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As tabelas de descontos e agravamentos da maioria das seguradoras são de tal modo complexas que não é fácil calcular o montante a partir do qual compensa participar um sinistro. Regra geral, se os estragos forem reduzidos, é mais vantajoso pagá-los do seu bolso. A conclusão é da DINHEIRO & DIREITOS de Janeiro, que analisou tabelas de 19 seguradoras.
Em teoria, as tabelas permitem acompanhar a evolução do prémio, em função dos acidentes participados. Mas o que poderia ser uma salutar política de transparência é, por exemplo, no caso da Tranquilidade e da Zurich, completamente gorada pela complexidade das tabelas fornecidas. Além de tabelas mais claras e simples, a DECO reclama que as seguradoras adoptem um modelo único de apresentação.
Para os consumidores, fica o conselho: após um acidente, convém pedir à seguradora uma simulação da evolução do prémio. É recomendável fazer o mesmo junto da concorrência. Se a tabela da actual companhia for muito penalizadora, poderá compensar mudar de seguradora. Para tal, anule o seguro na data de renovação, bastando enviar uma carta à seguradora ou não pagar o prémio na data prevista.
Aquela associação denuncia outras práticas lesivas. Em caso de acidente, só as coberturas de responsabilidade civil e choque, colisão e capotamento, que dependem exclusivamente da condução do segurado, deveriam agravar o prémio. Mas algumas seguradoras consideram ainda a participação de um furto ou roubo, de danos relacionados com fenómenos atmosféricos ou até de actos de vandalismo.
As seguradoras deviam agravar exclusivamente o preço da cobertura activada, mantendo o das restantes. Mas se for activada a responsabilidade civil, a maioria aumenta o prémio de danos próprios, e vice-versa.
Exceptuando os primeiros recibos ou os emitidos após alterações, a maioria das seguradoras só indica o prémio total. Para a DECO, o Governo deve tomar medidas para obrigar as seguradoras a enviarem recibos discriminados. Só assim os clientes poderão saber quanto pagam por cada cobertura e quais as agravadas em caso de sinistro. Com o objectivo de denunciar estes casos, a DECO já enviou uma carta ao Instituto de Seguros de Portugal e ao Ministério das Finanças com estas reivindicações.
| DINHEIRO & DIREITOS n.º 73 - Janeiro/Fevereiro de 2006 - páginas 38 a 41 |
20.12.2005
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