Já o mais conhecido de todos, o jejum de restrição de tempo, permite um plano alimentar normal com períodos de tempo de jejum de, por exemplo, oito horas, 12 horas, 16 horas ou 20 horas.

Apesar da popularidade do jejum intermitente, os estudos já realizados revelam que não há diferença significativa na perda de peso entre quem adote uma dieta com jejum intermitente e quem siga uma dieta de restrição calórica dita normal. Contudo, os jejuns prolongados, ou seja, mais de três dias, são muito perigosos. Além disso, deixar de comer uma refeição pode ter o efeito inverso: o aumento de peso. A sensação de fome aumenta quando se salta uma refeição e corre-se o risco de que a seguinte se transforme numa verdadeira vingança. O excedente calórico absorvido neste único repasto é armazenado sob a forma de gordura, graças à poupança calórica do trabalho digestivo da refeição que não foi consumida. Para evitar esta situação, recomendam-se várias refeições ligeiras.