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A DECO PROTESTE visitou 48 ervanárias, parafarmácias, centros dietéticos e farmácias e concluiu que a maioria não garante o uso seguro de preparações à base de plantas e suplementos alimentares. Os resultados do estudo são publicados na edição de Outubro da TESTE SAÚDE.
A associação de consumidores enviou dois colaboradores anónimos aos locais. Um dizia sofrer de depressão e queria comprar hipericão, porque não sentia melhoras com o medicamento receitado pelo médico (Prozac). A outra estava grávida, com barriga bem visível, e pretendia um produto natural para ajudá-la a combater o cansaço, falta de memória e de apetite.
No primeiro cenário, a associação esperava que recusassem a venda, porque o hipericão tem interacções conhecidas com o antidepressivo. Só 23 estabelecimentos foram exemplares. Em 18, dispensaram hipericão ou outro produto que não devia ser tomado com Prozac. Em três, recomendaram o abandono do medicamento: evitaram o risco de interacções, mas assumiram o papel do médico.
No caso da grávida, apenas 19 estabelecimentos foram prudentes e nada venderam. Já na Companhia Natura, de Lisboa, dispensaram chá com uma substância capaz de reduzir a actividade uterina. Na Terra Pura, Ervanária Santo António, Farmácia Onilda (Lisboa) e Ervanária Flor de Belém forneceram produtos que, no rótulo, desaconselhavam a toma por grávidas ou recomendavam uma consulta médica prévia.
A DECO exige regras para a venda destes produtos, de modo a salvaguardar a saúde dos consumidores. Grande parte dos problemas deve-se à insuficiência da lei.
A associação reclama ainda um sistema de vigilância para os produtos, de modo a assegurar maior controlo da qualidade e segurança.
O Estado deve garantir o acesso a informação independente sobre os produtos, para que o consumidor possa escolher com conhecimento de causa.
Se mesmo assim comprar, é aconselhável ler o rótulo e contactar um profissional de saúde à mínima dúvida. “Natural não significa inócuo”.
18.09.2008
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