A detecção precoce
é
uma arma essencial no combate contra o cancro. Mas os utentes devem
conhecer os
benefícios e os riscos de cada exame. Para tal, os
médicos devem fornecer
informações objectivas.
Mamografia é
decisiva
Todas as mulheres
entre os 50 e 69 anos devem fazer uma mamografia de dois em dois anos,
para se
prevenirem do cancro da mama. Muitos dos tumores encontrados
não irão
progredir, e por isso não constituem uma ameaça.
Trata-se sobretudo do chamado
“Carcinoma Ductal in situ” (CDIS), uma forma de
cancro que começa nos tecidos
dos ductos (canais de leite). Actualmente, estima-se que cerca de 20%
dos
cancros da mama detectados são CDIS e apenas um em
quatro terá uma evolução
perigosa. Mas, por precaução, todos os casos
costumam ser tratados.
Riscos do teste
do Papanicolau
O cancro do colo do
útero costuma desenvolver-se devagar e é
precedido de alterações nas células do
colo do útero. Por isso, o rastreio procura detectar essas
alterações. A
intervenção atempada poderá evitar a
evolução da doença. O exame corrente
é o
teste de Papanicolau que consiste em rapar células para
análise. Se o teste for
positivo, os próximos passos dependerão do grau
da anomalia das células. Alguns
estudos mostram que o rastreio leva a uma
diminuição do número de casos e da
mortalidade por cancro do colo do útero. Contudo,
há também intervenções
desnecessárias de remoção de
lesões que nunca teriam evoluído. Algumas das
possíveis complicações neste tipo de
tratamentos, como sangramentos ou
infecções, podem vir a dificultar uma posterior
gravidez ou aumentar o risco de
parto prematuro. De qualquer forma, o teste de Papanicolau é
útil para todas as
mulheres sexualmente activas dos 25 aos 65 anos, de três em
três anos.
Colonoscopia é
desagradável mas vantajosa
Se o cancro do
intestino grosso for detectado precocemente, as perspectivas
são bastante
optimistas. O exame mais utilizado é o da análise
das fezes para detectar a
presença de sangue oculto. Se este for positivo,
é feita uma colonoscopia (a
observação do intestino através de um
tubo comprido e flexível). Os tumores são
geralmente precedidos por pólipos, detectados pela
colonoscopia e
imediatamente retirados, reduzindo a probabilidade de
doença. Estudos mostram
que este rastreio pode reduzir a mortalidade por cancro do intestino,
por isso,
é aconselhado de dois em dois anos para homens e mulheres
com mais de 50 anos.
Apesar de ser desagradável e não estarem
excluídas complicações, a colonoscopia
parece ter mais vantagens do que desvantagens.
Efeitos
secundários do teste PSA
O sangue masculino
contém a proteína PSA (antigénio
específico da próstata). O elevado
índice
desta substância no sangue pode ser um indício de
cancro da próstata, mas também devido ao aumento
normal do volume da
próstata com o avançar da
idade do paciente. Este rastreio implica um grande risco de
sobrediagnóstico.
Muitos homens idosos têm uma cancro
“dormente”, que não constitui
ameaça de
vida. O sobrediagnóstico pode transformar pessoas
saudáveis em doentes, com os
respectivos efeitos secundários do tratamento, nomeadamente,
disfunção eréctil,
incontinência urinária, distúrbios
gastrointestinais, etc.