|
A DECO/Pro Teste analisou 20 amostras de peru e encontrou nitrofuranos em 17 (13 compradas a granel e quatro embaladas) e cloranfenicol num produto. Mais uma vez, e na sequência de um estudo a produtos alimentares, aquela revista dos consumidores chegou a conclusões preocupantes. Trata-se de um estudo a peru, que englobou a pesquisa de resíduos de medicamentos, a qualidade microbiológica e uma inspecção veterinária. As compras foram realizadas entre os dias 10 e 19 de Fevereiro, tendo sido analisadas 20 amostras: 14 a granel e seis marcas de peru embalado.
Mais uma vez, e na sequência de um estudo a produtos alimentares, aquela revista
dos consumidores chegou a conclusões preocupantes. Trata-se de um estudo a peru,
que englobou a pesquisa de resíduos de medicamentos, a qualidade microbiológica
e uma inspecção veterinária. As compras foram realizadas entre os dias 10 e
19 de Fevereiro, tendo sido analisadas 20 amostras: 14 a granel e seis marcas
de peru embalado.
A razão da divulgação antecipada prende-se com a pesquisa feita a resíduos
de medicamentos. Além dos resíduos permitidos, também foram pesquisados alguns
dos que estão interditos pela legislação europeia. Quanto aos últimos, a Pro
Teste detectou a presença de nitrofuranos e de cloranfenicol.
Em matéria de nitrofuranos, das 20 amostras, 17 encontravam-se contaminadas
(85%). O metabolito detectado (conhecido por AMOZ) provém do uso de um dos quatro
nitrofuranos mais utilizados antes da proibição como anti-infeccioso, a furaltadona.
Quanto ao cloranfenicol, este foi detectado numa amostra, a qual também já continha
nitrofuranos. Ambas estão interditas em animais para produção de alimentos,
sendo incluídas no anexo IV do Regulamento da Comunidade Europeia 2377/90, que
estabelece a lista de substâncias farmacológicas para a qual não pode ser fixado
nenhum limite máximo de resíduos. Ou seja, são substâncias consideradas perigosas,
independentemente do teor encontrado.
“Com tantas interdições, porque são
então usadas?”, pergunta a DECO/Pro Teste.
Na verdade, estas substâncias são eficazes contra um grande número de bactérias.
Além disso, ao alterar a flora microbiana, aumentam a absorção de alimentos,
tendo também um efeito promotor de crescimento. O seu custo não é elevado e
a sua detecção não é fácil, existindo poucos laboratórios que o façam.
“Estamos perante um conjunto
de situações bastante atractivas para
produtores menos honestos que
visam acima de tudo o lucro. Infelizmente,
o uso indiscriminado destes medicamentos
proibidos põe em causa todo
um sector fazendo com que o justo
também pague pelo infractor”, denuncia a DECO/Pro
Teste. Basta
ter em conta as amostras com problemas
encontradas nos talhos. Os comerciantes sem terem responsabilidade directa no
problema acabam por sair prejudicados com esta situação.
No contexto do escândalo actual sobre os nitrofuranos, este estudo é “a
prova de que o Governo pouco
fez com os resultados de que teve
conhecimento ao longo do tempo. Segundo
as últimas notícias, o conhecimento da existência
destas substâncias já vem do ano passado”,
salienta a Pro Teste.
Ora as amostras daquela revista foram compradas em Fevereiro de 2003. Assim,
“como é que é possível que
vários meses depois continuem a estar
à venda tantas amostras contaminadas? Ou
será que o mundo das aves se resumia
ao frango, para o qual ainda
não foi dada segurança total?”,
pergunta a Pro Teste.
As exigências dos consumidores
Segundo a DECO/Pro Teste, este estudo revela a ineficácia do
sistema da fiscalização em Portugal, que deverá ser intensificado. A nível nacional,
esta tarefa cabe à Direcção-Geral de Veterinária. Esta acção reforçada não se
deverá restringir aos nitrofuranos, mas também a outros resíduos proibidos.
Em 20 amostras, detectar cloranfenicol numa é igualmente preocupante. A Teste
Saúde, de Março/Abril, já tinha alertado para o uso abusivo de medicamentos.
Na altura, em 80 produtos, foram encontrados resíduos de medicamentos em metade
das amostras de mel, 40% de ovos e 10% de carne de porco. Há, pois, que intensificar
igualmente a fiscalização relativa a resíduos para os quais existem limites
máximos.
·Além das acções de fiscalização, torna-se urgente desmontar
toda a rede de medicamentos proibidos. Qual a sua origem? Como são comercializados?
Os consumidores também exigem a adopção de medidas claras no que se refere à
administração de medicamentos a animais doentes (em que condições?; que tipo
de medicamentos e para que casos?; quem pode prescrevê-los?).
Medidas já tomadas pela
DECO/Pro Teste
Perante a situação actual, aquela revista de consumidores decidiu tomar
algumas medidas urgentes. Os resultados das análises já foram enviados aos distribuidores
e produtores das amostras analisadas. No caso dos talhos, a equipa da Pro
Teste pediu que lhe fosse facultado o nome do fornecedor.
Os resultados também foram comunicados às seguintes entidade oficiais: Direcção-Geral
de Veterinária, Inspecção-Geral das Actividades Económicas e Ministério da Agricultura,
Desenvolvimento Rural e Pescas (ao cuidado do Sr. Ministro Sevinate Pinto).
