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Falta de higiene, má conservação e fraudes económicas marcaram investigações de 2008. Lei falha e fiscalização não é eficaz.
Os nossos testes são, por vezes, acusados de alarmistas por produtores e autoridades públicas. Mas estas não são tão rápidas a reagir com avanços na lei, nalguns casos, incompleta ou até inexistente. Para exigir mais acção e defender a saúde pública, os temas alimentares continuam a ser uma prioridade nas nossas publicações.
A falta de parâmetros legais para microrganismos é uma denúncia da maioria dos testes de 2008. Para avaliarmos a qualidade de 577 produtos, recorremos, muitas vezes, a padrões e lei de outros países. Mas, com legislação adequada, seria mais fácil fiscalizar e punir quem falha na higiene e conservação. As análises a carne de borrego e frango revelaram muitas bactérias potenciais causadoras de infecções alimentares, como Listéria monocytogenes e Campylobacter, não previstas na lei. Boa cozedura e cuidados na preparação podem minimizar esses problemas. Mas a confiança do consumidor não se cozinha.
Este é um tema preocupante: a cada ano, um em cada três habitantes dos países industrializados sofre infecções, intoxicações e outras doenças transmitidas pelos alimentos, segundo a Organização Mundial de Saúde.
Ovos pouco frescos
Mais de metade das 23 embalagens continha ovos com peso inferior à classe indicada, concluímos no estudo publicado na Proteste n.º 290, de Abril. Denunciámos pouca frescura e medicamentos proibidos em 3 marcas à Secretaria de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor e Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE). Esta prometeu fiscalização.
Frutos maduros em 7 dias
A maioria dos 25 ananases e abacaxis apresentava defeitos exteriores. Uma semana depois da compra, alguns estavam muito maduros e com sinais de podridão. Mais de um terço chumbou na degustação, como referimos na Proteste n.º 291, de Maio.
Borrego em putrefacção
Mau odor e hemorragias, entre outros, afectaram 8 das 17 amostras de borrego, identificadas na Proteste n.º 293, de Julho/Agosto. Uma estava mesmo imprópria para consumo. Alertámos a ASAE para os problemas de higiene e conservação. Responderam com fiscalizações de Junho e Julho em 303 talhos, com 101 processos de contra-ordenação e 8 mil euros de carne apreendida.
6 douradas custam o dobro
Em 33 douradas, a de captura custou-nos cerca de € 25, em média, e a de aquicultura não ultrapassou os 10 euros por quilo. Mas em 6 locais pagámos o dobro por peixe que era, afinal, de aquicultura, como noticiámos na Proteste n.º 294, de Setembro. Na altura, denunciámos o problema à ASAE. Mas os consumidores desconhecem as acções realizadas.
171 cereais muito doces
Os cereais de chocolate têm muito açúcar, sal e poucas fibras, alertámos na Proteste n.º 295, de Outubro. Pais, estudantes e profissionais juntaram-se ao nosso apelo contra o poder da publicidade. Restrições ao marketing ainda estão à espera do Governo. A Associação Portuguesa de Produtores de Flocos de Cereais sublinhou que a informação nutricional está nas embalagens.
Bactérias em 69 peças de frango
As análises microbiológicas revelaram várias bactérias potenciais causadoras de infecções alimentares. Resultado: 66 amostras chumbaram no estudo da Proteste n.º 296, de Novembro. Comunicámo-lo à ASAE e à Direcção-Geral de Veterinária (DGV). Esta não avançou medidas para proteger o consumidor e limitou-se a criticar o estudo. A DGV não pode falhar na primeira fase de inspecção, ao nível da produção primária, onde surgem muitos problemas de microbiologia.
Última atualização em janeiro de 2009
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