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Mobilidade e ambiente: é urgente uma rede eficaz de transportes

Um estudo realizado pela DECO/PRO TESTE mostra que os transportes públicos ainda não são uma alternativa interessante ao automóvel. Mas, tendo em conta que a utilização desenfreada deste origina congestionamento e poluição, defende que o Governo deverá, urgentemente, tomar medidas que alterem esta situação.

A DECO seguiu o percurso de 12 colaboradores de Lisboa e do Porto, durante uma semana. Registou o tempo e os meios de transporte utilizados, assim como a concentração de poluentes atmosféricos a que estiveram expostos. No final, os resultados foram comparados com os obtidos caso se tivesse utilizado o automóvel e verificou-se que este foi a solução mais rápida na maioria dos casos, permitindo ganhar algumas horas no final de uma semana.

Relativamente aos custos, aquela revista de defesa do consumidor verificou que, regra geral, a utilização diária do automóvel só fica mais cara se o percurso for feito apenas com uma pessoa. De facto, se viajarem duas pessoas no carro, os transportes públicos deixam de compensar tanto.

Os poluentes atmosféricos são diariamente medidos por estações de monitorização da qualidade do ar. Contudo, o estudo da DECO revelou que apesar destas estações darem uma imagem útil da qualidade do ar, não traduzem de forma exacta as concentrações a que os consumidores estão expostos. Na verdade, estes encontram-se, com frequência, bastante próximos do trânsito rodoviário. Por esta razão, a localização das estações deveria ser revista, para se adaptar ao crescimento das cidades.

Apesar de todas as vantagens que poderá acarretar, o uso do automóvel tem consequências no meio ambiente e na carteira do consumidor. Sem esquecer que, quantos mais automóveis houver em circulação, mais denso se torna o trânsito, originando filas onde se perdem horas sem fim, completamente improdutivas. Daí que, não sendo um tema novo, a DECO/PRO TESTE reafirme ser essencial o desenvolvimento de uma rede rápida e eficaz de transportes, que leve o consumidor a prescindir do carro nas suas deslocações para o centro das cidades.

O Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, as câmaras municipais, as autoridades metropolitanas de transportes de Lisboa e do Porto e as empresas de transportes são, sem dúvida, os principais actores na resolução deste problema. Em conjunto, devem encontrar soluções integradas e coerentes entre os diferentes meios de transporte.

  • Autocarros rápidos (os chamados expressos) que liguem as zonas periféricas às estações de metro ou comboio, bem como a criação de mais corredores exclusivos para os transportes públicos (os chamados Bus), mas com barreiras que impeçam os automóveis particulares de lá circular, são algumas das soluções possíveis. Outra ideia interessante, que é prática em Madrid, é permitir que automóveis com mais de duas pessoas utilizem determinadas vias exclusivas, que são fiscalizadas: uma forma de diminuir a quantidade de carros que só transporta uma pessoa.
  • Para melhorar a circulação dos autocarros no interior das cidades, é imprescindível rever o regulamento de cargas e descargas, para que não ocorram nas horas de ponta.
  • Também é importante generalizar os parques de estacionamento junto aos locais de ligação dos vários tipos de transportes públicos. Contudo, para servir o seu propósito, a DECO defende que sejam definidos preços que incentivem os automobilistas a deixar o carro no parque e a optar pelos transportes públicos.
  • Em relação ao meio ambiente, em Julho de 2004, já tinham sido ultrapassados, em vários locais das cidades de Lisboa e Porto, o número máximo de dias em que as concentrações de partículas podem exceder o valor de referência definido na lei. Por isso, a DECO/PRO TESTE defende que o Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território elabore, rapidamente, um plano de redução de contaminação do ar, tal como a Comissão Europeia o exige.
  • Quanto aos veículos, é essencial apostar no gás natural e nos motores híbridos, que funcionam a gasolina e a electricidade, tornando-os mais acessíveis. Além disso, tornar obrigatória a instalação, de série, de filtros de partículas nos escapes dos veículos também permitiria baixar a quantidade de poluentes que estes emitem.

| Pro Teste n.º 250 - Setembro de 2004 - pág. 28 a 31 |

24.08.2004

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