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Os portugueses esperam, em média, quase uma hora por uma consulta de urgência, em hospitais e centros de saúde. Metade dos utentes não sabe que os últimos também dispõem de urgências e muitos recorrem ao hospital por problemas, aparentemente, pouco graves. Eis as principais conclusões de um inquérito a quase 5 mil pessoas realizado pela DECO/PRO TESTE e divulgadas na edição de Agosto da revista TESTE SAÚDE.
Segundo aquela revista da DECO, o tempo médio de espera por uma consulta de urgência é sensivelmente o mesmo nos centros de saúde e hospitais, ao contrário do que pensam muitos utentes. Os problemas aparentemente mais graves têm um atendimento mais rápido, sobretudo nos centros de saúde, mas a espera continua a ser demasiada: 48 minutos, em média. Há mesmo casos em que os utentes (14%) afirmaram ter esperado 2 horas ou mais, quando o problema era aparentemente grave.
Por regiões, as urgências dos centros de saúde alentejanos são as menos lentas, com uma espera média de 30 minutos. Do lado oposto encontra-se o Algarve, onde os utentes têm de aguardar, em média, 1 hora e 20 minutos por uma consulta de urgência nos centros de saúde. Um quarto dos algarvios é obrigado a esperar, pelo menos duas horas. Nos hospitais, não há diferenças significativas no tempo de espera entre regiões, mas os algarvios são os que tendencialmente mais esperam.
Quanto à informação sobre o funcionamento das urgências, metade dos portugueses não sabem que o centro de saúde tem estes serviços. Por isso, diz a TESTE SAÚDE, não admira que muitos dos casos que chegam aos hospitais sejam “falsas urgências”, que deviam ser atendidas nos centros de saúde.
Por falta de informação ou não, 40% dos inquiridos que recorreram às urgências hospitalares queixavam-se de problemas aparentemente menos graves, como dores de cabeça, constipações ou golpes ligeiros.
E porque recorrem os doentes ao hospital? A maioria acredita que aí existem melhores condições de tratamento. Os reduzidos horários das urgências dos centros de saúde e a presumida maior competência dos profissionais dos hospitais são outras razões apontadas.
Com estes resultados, refere a TESTE SAÚDE, não é de estranhar que os utentes se mostrem insatisfeitos com o funcionamento do centro de saúde, sobretudo ao nível dos tempos de espera.
- Perante este panorama, a DECO/PRO TESTE defende que “a resolução do problema das urgências hospitalares tem de passar, antes de mais, por uma reestruturação dos cuidados de saúde primários (centros de saúde). Se houvesse um serviço de qualidade nestes últimos, os utentes não recorreriam tanto às urgências por problemas menores”.
- Para já, os consumidores exigem mais informação. Para que possam utilizar bem os serviços de saúde, os utentes têm de saber como funciona e as alternativas que existem. Se todos os centros de saúde distribuíssem um folheto esta informação, seria uma boa ajuda.
- A criação de uma linha telefónica de aconselhamento e triagem para adultos seria muito útil, tal como existe para problemas de saúde infantil (“Saúde 24”). O Ministério da Saúde tinha anunciado a intenção de criar uma linha deste género. “Esperemos que comece a funcionar rapidamente”, refere a TESTE SAÚDE.
- Aos utentes, a DECO/PRO TESTE aconselha a que recorram às urgências apenas quando for absolutamente necessário e, sempre que possível, dêem preferência aos serviços associados aos centros de saúde.
| Teste Saúde n.º 50 - Agosto/Setembro de 2004 - pág. 12 a 14 |
28.07.2004
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