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Refeições preparadas: alimentos mal conservados e sem condições de higiene

Alimentos em mau estado de conservação e falta de cuidados básicos de higiene. Estas são as principais falhas encontradas num estudo realizado a 28 refeições prontas a comer e publicado na edição de Março da revista Pro Teste. Duas refeições, compradas num dos supermercados Pingo Doce de Lisboa e de Vila Nova de Gaia, foram eliminadas por conterem teores elevados de uma bactéria que pode ser nociva para a saúde. O presente estudo demonstra que é necessário reforçar o investimento na formação dos funcionários, nas instalações e no controlo de qualidade.

Segundo a revista dos consumidores, os problemas encontrados nos pratos com carne, arroz e salada analisados podem passar por temperaturas inadequadas, manipulação descuidada e falta de condições do expositor. Por exemplo, algumas refeições preparadas estavam expostas junto de alimentos crus (enchidos, fiambre e queijos), o que constitui um risco de contaminação cruzada. Uma solução seria todos os supermercados exporem este tipo de alimentos numa secção exclusiva, o que também permitiria controlar melhor a sua conservação.

Noutros casos, a mesma bancada ou utensílios eram utilizados para diversos alimentos, sem serem lavados entre utilizações. Além disso, nem todos os funcionários dos supermercados usavam luvas e, dos que usavam, alguns serviam-se delas também para manipular alimentos crus.

Porque a segurança alimentar é um dos direitos fundamentais do consumidor, a DECO/Pro Teste tem vindo a denunciar as diversas falhas no sector: hambúrgueres e cachorros quentes das rulotes, queijo fresco, frango, refeições das cantinas universitárias e salsichas frescas, só para citar alguns exemplos.

Aquela revista aponta o dedo à ineficácia da fiscalização, a cargo da Direcção-geral de Fiscalização e Controlo da Qualidade Alimentar: “É preciso uma fiscalização mais atenta para punir os infractores!”. E acrescenta: “Os próprios responsáveis deste sector têm todo o interesse em realizar ou reforçar uma auditoria regular ao seu sistema de auto-controlo, dado que a qualidade final dos alimentos expostos para venda depende de uma manipulação correcta”.

Por outro lado, a legislação portuguesa apresenta lacunas quanto às normas de higiene e às temperaturas de conservação dos alimentos prontos a comer à venda nos supermercados.

A Pro Teste recomenda, ainda, os responsáveis dos supermercados a investirem na formação profissional dos seus funcionários. Manter as unhas cortadas, as mãos limpas, o vestuário e os utensílios de trabalho lavados, reduzir o contacto das mãos com os alimentos, evitar tossir ou espirrar para cima dos produtos são alguns requisitos de higiene básicos, muitas vezes, descurados.

Para uma alimentação mais segura, aquela revista deixa alguns conselhos aos consumidores:

  • as refeições quentes devem estar a 65ºC ou mais e as refrigeradas a menos de 5ºC;
  • evitar alimentos confeccionados em mau estado de conservação (por exemplo, carne ou peixe com partes ressequidas, maionese amarelada) ou expostos junto a alimentos crus;
  • verificar se a embalagem da refeição preparada não está danificada;
  • guardar estes produtos para o final das compras, de forma a não permanecerem muito tempo à temperatura ambiente;
  • já em casa, para evitar contaminações cruzadas, não juntar alimentos crus com outros já confeccionados, nem os de origem vegetal com os de origem animal;
  • as pastas, massas, cremes, maioneses ou outros molhos em cuja confecção sejam utilizados ovos devem ser conservados no frigorífico se não forem consumidos imediatamente.

| Pro Teste n.º 234 - Março de 2003 - Páginas 8 a 11 |

26.02.2003

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