Raramente afecta a audição, mas a exposição a longo prazo ao ruído nocturno aumenta o risco de doenças do coração, hipertensão e desequilíbrios hormonais e psicológicos.
Deitar a 100 à hora
Durante o dia, o nosso organismo habitua-se ao ruído, com efeitos negativos fisiológicos e psicológicos, como alterações no ritmo cardíaco, irritabilidade, fadiga e stresse.
Para um sono reparador, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o ruído ambiente no quarto não ultrapasse os 30 decibéis. Mas um em cada cinco europeus está exposto a níveis elevados de ruído nocturno.
Mesmo a dormir, o corpo reage aos sons: pode não acordar com o barulho de um avião, mas a pressão sanguínea aumenta. À noite, aos picos de ruído pontuais, como um alarme, ou outro barulho contínuo, junta-se o chamado “efeito de memória”: em silêncio, o nosso sistema nervoso ainda está acelerado devido ao peso da energia sonora que teve de processar durante o dia.
Dificuldade em adormecer, acordar a meio da noite e redução de fases do sono importantes, como a do sono profundo, vital para a recuperação física, ou a dos sonhos, são as principais perturbações. A longo prazo, a exposição, sobretudo, nocturna, aumenta o risco de doenças do coração, hipertensão e desequilíbrios hormonais e psicológicos.
Volume muito alto entre quatro paredes
Para a OMS, a partir dos 50 decibéis, o ruído contínuo durante o dia incomoda. Num escritório em espaço aberto, com 10 pessoas, um sonómetro regista uma média de 57. Nos centros comerciais, a OMS considera que há risco auditivo, se estiver exposto a mais de 70 decibéis. Só nos corredores de uma grande superfície, as medições acusam 76 decibéis.
A partir de 75 dB, 8 horas por dia, pode haver danos significativos na audição nos próximos 40 anos, sem contar com as perdas por envelhecimento.
Armas para reclamar
Em zonas com casas, escolas e hospitais, entre outros, festas ou obras de construção são interditas entre as 20 e as 8 horas e aos sábados, domingos e feriados, excepto em situações pontuais de licença especial.
Para problemas com ruído de vizinhança, obras ou festas, contacte a polícia.
No caso de ruído de comércio, discotecas, oficinas ou de estradas camarárias, apresente reclamação na sua câmara municipal.
Para o barulho de tráfego rodoviário em estradas nacionais, itinerários principais, complementares e auto-estradas, exponha a queixa às Estradas de Portugal, S.A. (808 210 000) ou à concessionária da via.