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Vacinas: precaução indispensável

15 Outubro 2014
Vacinas: precaução indispensável

A vacina contra infeções pelo Vírus do Papiloma Humano (HPV) passa a ser dada entre os 10 e os 13 anos. O Plano Nacional de Vacinação reduz as doses de três para duas.

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A vacina contra infeções por Vírus do Papiloma Humano (HPV) já pode ser dada a partir dos 10 anos. As raparigas dessa idade levam 2 doses com 6 meses de diferença. Antes, esta vacina era administrada aos 13 anos, num esquema de 3 doses.  

O plano vacinal já tinha sido atualizado no início de 2012:

Vacinar é seguro
Todos os anos, as vacinas salvam milhões no mundo inteiro. Protegem as crianças das doenças ditas “infantis”, que poderiam evoluir para problemas graves ou mortais.Com a vacinação, foram erradicadas doenças como a varíola, e outras estão em vias de ser eliminadas, como a poliomielite. 

O Programa Nacional de Vacinação infantil é cumprido quase à risca e tem-se revelado eficaz, segundo a Direção-Geral da Saúde. Portugal é um dos países com maior número de vacinas administradas, sobretudo em crianças. Para os adultos, o Programa Nacional de Vacinação apenas prevê a vacina contra o tétano, de 10 em 10 anos.

De vez em quando, surgem grupos de pressão antivacinas em alguns países, devido ao receio dos efeitos adversos. Na última década, reapareceram surtos de sarampo em crianças, por exemplo, nos EUA e no Reino Unido. As autoridades de saúde locais relacionaram o fenómeno com a recusa dos pais em vacinar os filhos, por acreditarem que poderia causar autismo. 

Optar pela vacinação é uma decisão individual com peso na sociedade. Vacinar a maioria da população cria imunidade de grupo: caso surja uma infeção, é mais difícil transmiti-la. Tal permite eliminar ou, pelo menos, controlar doenças. Quando poucos estão imunizados (vacinados), as doenças contagiosas espalham-se facilmente pela população.

Atenção a reações adversas 
Todas as vacinas podem provocar efeitos secundários. A maioria das vezes, trata-se de sintomas muito ligeiros, como inchaço no local da injeção, vermelhidão e febre. A solução passa por aplicar gelo e, se necessário, tomar um analgésico. 

As reações severas são muito raras e constituem uma emergência médica. Podem manifestar-se através de inchaço do rosto, dificuldade em respirar, pressão arterial baixa, prostração, arritmia e perda de consciência. Face a estes sintomas, marque o 112 ou dirija-se às urgências hospitalares. 

Só as vacinas com vírus vivos atenuados, como a BCG, podem causar alguma forma de doença, embora a probabilidade seja muito baixa. As inativadas contêm uma versão morta do organismo, pelo que são inofensivas. A imunização antigripal é um exemplo.


Programa Nacional de Vacinação

À nascença

BCG - vacina contra a tuberculose
VHB - vacina contra a hepatite B (1.ª dose)

2 meses

DTP - vacina contra a difteria, tétano e tosse convulsa (1.ª dose)
Hib - vacina contra as doenças causadas por Haemophilus influenzae tipo b (1.ª dose)
VIP - vacina contra a poliomielite (1.ª dose)
VHB (2.ª dose)

4 meses

DTP (2.ª dose)
Hib (2.ª dose)
VIP (2.ª dose)

6 meses

DTP (3.ª dose)
Hib (3.ª dose)
VIP (3.ª dose)
VHB (3.ª dose)

12 meses

VASPR – vacina contra o sarampo, parotidite e rubéola (1.ª dose)
MenC – vacina contra a doença meningocócica C

18 meses

DTP (reforço)
 Hib (reforço)

Dos 5 aos 6 anos

DTP (2.º reforço)
VIP (reforço)
VASPR (2.ª dose)

Dos 10 aos 13 anos

HPV – vacina contra doenças causadas pelo Vírus do Papiloma Humano (2 doses)
Td - vacina contra o tétano e difteria (reforço)

De 10 em 10 anos

Td (reforços)

Tuberculose

A BCG protege-nos contra a tuberculose, uma doença infecciosa causada pelo bacilo de Koch, que ataca sobretudo os pulmões, mas também pode afetar outros órgãos.

A vacina não confere proteção absoluta. Porém, é importante continuar a administrá-la, até porque a tuberculose voltou a atacar no nosso país: em 1998, houve, pelo menos, 2964 casos registados. Com a vacinação, a mortalidade e os casos graves decresceram.

Ao nível dos efeitos secundários, é comum a BCG deixar cicatriz no local da picada. Os gânglios por onde a vacina passa podem inchar até 54 semanas após a administração. Esta inflamação dura até 1 mês, mas não representa perigo. Em pessoas com problemas de imunidade ou para quem a vacina é contraindicada, pode surgir uma infeção (bêcêgite).

Hepatite B

É uma doença muito contagiosa que se transmite através do sangue, da saliva e do sémen. Manifesta-se, muitas vezes, por um amarelecimento da pele e dos olhos. Caso se torne crónica, a hepatite B pode degenerar em cirrose e multiplica por 2000 o risco de cancro do fígado. Em caso de hepatite fulminante, quase todas as células do fígado são destruídas e, em cada 4 doentes, 3 morrem.

A vacina da hepatite B é administrada a todos os recém-nascidos. Os adultos que ainda não foram vacinados, têm todo o interesse em fazê-lo (embora tenham de pagar a vacina), sobretudo se pertencerem a um grupo de risco (profissionais de saúde, bombeiros, etc.). Esta doença é muito contagiosa e não tem cura certa. Além disso, estudos provam que a vacina contribui para diminuir os casos de cancro do fígado.

