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São populares, mas não passam de “produtos milagrosos” sem fundamento científico credível. Denunciámos a situação à Direcção-Geral do Consumidor e ao Instituto Civil da Autodisciplina da Comunicação Comercial.
Vendidas na Internet ou em lojas de desporto, as pulseiras holográficas têm cada vez mais formatos: finas, largas, adesivos, pendentes ou cartões, entre 9,90 e 39,90 euros. Recorrem a uma linguagem pseudocientífica para ganhar adeptos. Reclamam-se capazes de estimular energia, equilíbrio, força e flexibilidade e a estratégia fatura.
Mas a falta de provas científicas dos benefícios e as queixas dos consumidores já levaram à condenação da marca noutros países. Na Austrália, a Power Balance foi obrigada a admitir publicamente que as pulseiras não funcionam e propôs-se re-embolsar os consumidores insatisfeitos. Em Espanha e Itália, os tribunais sentenciaram multas de milhares de euros, por publicidade enganosa. Por cá, pedimos a intervenção da Direcção-Geral do Consumidor e do Instituto Civil da Autodisciplina da Comunicação Comercial, ainda sem resposta.
A Direcção-Geral do Consumidor, responsável por fazer cumprir as regras da publicidade, deve aplicar penas exemplares a quem comercializa estas pulseiras, para dissuadir outros de vender “produtos milagrosos” lesivos dos interesses dos consumidores.

Algumas das pulseiras à venda: o preço varia bastante, entre 9,90 e 39,90, mas o efeito placebo é o mesmo.
“Produtos milagrosos” como tantos outros
A publicidade a estas pulseiras mistura afirmações corretas com outras sem fundamento. O corpo humano corresponde a um conjunto complexo de processos eletroquímicos gerador de energia, tal como afirmam. Mas não existe evidência científica de que as pulseiras melhorem “as funções metabólicas celulares” ou sejam “estimuladores naturais de energia”.
Como argumento decisivo, são apresentados testemunhos de clientes que exaltam os benefícios ou se deixam fotografar com as pulseiras, para transmitir confiança num artigo com preço elevado.
Todos estes elementos caracterizam aquilo que designamos por “produto milagroso”: materiais, substâncias, alimentos, cosméticos ou aparelhos que prometem, com base em afirmações não provadas, efeitos benéficos na saúde. Podem dizer-se eficazes em todo o tipo de transtornos e doenças, mas, na maioria dos casos, limitam-se a promessas sobre circunstâncias que dependem de uma perceção subjetiva, como a força, resistência, elasticidade, equilíbrio, energia, vigor ou humor.
Superpoderes só na publicidade
A marca mais conhecida é a Power Balance, mas não é a única e conta com muitas imitações. Aliás, estas pulseiras parecem um revivalismo das eletromagnéticas, que tanta popularidade alcançaram há alguns anos.
A diferença reside num holograma, que, segundo anunciam, concentra “as frequências da Natureza”. Trata-se de uma afirmação sem sentido. A holografia é uma técnica fotográfica que recria imagens tridimensionais. Não gera nem tem capacidade para armazenar “frequências”, conceito físico-matemático que mede o número de repetições de um fenómeno numa determinada unidade de tempo. Não importa: o objetivo é convencer sobre a eficácia do produto.
Alguns consumidores podem até sentir um efeito benéfico ao usar a pulseira holográfica. O poder da mente para mudar a perceção de um fenómeno com base na predisposição é surpreendente: esse, sim, está cientificamente provado. Mas o preço é demasiado elevado para um produto que não passa de um placebo. Não desperdice o seu dinheiro.
Última atualização em fevereiro de 2011
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