|
A carne de borrego à venda na Grande Lisboa e no Grande Porto não se encontra nas melhores condições devido a problemas de higiene e conservação.
Mas o mais grave revelou-se na inspecção veterinária. Apenas 9 pernas de borrego, 3 embaladas e 6 a granel, das 17 que a PRO TESTE testou, passou na inspecção visual, em laboratório por um médico veterinário. A amostra do Talho da Torre, no Porto, foi mesmo eliminada devido ao estado de putrefacção em que se encontrava. Defeitos: cor esverdeada, cheiro putrefacto e fraca consistência. A DECO já comunicou a situação à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), para que a fiscalização actue. Os problemas podem dever-se a descuido na conservação e armazenamento.
Na carne do Talhos Boavista, no Porto, e noutra a granel no Talhos Mimos da Carne, em Lisboa, a cor vermelha, intensa, e algumas hemorragias, podem ser sinal de má sangria e comprometer a conservação. A amostra a granel do Jumbo, muito conspurcada, as pré-embaladas do Continente e da Natural Carnes, com alterações de cor e odor, chumbaram na inspecção visual.
Quatro pernas de borrego embaladas e três a granel chumbaram na conservação. Na análise do grau de contaminação geral da carne, as contagens de microrganismos a 30°C são demasiado elevadas. Menos problemática é a higiene. Mesmo assim, duas amostras, já com problemas de conservação, obtêm nota negativa. A marca pré-embalada Feira Nova e a amostra do talho do Intermarché continham contagens elevadas de Enterobacteriaceae, que revelam má qualidade higiénica. Apenas três pernas apresentavam uma higiene irrepreensível. “A negligência verificada é inadmissível, embora, ao cozinhar-se, a carne seja sujeita a temperaturas elevadas, que eliminam estes microrganismos”, denuncia a PRO TESTE.
A falta de marcação de salubridade na amostra a granel do Talhos Boavista,no Porto, foi também motivo de denúncia junto da ASAE. “É urgente que os comerciantes, bem como os distribuidores, tenham mais informação e formação. A saúde pública e a segurança alimentar não podem ser negligenciadas”, defende a PRO TESTE.
| Pro Teste n.º 293 - Julho de 2008- págs 20 a 24|
16.06.2008
|