Para reforçar as reivindicações nesta matéria e sensibilizar
para o ponto de vista dos consumidores, a DECO/Pro Teste teve
reuniões com a CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal), a IACA (Associação
Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais), Ministério
da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas e a Agência para a Qualidade
e Segurança Alimentar.
Por fim, um dos principais aspectos que aquela revista de consumidores destaca
é a falta de coordenação que parece existir entre as diversas entidades com
responsabilidade na matéria, a começar pela Inspecção-Geral das Actividade Económicas,
que tem feito apreensões de nitrofuranos, e o Ministério da Agricultura, Desenvolvimento
Rural e Pescas, que tem feito análises. “Será que estão a trabalhar
em paralelo para resolver
este problema”, pergunta a equipa que fez o estudo.
“Parece que não ou talvez
não da melhor forma. Ora
quem sofreu e continua a sofrer com
esta falta de coordenação e de meios
é o consumidor português”, remata a Pro Teste.
| PERU:
RESULTADOS DO TESTE |
| PERU
INTEIRO A GRANEL |
| NOME
DO TALHO |
Morada |
Data
de compra |
Metabolitos
de nitrofuranos (AMOZ) |
Cloranfenicol |
| LIDER
TALHOS |
Rua
Luís Cristino da Silva, Lote 222, Lj. 4, 1900-740 LISBOA |
12
de Fevereiro de 2003 |
SIM |
sem
problemas |
| TALHOS
SILAU |
Av.
Dr. Augusto de Castro, Lote 12, Lj. B, 1900-663 LISBOA |
12
de Fevereiro de 2003 |
sem
problemas |
sem
problemas |
| DIAS
& LOPES TALHOS, LDA. |
Rua
Circular Norte, Lote 14 D, Bairro da Encarnação, 1800 LISBOA |
12
de Fevereiro de 2003 |
SIM |
sem
problemas |
| ROCHA
E FRAGATA, LDA. |
Av.
D. Rodrigo da Cunha, 6 A, 1700-140 LISBOA |
12
de Fevereiro de 2003 |
SIM |
sem
problemas |
| MARIA DA
CONCEIÇÃO B. P. ANTÓNIO |
Mercado de Arroios,
Sector 5, Lugar 2, 1900 LISBOA |
19
de Fevereiro de 2003 |
SIM |
SIM |
| FERREIRA,
CAPITÃO & NUNES, LDA. (TALHO 165) |
Rua
Morais Soares, 89 A e B, 1900-342 LISBOA |
19
de Fevereiro de 2003 |
SIM |
sem
problemas |
| TALHOS
LUÍS E CARLOS (Loja 1) |
Av.
General Roçadas, 171, 1170 LISBOA |
19
de Fevereiro de 2003 |
SIM |
sem
problemas |
| PARDAIS,
LDA |
Av.
Almirante Reis, 40 B, 1100 LISBOA |
19
de Fevereiro de 2003 |
SIM |
sem
problemas |
| JUMBO |
Alfragide |
12
de Fevereiro de 2003 |
SIM |
sem
problemas |
| CARREFOUR |
Telheiras |
12
de Fevereiro de 2003 |
SIM |
sem
problemas |
| CONTINENTE |
Colombo |
12
de Fevereiro de 2003 |
SIM |
sem
problemas |
| PAULO,
LDA. |
Av.
Óscar Monteiro Torres, 66 C-D, LISBOA |
19
de Fevereiro de 2003 |
SIM |
sem
problemas |
| TALHO
VIEIRA |
Rua
Antero Figueiredo, 12 D-E, 1700 LISBOA |
19
de Fevereiro de 2003 |
SIM |
sem
problemas |
| TALHO
E SALSICHARIA N.º 836 |
Av.
Miguel Bombarda, 101, 1050-162 LISBOA |
19
de Fevereiro de 2003 |
SIM |
sem
problemas |
| PERU
EMBALADO |
| MARCA
e designação comercial |
Local
de compra |
Data
de compra |
Metabolitos
de nitrofuranos (AMOZ) |
Cloranfenicol |
KILOM
Perna de Peru |
JUMBO,
E. N. 10, 2615 ALVERCA |
11
de Fevereiro de 2003 |
SIM |
sem
problemas |
AVIPRONTO
Coxa de Peru |
CONTINENTE,
Rua João Mendonça, 505, 4460 MATOSINHOS |
18
de Fevereiro de 2003 |
SIM |
sem
problemas |
CAMPOAVES
Perna de Peru do Campo |
CONTINENTE,
Av. Lusíada, C.C.C., 1500 LISBOA |
11
de Fevereiro de 2003 |
SIM |
sem
problemas |
BELIAPE
Cotos de Peru |
JUMBO,
Arrábida Shopping, 4400-475 GAIA |
17
de Fevereiro de 2003 |
sem
problemas |
sem
problemas |
SAVINOR
Coxa de Peru |
CARREFOUR,
VILA NOVA DE GAIA |
17
de Fevereiro de 2003 |
SIM |
sem
problemas |
COREN
Perna de Peru |
FEIRA
NOVA, BELA VISTA |
10
de Fevereiro de 2003 |
sem
problemas |
sem
problemas |
18.03.2003
|