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A maioria dos centros auditivos não avalia correctamente as perdas de audição, não faz exames importantes ou efectua-os fora das cabines insonorizadas, podendo falsear os resultados. Estas são as conclusões de um estudo da DECO/PRO TESTE a 15 centros, em Lisboa, Porto e Coimbra, cujos resultados são publicados na edição de Dezembro da TESTE SAÚDE.
A associação de consumidores enviou um doente com dificuldades auditivas aos centros, para comprar uma prótese. Apenas três estabelecimentos efectuaram todos os exames auditivos: Gaes e Audioclínica, de Lisboa, e Bioacústica, de Coimbra. O teste mais vezes ignorado, segundo a TESTE SAÚDE, foi o audiograma vocal, que permite adequar a prótese para a conversação.
As condições em que são realizados os exames nem sempre são as melhores. No Canal Auditivo do Porto, Centro de Auditivo e Otacústica, de Lisboa, os testes não foram efectuados numa cabine com isolamento acústico. Uma condição essencial para que os resultados sejam fiáveis.
Em seis casos, os profissionais não examinaram visualmente o ouvido, para verificar, por exemplo, se a perda de audição se devia a uma acumulação de cera, uma inflamação ou qualquer outro problema não corrigível com uma prótese.
A maioria dos centros também não avaliou devidamente a origem da perda auditiva e não tentou saber quais as necessidades e expectativas do paciente em relação à prótese. A Casa Sonotone e o Centro Auditivo, de Lisboa, não colocaram nenhuma questão sobre estes aspectos.
Chegada a hora de recomendar o aparelho, a Casa Sonotone e Otacústica, de Lisboa, e a Clinisom, de Matosinhos privilegiaram o ouvido esquerdo, quando o problema estava, sobretudo, no direito.
Quanto a preços, as diferenças são abismais. Para o mesmo doente, as propostas variaram entre n 550 (um aparelho) e n 3400 (dois aparelhos).
Parte da responsabilidade por estes resultados, a DECO/PRO TESTE atribui-a à falta de legislação específica para estes estabelecimentos. A associação de consumidores considera, assim, “imprescindível criar uma lei para esta actividade, à semelhança das que já existem noutros países, como a Itália e a Alemanha”. Segundo a TESTE SAÚDE, é indispensável:
- determinar o equipamento e requisitos necessários para realizar os exames audiológicos. Como estes testes são imprescindíveis para adaptar das próteses, deverá ser proibida a venda de aparelhos em locais sem as condições mínimas;
- definir as responsabilidades dos profissionais que trabalham nos centros, a formação que lhes deve ser exigida e as actividades que podem e não podem desenvolver;
- criar uma fiscalização eficaz, capaz de fazer cumprir as regras, e multas exemplares para os infractores.
Aos consumidores que suspeitem ouvir mal, a TESTE SAÚDE aconselha a consulta a um otorrinolaringologista e fazer os exames recomendados. No caso de precisar de uma prótese, deverá, então, dirigir-se a uma loja e indicar as situações em que ouve mal e para as quais vai necessitar mais da prótese. Pergunte se tem direito a um período experimental, onde pode dirigir-se em caso de avaria ou necessidade de adaptação do aparelho e quais são as condições de garantia. “Não se esqueça de que a garantia mínima é de dois anos, mesmo que os estabelecimentos indiquem um prazo inferior, como fizeram alguns”, adverte a TESTE SAÚDE.
| Teste Saúde n.º 52 - Dezembro de 2004/Janeiro de 2005 - pág. 13 a 17 |
29.11.2004
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