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Falta de informação e legislação, falhas de higiene e conservação: os problemas repetem-se sem fim à vista.
Continuamos a saber pouco sobre os produtos que consumimos. Para muitos alimentos, ainda não existe legislação específica. A fiscalização nem sempre é eficaz e ainda se descobrem problemas de composição, de higiene e conservação. Os dois últimos assumem particular importância no Verão.
As temperaturas elevadas são propícias para o desenvolvimento de certos microrganismos responsáveis por intoxicações alimentares.
Nos testes alimentares que efectuámos em 2006, alertámos para as falhas encontradas.
Hambúrgueres com muita água e gordura
A maioria dos 19 hambúrgueres congelados de vaca e de peru que testámos continham gordura e/ou água em excesso. Muitas vezes, a qualidade da carne deixava a desejar e encontrámos aditivos desnecessários. Verificámos também problemas de higiene e conservação, bem como informação enganosa nos rótulos.
Farinheiras gordura sem limites
Das 25 farinheiras testadas, metade continha sal em excesso e algumas falharam na higiene. Encontrámos Salmonella e Listéria em alguns produtos. Deve-se, por isso, cozinhá-los bem. A legislação deveria estabelecer limites para a quantidade de gordura, e outros ingredientes, presentes nestes alimentos.
Vinho do douro com conservantes a mais
Nos 50 vinhos testados, verificámos que os produtores utilizavam doses exageradas de sulfitos e/ou dióxido de enxofre. Nos rótulos faltam conselhos sobre o serviço e a conservação. A lista de ingredientes continua também ausente.
Açúcar em demasia
Os valores máximos de açúcares adicionados, que podem ser ingeridos por dia, variam entre 50 e 75 gramas. Medimos os açúcares simples em 110 alimentos e os valores encontrados foram surpreendentes. Por exemplo, uma lata de refrigerante pode ter mais açúcares do que uma tablete de chocolate ou uma fatia de marmelada.
Azeitonas mal conservadas e sem higiene
Testámos 25 amostras de azeitonas de mesa, das quais 15 eram embaladas e 10 a granel. Em ambas as formas de comercialização, o sal abunda. Nas azeitonas embaladas, o peso líquido escorrido nem sempre está correcto. Em todas as azeitonas a granel, encontrámos problemas de higiene e/ou conservação.
Mel e geleia real com resíduos de medicamentos
Das 20 amostras de mel que analisámos, 30% apresentavam resíduos de medicamentos. Em 3 geleias reais puras testadas, uma continha mesmo cloranfenicol, um antibiótico proibido na União Europeia na produção de alimentos para consumo humano.
Pescado de origem desconhecida
Visitámos mais de 100 estabelecimentos, e verificámos que o consumidor nem sempre é informado sobre o método de produção e a zona de captura, sobretudo nas peixarias localizadas em mercados. Mais de 40% não apresentavam esta informação ao consumidor.
Alimentos ricos em ómega 3 mais caros
Analisámos alimentos que continham alegações relativas ao ómega 3 e comparámo-los com os produtos tradicionais. A maioria permite mesmo aumentar a dose de ómega 3 consumida. Contudo, muitos destes produtos podem custar o dobro.
Probióticos com muito açúcar e poucas bactérias
Os probióticos contêm bactérias vivas benéficas. Mas alguns dos 12 produtos que testámos não tinham, no final do prazo de validade, as quantidades exigidas destas bactérias. Verificámos que contêm menos proteínas do que os iogurtes e açúcares em excesso.
Saladas pouco nutritivas
Testámos 17 saladas de frango nas principais cadeias de fast food. Quase todas tinham problemas de higiene e conservação. Pouco equilibradas, pecavam por ter gordura em excesso.
Glutamatos abundam na comida chinesa
Analisámos o crepe, arroz chao-chao e shop suey de vaca em 20 estabelecimentos com serviço take-away em Lisboa e Porto. Quase metade das refeições tinham muito sal e os glutamatos abundavam.
Cantinas do pré-escolar com falhas de higiene
Encontrámos problemas nas cantinas de 30 escolas com ensino pré-escolar de Lisboa e Porto. Equipamentos, superfícies e utensílios sujos e contentores do lixo destapados foram alguns exemplos.
Gerir melhor a cadeia alimentar
Para restabelecer a confiança dos consumidores é preciso que os produtores disponibilizem informação completa e transparente sobre os alimentos. Os riscos sempre existirão. Logo, é importante prevenir em vez de gerir os erros. Manter uma alimentação variada e equilibrada também é uma forma de prevenção.
A melhor gestão da cadeia alimentar passa pela aprovação de legislação realista e específica para alguns alimentos. A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica deve exercer uma fiscalização mais eficaz e aplicar sanções realmente dissuasoras.
Última atualização em maio de 2007
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