Um
inquérito a quase 5 mil portugueses mostra que os doentes
nem sempre seguem as
instruções do médico. Este problema
pode diminuir com uma melhor comunicação.
Para tal, convém preparar-se para a consulta.
Segundo o nosso
inquérito, 6% dos pacientes não tomam os
medicamentos receitados por não os
considerarem necessários, cerca de um quarto esquece-se de
tomá-los e 1 em cada
10 alterou, por sua iniciativa, a dose indicada pelo médico.
Alguns problemas
sentidos pelos doentes, como dificuldade em engolir os comprimidos ou
em abrir
as embalagens e sabor desagradável, também
contribuem para uma menor adesão ao
tratamento. Nestas situações, o melhor
é falar com o médico.
Vários estudos
têm
demonstrado que quanto melhor for a comunicação
entre o profissional de saúde e
o doente, maior o rigor com que este segue as
instruções de tratamento. Para
uma comunicação eficaz, é importante
preparar-se para a consulta.
Antes da
consulta
Aponte numa folha de papel o que pretende tratar na
consulta: motivo
principal, eventuais crenças ou
preocupações com o mesmo, outras
questões que
pretenda discutir e o que espera do médico (medicamentos,
análises, etc.).
Caso se trate de um problema de saúde,
especifique bem os sintomas. Indique
quando começaram, se pioram nalguma altura do dia ou quando
desenvolve alguma
tarefa e se já tomou medidas para resolvê-los.
Faça a lista dos medicamentos e outros produtos
que estiver a tomar, para
mostrar ao médico, ou leve consigo as caixas. Caso sofra de
alergia a algum
medicamento, não se esqueça de dizê-lo.
Convém, ainda, ir preparado para falar sobre a
sua história clínica
(doenças, cirurgias, etc.) e hábitos de vida,
como a alimentação, sono e
consumo de tabaco ou bebida alcoólicas, entre outros.
Na primeira consulta, leve também o boletim de
vacinas e os relatórios de
exames ou análises clínicas que tenha em seu
poder.
No gabinete
Comece por falar no que lhe parece mais importante. Tente
ser claro e
conciso, se necessário, recorrendo à
cábula que preparou em casa.
Não tenha receio de pedir
explicações, por exemplo, sobre os termos
técnicos.
Tome notas durante a conversa, nomeadamente, sobre os
cuidados a ter com
os medicamentos e o modo de tomá-los, pois é
frequente os doentes esquecerem
uma boa parte do que lhes foi dito.
Se o médico lhe receitar medicamentos, deve
saber porque e quando vai
tomá-los, bem como os respectivos efeitos
secundários. Se o esquema de toma não
lhe convier, pergunte se não há alternativas.
Certifique-se de que os medicamentos propostos
não interferem com outros
que esteja a tomar.
Pergunte se o tratamento exige cuidados especiais, como
não ingerir
bebidas alcoólicas ou certos alimentos, não
apanhar sol ou evitar conduzir.
Peça um contacto ao médico e o melhor
horário para fazê-lo, no caso de
surgir alguma dúvida.