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Segurar erros profissionais

Em Portugal, ao contrário da Alemanha, França, Inglaterra e Escandinávia, os médicos, advogados e engenheiros, entre outros, que trabalham por conta própria, não são obrigados a contratar um seguro que indemnize os consumidores pelos danos que possam causar-lhes. Além disso, como noticia a DINHEIRO & DIREITOS de Janeiro, as apólices de responsabilidade civil profissional existentes são poucas e de fraca qualidade.

Todos os profissionais, por muito competentes que sejam, podem um dia falhar no exercício das suas funções. E com consequências graves para os consumidores. No caso dos independentes, esta questão ganha ainda mais relevo, pois podem não ter “património” em seu nome para compensá-los pelos danos sofridos. É o caso do médico que opera a perna errada ao paciente ou é responsável pela sua morte, por exemplo.

Embora uma indemnização nunca pague o sofrimento da vítima ou dos familiares, deve procurar compensá-los pelos danos físicos e/ou morais, tratamentos que venham a ser necessários, remunerações que deixam de receber, etc. O seguro de responsabilidade civil profissional tem esta dupla vantagem: responsabiliza-se pelas indemnizações às vítimas, que de outra forma teria de ser o profissional a pagar, e garante àquelas que são ressarcidas pelos danos que vierem a sofrer.

Em Portugal, a larga maioria dos profissionais independentes não contrata este seguro. Segundo a DINHEIRO & DIREITOS, tal deve-se a duas razões: à falta de lei que os obrigue a fazê-lo e aos entraves à contratação impostos pelas seguradoras.

Esta revista de defesa do consumidor contactou 18 companhias e só metade disse comercializar a apólice de responsabilidade civil profissional. E, mesmo assim, com reservas! A maioria só o faz a quem seja lá cliente ou esteja disposto a transferir toda a carteira de seguros. Mais: nem todos os profissionais são aceites. Médicos, enfermeiros, advogados, contabilistas e engenheiros têm mais facilidade em contratar o seguro do que um electricista ou canalizador. Regra geral, as companhias também preferem os profissionais com experiência e sem histórico de acidentes aos que ainda estão em início de carreira.

Mas os problemas vão mais longe. De acordo com aquela revista da DECO, as apólices existentes estão longe de proporcionar uma cobertura adequada aos profissionais e, em última análise, aos consumidores que recorrem aos seus serviços . A maioria tem exclusões que retiram parte da utilidade ao seguro. Por exemplo, no caso das apólices para médicos, os danos causados por medicamentos (mal) prescritos, resultantes da aplicação de pace-makers , tentativa de reanimação cardíaca através de electro-choques ou do transplante de órgãos.

Há mais de oito anos que a DECO/PRO TESTE reivindica legislação que torne obrigatória a contratação de um seguro de responsabilidade civil profissional para algumas actividades. Nesse sentido, já preparou um dossiê com reivindicações, para ser enviado ao Governo.

| Dinheiro & Direitos n.º 67 - Janeiro/Fevereiro de 2005 - pág. 16 a 17 |

20.12.2004

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