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Telemóveis sem radiações perigosas: medições para 15 modelos
Medimos a radiação emitida por 15 telemóveis e todos estão muito abaixo do limite legal. As pesquisas na área da saúde continuam.
A suspeita quanto aos malefícios para a saúde das radiações transmitidas pelos telemóveis, devido à proximidade do aparelho ao cérebro, prevalece entre os mais céticos. Oito anos após o nosso primeiro teste, que não acusou valores irregulares, voltamos a avaliar a situação. As nossas medições de SAR (sigla inglesa para a Taxa de Absorção Específica) revelam que os níveis de radiação detetados estão muito abaixo do limite máximo imposto pela União Europeia, situado nos 2 W/kg, com base nas recomendações da Comissão Internacional de Proteção das Radiações Não-ionizantes.
Com os telemóveis a emitir na potência máxima, o que só acontece quando o sinal de rede é fraco, registámos valores de SAR entre 0,14 e 0,47 W/kg. Já numa utilização muito mais frequente, com sinal razoável e o aparelho emitindo a um nível médio de potência, os valores baixam substancialmente e situam-se entre 0,011 e 0,083 W/kg. Estes valores aplicam-se apenas a medições na rede GSM e na frequência de 900 MHz.
Descobrimos uma diferença significativa entre os valores da Taxa de Absorção Específica na potência máxima, quando a rede é fraca, e para o nível médio, comuns numa utilização normal. Nenhum dos aparelhos é mau ou desaconselhável e estão longe de ser perigosos, à luz do conhecimento científico atual. Tanto na frequência de 1800 MHz, também usada na rede GSM, como na rede de terceira geração, os valores de SAR são bastante mais baixos. Sony Ericsson Xperia neo MT15i Blue Gradient, LG P350 e Apple iPhone 4S apresentaram os valores mais elevados, na potência máxima e no nível médio. Mas o Nokia X7-00, por exemplo, ostenta o quinto valor mais elevado na potência máxima, mas relativamente baixo na média.
Conclusão: a radiação a que estamos sujeitos é quase sempre muito inferior aos valores de SAR para a potência máxima (que também é o valor anunciado pelos fabricantes) e que, mesmo assim, está muito longe do que manda a lei.
Para tentar saber se telemóveis com valor de SAR baixo poderiam originar uma fraca qualidade de ligação com a estação de base, medimos a potência mínima de emissão daquela para cada aparelho garantir ainda uma comunicação aceitável e sem quebras. Além de tal não se verificar, a qualidade de ligação depende sobretudo da sensibilidade dos telemóveis. O Samsung Galaxy SII GT-I9100, o LG Optimus 3D e o BlackBerry 9900 Bold destacaram-se por exibirem antenas mais sensíveis nas várias direções de receção.
Efeitos na saúde ainda em averiguação
Pouco se sabe sobre os efeitos a curto e longo prazo ou da exposição à radiofrequência, por exemplo, do corpo inteiro ou só de uma parte. A radiação emitida pelas antenas das estações de base dos telemóveis é mais polémica e ainda suscita dúvidas, mas a distância a que se situam e a direcionalidade com que radiam faz com que o sinal chegue muito atenuado aos utilizadores que se encontram no seu raio de ação.
O uso do telemóvel deveria ser alvo de maior preocupação, dada a grande proximidade a que o aparelho está do utilizador. Os aparelhos emitem o mesmo tipo de radiações das antenas, mas concentradas na zona do ouvido e das têmporas, muito próximas de uma área extremamente sensível, o nosso cérebro.
De acordo com o conhecimento científico atual, usar telemóvel não é perigoso. Há normas de segurança a definir os valores máximos da Taxa de Absorção Específica para a exposição à radiação de antenas e para a oriunda de um telemóvel. A forma mais eficiente de se proteger e reduzir a exposição é manter o telemóvel longe da cabeça ou do corpo e recorrer ao modo altifalante ou a um auricular com ou sem fios (Bluetooth).
A energia absorvida pelo cérebro ao fazer uma chamada depende do nível de radiação do telemóvel, da qualidade do sinal de rede e até da anatomia da cabeça. Nas crianças, a deposição de energia radiofrequência é 2 vezes superior no cérebro e 10 vezes maior na medula óssea. O uso de auriculares reduz a exposição para menos de 10% face à utilização junto ao ouvido.