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Lixo no chão, falta de casas de banho, pouca informação aos utentes e 10 praias com areia contaminada, eis as principais conclusões de um estudo da DECO/PRO TESTE a 34 praias do continente português, durante a época balnear de 2003 e agora divulgadas.
O estudo, publicado na edição de Junho da TESTE SAÚDE, revela a presença de quantidades elevadas de microrganismos na areia de 10 praias: Afife (Viana do Castelo) Apúlia (Esposende), Árvore (Vila do Conde), Ourigo (Porto), Espinho-Baía, Furadouro (Ovar), São Martinho do Porto (Alcobaça), Carcavelos (Cascais), Nova (Sesimbra) e Zambujeira do Mar (Odemira).
Os problemas relacionam-se, sobretudo, com a presença de fungos, que podem originar micoses, como pé de atleta e candidíase. Algumas amostras também apresentavam contaminação de origem fecal, que pode provocar intoxicações, cujo principal sintoma é diarreia.
Segundo aquela revista da DECO, em cerca de um quarto das praias, era visível a falta de higiene da areia e/ou dos acessos à praia. Embora, nalguns casos, houvesse “lixo natural”, trazido pelo mar, a maioria, como plásticos e pontas de cigarro, tinha sido deixado pelos utentes. Nalgumas praias, como a Apúlia (Esposende) e a Árvore (Vila do Conde), a poluição pode estar relacionada com a falta de sacos de lixo nalguns suportes. Mas os principais motivos serão mesmo a limpeza inadequada da areia e o descuido dos utentes.
Para a falta de higiene da areia contribui também, certamente, a ausência de casas de banho. Os técnicos da DECO/PRO TESTE não encontraram estas instalações essenciais em sete praias: Milfontes, Nazaré, Galé-Tróia, Figueirinha (Setúbal), Mata (Almada), São Martinho do Porto (Alcobaça) e Furadouro (Ovar).
As praias portuguesas pecam ainda pela pouca informação prestada aos utentes: sete não tinham afixados, pelo menos em local visível, os resultados das análises à água (obrigatório por lei), e nove não dispunham de editais informativos, não indicavam as infra-estruturas existentes, nem as regras de conduta. Quanto aos resultados das análises à água que eram indicados à entrada da praia, alguns não tinham grande utilidade, por estarem completamente desactualizados. Por exemplo, a informação afixada no Barril (Tavira) e Monte Gordo (Vila Real de Santo António) dizia respeito a análises com cerca de dois meses.
Mas nem tudo são más notícias. As amostras de areia recolhidas em 16 praias indiciavam, segundo a TESTE SAÚDE, uma higiene boa ou muito boa.
Para resolver os problemas encontrados nas praias, a DECO/PRO TESTE apela a colaboração de todos: poderes públicos, concessionários das praias, Associação da Bandeira Azul e os próprios utentes.
- Do Ministério das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente, os consumidores esperam mais campanhas de sensibilização dirigidas aos utentes, chamando a atenção para a necessidade de preservar as praias (água e areia).
- Às câmaras municipais, exigem-se condições para que as boas práticas ambientais sejam seguidas. É indispensável que as praias tenham equipamento suficiente para o efeito (recipientes para o lixo, casas de banho, etc.) e que este esteja em locais estratégicos, bem assinalado e mantido em boas condições.
- Os concessionários das praias devem ter mais cuidado com os equipamentos disponíveis e a informação aos utentes. São imprescindíveis indicações claras sobre a existência de casas de banho, contentores para o lixo e interdição de levar animais para a praia. A disponibilização, à entrada da praia, de pequenos recipientes que possam servir de cinzeiros seria uma boa aposta, para minimizar a poluição pelos milhares de beatas que povoam a areia.
- À Associação da Bandeira Azul, pede-se que seja mais rigorosa e exija aos concessionários das praias que cumpram todos os critérios da bandeira, não esquecendo a presença de infra-estruturas, como casas de banho, bebedouros e duches, e a informação aos utentes.
- Por fim, a lei relativa à qualidade das águas balneares deveria ser alargada à areia, obrigando a determinar o seu estado de higiene e a divulgá-lo. Tanto no caso da água, como da areia, a lei deveria estabelecer um prazo para a afixação dos resultados das análises.
- Aos utentes, a DECO/PRO TESTE recomenda que levem um saco para colocar o lixo e, se for caso disso, um recipiente para as pontas de cigarro. Desta forma, não terão de deslocar-se ao contentor sempre que queiram deitar alguma coisa fora. Os animais de estimação, diz a associação de consumidores, devem ficar em casa, até porque não podem entrar nas praias com bandeira azul.
| Teste Saúde n.º 49 - Junho/Julho de 2004 - pág. 9 a 12 |
24.05.2004
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