Serviço ao domicílio para idosos: pergunte no centro de saúde
Quando os familiares não podem auxiliar o idoso no dia-a-dia, o apoio domiciliário é essencial para conservar a autonomia, embora tenha grande impacto no orçamento.
Com a população sénior em crescimento, o serviço ao domicílio é uma alternativa ao internamento de milhares de cidadãos em lares. Segundo o nosso inquérito a 3000 europeus, dos quais 1049 portugueses, este auxílio permite que mais de metade dos inquiridos entre os 55 e os 79 anos continuem a viver nas suas casas.
Dicas para procurar apoio
Se precisa de cuidados médicos ou de enfermagem, dirija-se ao centro de saúde da sua área de residência. Se tiver médico de família, exponha a situação. De contrário, agende no balcão dos serviços.
Consulte também a junta de freguesia. Se esta não puder prestar auxílio, informe-se sobre as instituições particulares de solidariedade social (IPSS) locais. No caso de existir alguma Misericórdia, pesquise os apoios que assegura. Outra solução é procurar um centro paroquial. Mesmo que não seja religioso, pode obter ajuda.
Se tem um idoso a seu cargo que sofre de ansiedade, falta de concentração, vontade frequente de chorar, revolta, cansaço, insónia, tonturas, dor no peito, falta de ar, cãibras, espasmos musculares, falta de apetite ou náuseas e vómitos, fale com o médico. Procure a ajuda de outros familiares para cuidar do dependente, pelo menos, 1 ou 2 horas por dia. Leve-o a sair de casa para distrair-se.
Saúde em primeiro lugar
Os cuidados médicos e de enfermagem lideram as necessidades dos entrevistados que pediram ajuda ao domicílio (um quarto dos casos). Um número semelhante revelou ter recorrido a uma empregada. Estes apoios são os que mais agradam.
Para dois terços, o recurso a ajudas teve impacto no orçamento familiar. Mesmo assim, é uma despesa considerada imprescindível. Quase metade dos que têm autonomia limitada afirmam que, sem apoio, não estariam a viver em casa.
A maioria dos inquiridos que solicitaram cuidados de saúde tem mais de 65 anos. Trata-se sobretudo de indivíduos com dificuldades financeiras ou um orçamento à medida do mês. Depois de pedir o serviço, no público ou no privado, o mais frequente é consegui-lo em menos de 1 mês. Mas identificámos doentes que tiveram de aguardar quatro vezes mais.
Em cerca de metade das situações, os serviços são contínuos. Os enfermeiros deslocaram-se a casa quase todos os dias. Já no caso dos médicos, o mais comum foi uma visita mensal ou de menor periodicidade.
Os profissionais de saúde são avaliados como competentes e recetivos para ouvir os problemas, tanto no público como no privado.
Cozinheiros à força
Cerca de 70% dos idosos independentes preparam as suas refeições. Uma pequena parte beneficia da ajuda de uma empregada doméstica, sobretudo durante a semana. Outros têm o apoio de um familiar, com destaque para o fim de semana.
Um em cada 10 inquiridos com autonomia limitada tem de preparar as refeições sozinho. Ao sábado e domingo, as alternativas são ainda mais escassas. Apesar das limitações físicas, 25% são mesmo obrigados a dedicar-se à cozinha.
Os serviços de entrega ao domicílio correspondem a mais de metade das opções para a semana e a 30% para o fim de semana.
Num quarto dos casos, os indivíduos dependentes recebem as refeições muito mais tarde do que o conveniente nos dias úteis. Entre familiares, empregadas domésticas e serviços ao domicílio, são os últimos a atrasar-se mais.
As quantidades também nem sempre são adequadas: um quarto dos entrevistados dizem não receber comida suficiente. Uma vez mais, os serviços apresentam piores resultados.