Muitos portugueses usam as terapias alternativas e a medicina convencional em simultâneo para tratar um único problema. Mas nem sempre avisam ambas as partes, arriscando-se a prejudicar a saúde.
Tratar problemas específicos
Os portugueses ainda procuram pouco as terapias alternativas, quando comparados com os cidadãos de países como a Espanha, Bélgica e Itália. Ainda assim, não as vêem de forma divorciada da medicina convencional. As terapias alternativas não oferecem mais satisfação do que a medicina convencional. Frequentemente, são a segunda escolha de quem já teve uma experiência negativa com esta última. Por vezes, usam ambos os tipos de terapias simultaneamente, por pensarem que podem obter melhores resultados. Mas, em muitos casos, uma das partes não é posta ao corrente. No limite, podem ocorrer interacções entre medicamentos e outros produtos ou contradições entre linhas de tratamento, prejudicando a saúde. No geral, avisa-se só o terapeuta alternativo, o que demonstra receio em admitir perante o médico convencional o recurso a terapias alternativas.
Além disso, ao contrário do que costuma pensar-se, as terapias alternativas não são usadas para tratar uma grande variedade de problemas. Algumas, como a homeopatia, a fitoterapia e a naturopatia, têm um campo de aplicação vasto, no que toca as situações apresentadas ao médico de família. Mas a acupunctura, a osteopatia e a quiropatia têm aplicações muito mais limitadas, sobretudo direccionadas para os problemas do aparelho músculo-esquelético.
Reconhecer um bom terapeuta
As terapias alternativas não se adequam a todo o tipo de problemas. Não espere tratar doenças tão graves como o cancro ou a sida por esta via. Antes de escolher uma terapia, procure informar-se sobre o seu campo de aplicação. Para ter mais garantias, escolha sempre os terapeutas alternativos através das associações do ramo. Um terapeuta merecedor de confiança respeita as seguintes normas:
possui documentação referente à sua formação profissional e não se importa de responder a questões sobre o assunto;
afixa em lugar visível o horário de funcionamento do consultório;
procura saber se um médico já fez algum diagnóstico da doença e, em caso afirmativo, pede informações a esse respeito;
faz perguntas pormenorizadas sobre as queixas e as condições de vida e de trabalho do doente;
pergunta se e como os problemas foram tratados até à data;
examina atentamente o paciente e discute os resultados;
dá explicações sobre as formas de tratamento que pretende recomendar;
indica alternativas de tratamento e fundamenta a sua opção;
se conclui que o seu método não é o mais adequado, pode aconselhar, por exemplo, um tratamento convencional. Se esse tratamento já estiver a ser efectuado, o terapeuta sugere que o médico seja informado;
pede a opinião e o consentimento do doente antes de alterar um plano de tratamento previamente estabelecido;
troca impressões com o doente sobre os custos do tratamento.
Guia das terapias alternativas
Osteopatia: inventada nos Estados Unidos, defende que o corpo se pode auto-reparar e que o recurso a manipulações activa esta capacidade. Está sobretudo direccionada para os sistemas músculo-esquelético, crânio-sacral, visceral e dos líquidos. Visa recuperar o equilíbrio dos músculos, ossos e circulação sanguínea, para que o organismo possa debelar a doença.
Acupunctura: é uma disciplina da medicina tradicional chinesa, que passa pela inserção de agulhas em pontos específicos do corpo. O objectivo é provocar o relaxamento e a libertação de moléculas e hormonas, para mudar a percepção da dor e originar bem-estar. Permite desencadear reacções fisiológicas, como a vasodilatação e o relaxamento muscular.
Quiropatia ou quiroprática: desenvolvida nos Estados Unidos em finais dos anos 80, assenta no princípio de que o correcto funcionamento da coluna é essencial para o bem-estar do organismo. As alterações da posição das vértebras podem provocar a compressão dos nervos, causando dores e outros distúrbios. Defende que a manipulação da coluna, para colocar as vértebras na posição correcta, pode resolver problemas do sistema nervoso.
Fitoterapia: com raízes na Antiguidade, pretende elevar o uso de ervas e substâncias vegetais comuns na medicina popular à categoria de substâncias de síntese química, típicas da medicina moderna.
Homeopatia: desenvolvida na Alemanha em finais do séc. XVIII, baseia-se na chamada "lei dos semelhantes", segundo a qual uma substância que provoca um sintoma num indivíduo saudável também pode curá-lo, se administrada em doses muito diluídas. O fármaco é ainda agitado com energia. Segundo os homeopatas, esta acção mantém as propriedades do princípio activo, mesmo que a diluição seja muito elevada.