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Transportes públicos: muitos atrasos e pouco conforto

Atrasos, pouco conforto e veículos sobrelotados são os principais problemas apontados por um inquérito realizado pela DECO/PRO TESTE aos utentes dos transportes públicos portugueses.

Os quase 5 mil utentes que responderam ao inquérito daquela revista de defesa dos consumidores revelaram-se muito insatisfeitos com a situação actual dos transportes públicos. De facto, na maioria dos critérios analisados, as empresas ficam abaixo da barreira do minimamente aceitável.

As maiores críticas foram dirigidas aos autocarros. A Rodoviária de Lisboa, a Vimeca, a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto, a Transportes Colectivos do Barreiro e a Carris revelaram-se as companhias mais problemáticas. Na verdade, segundo o estudo da DECO/PRO TESTE, os resultados finais obtidos deixaram muito a desejar. Nas paragens do autocarro, a reduzida informação prestada e a fraca protecção contra o frio, chuva ou calor foram penalizadas (e de que maneira!) pelos inquiridos. No veículo, a falta de informação sonora e visual para o utente saber quando sair, bem como o desconforto nas horas de ponta, foram aspectos que também se destacaram pela negativa.

Por outro lado, ao nível das correspondências (por exemplo, interfaces, horários e, tipos de bilhetes) entre diferentes tipos de transportes, os resultados mostraram que as empresas podem e devem fazer muito melhor. Em Lisboa, as ligações com melhores resultados são as que implicam a mudança dentro do sistema do metro (de uma linha para outra), deste com o comboio e do metro com o autocarro. No Porto, a melhor classificação vai para as ligações entre as estações de comboio. As restantes correspondências foram chumbadas, sendo os casos mais graves as ligações entre o eléctrico e qualquer outro dos transportes analisados.

Segundo a DECO/PRO TESTE, em prol de uma política de transportes colectivos orientada para os utilizadores, é preciso que as grandes áreas metropolitanas ofereçam aos seus habitantes redes eficazes de transportes. O uso desenfreado do automóvel tem custos elevados para a economia nacional, o meio ambiente e a saúde dos portugueses. Contudo, esta situação só pode ser evitada se forem feitos os investimentos necessários para melhorar e tornar mais eficazes as redes de transportes públicos.

Se algumas alterações implicam investimentos caros em infra-estruturas, outras exigem uma melhor gestão e organização. Na lista de prioridades dos passageiros, estão a pontualidade, a segurança do veículo, a sua própria segurança e o conforto: aspectos que precisam de ser melhorados urgentemente.

O Ministério das Obras Públicas, Transportes e Habitação, através da Direcção-Geral dos Transportes Terrestres, as câmaras municipais, as recém-criadas autoridades metropolitanas de transportes de Lisboa e Porto e as empresas envolvidas têm, segundo a revista PRO TESTE, várias tarefas a executar. As soluções têm de ser integradas e globais: redes de transportes coerentes, complementaridade entre trajectos e meios de transporte, passes multimodais a sério, que oferecem uma maior flexibilidade aos utentes, etc. Apesar de úteis para sensibilizar a opinião pública, as operações como a Semana Europeia da Mobilidade, este ano entre 16 e 22 de Setembro, e o Dia Europeu sem Carros, 22 do mesmo mês, não são suficientes.

Quanto às empresas transportadoras, aquela revista exige um maior esforço de coordenação. Estas poderiam começar por estudar e criar melhores ligações (interfaces funcionais e práticos) entre os diversos meios de transporte para que o consumidor chegue mais rápida e comodamente ao seu destino.

Em síntese: todos temos a ganhar se os transportes públicos forem melhorados. Se as empresas oferecerem um serviço mais rápido e prático, pode ser que convençam mais automobilistas a deixar o carro em casa. Tudo para que a qualidade de vida das populações e as deslocações de transportes sejam agradáveis e não um pesadelo diário.

| Pro Teste n.º 239 - Setembro de 2003 - Páginas 8 a 12 |

01.09.2003

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