Após a vacinação completa, não é necessário fazer análises para controlar o efeito desta, a não ser em grupos específicos de pessoas como os imunodeprimidos. Estudos recentes revelaram que a vacina confere uma proteção duradoura, mesmo quando os anticorpos no sangue ficam baixos, pelo que não se justifica fazer reforços na generalidade das pessoas.

A vacina contra a hepatite B pode provocar inchaço no local da injeção, febre, cansaço e dores de cabeça. Mas estes sintomas são passageiros.

Difteria, tétano e tosse convulsa

A difteria é provocada por uma bactéria e é contagiosa. Atualmente, quase não existe nos países ocidentais, mas ainda subsiste noutras regiões. Obstrução das vias respiratórias, problemas renais e inflamações do músculo cardíaco (miocardite) são algumas das suas consequências. Se for tratada a tempo, cura-se com facilidade.

O bacilo do tétano entra no organismo através das feridas, mesmo as menos graves. Pode produzir uma toxina muito perigosa, que ataca os nervos que controlam os músculos. Provoca paralisia dos músculos dos maxilares, da face, da nuca e das costas. Os espasmos da garganta e dos músculos respiratórios levam à morte por asfixia.

Neste caso, a vacinação deve ser feita durante toda a vida, a cada 10 anos. É importante não esquecer estes reforços. Os casos de tétano registados em Portugal nos últimos anos ocorreram em adultos, o que indicia algum descuido na vacinação.

A tosse convulsa é originada por uma bactéria, que ataca os brônquios e as vias respiratórias superiores. Manifesta-se por corrimento nasal, febre moderada e muita tosse, por vezes, acompanhados de vómitos. Os ataques de tosse são muito violentos e podem prolongar-se durante semanas e degenerar em bronquite, pneumonia ou em graves complicações respiratórias e nervosas.

A vacina da tosse convulsa pode provocar os efeitos secundários mais graves, embora pouco frequentes. Pode surgir febre superior a 40,5ºC nas 48 horas seguintes à vacinação, convulsões, com ou sem febre, no prazo de 3 dias, prostração intensa ou colapso, nas 6 horas seguintes, e inflamação no cérebro (encefalite), nos 7 dias após a vacinação.

Se a criança tiver um (ou mais) dos efeitos secundários indicados, deve consultar o médico. Nestes casos, normalmente, interrompe-se a vacinação contra a tosse convulsa, e administra-se apenas a vacina do tétano e da difteria (DT). Caso ocorra um surto de tosse convulsa ou a criança viaje para uma zona de risco, fale com o médico de família, para saber se deve voltar a vacinar. Os problemas neurológicos decorrentes da doença, como encefalites, são 10 vezes mais frequentes do que os que surgem em consequência da vacinação.

Doenças por haemophilus influenzae

O Programa Nacional de Vacinação inclui a vacina contra um tipo de meningite, a provocada pela bactéria haemophilus influenzae B. Esta doença contagiosa é particularmente peri­gosa para os bebés, estando na origem de infeções e surdez. Nalguns casos, pode ser fatal. Esta bactéria é também causa de outras doenças, como a infeção da epiglote, das articulações ou pneumonia.

A vacina previne infeções por aquela bactéria. O local da injeção pode inchar e a criança pode ter febre e erupções cutâneas.

Poliomielite

Esta doença infecciosa, também conhecida por paralisia infantil, é provocada por um vírus que ataca sobretudo as crianças. É transmitido por água ou alimentos contaminados.

O risco de contrair poliomielite diminuiu com as campanhas de vacinação massiva. Em Portugal, não há casos notificados desde 1988. Tendo em conta as graves sequelas da doença, é fundamental continuar a vacinar as crianças em todos os países. É a única forma de erradicar a doença.

A vacina é designada no boletim de vacinas por OPV (se for em gotas) ou IPV (injetável). Na vacina em gotas, o vírus pode ser expelido nas fezes, havendo um risco de uma pessoa não vacinada contrair a doença, quando mudar ou manusear as fraldas sujas (embora seja muito raro). A vacina injetável é composta por vírus inativados, com risco nulo.

Os efeitos adversos da vacina, em particular as complicações nervosas, são muito raros: 1 caso em cada 5 milhões de vacinações.

Doença meningocócica C

A bactéria Neisseria meningitidis ou meningococo pode causar doenças graves, como meningite e sépsis. Ataca com maior frequência as crianças e é transmitida por via respiratória. Manifesta-se por febre, mal-estar, prostração e erupção cutânea. A doença pode evoluir rapidamente e causar a morte ou deixar sequelas graves, como surdez ou problemas mentais.

A vacina é um meio eficaz de prevenção com poucos efeitos adversos. As crianças com menos de 2 anos reagem com choro, irritabilidade, alterações do sono, náuseas, diarreia, dor abdominal e vómitos. A partir desta idade, além da irritabilidade e sonolência, podem surgir dores de cabeça e nos membros.

Sarampo, papeira e rubéola

O sarampo pode originar inflamações no cérebro (encefalite) e nos pulmões (pneumonia). A vacina pode não prevenir o sarampo, mas reduz a sua gravidade e evita a encefalite. Pode causar febre (5 a 15% dos casos) e uma mancha passageira no local da picada.

A papeira caracteriza-se pela inflamação das glândulas, sobretudo das parótidas (salivares), e dos testículos. Manifesta-se através de dores de ouvidos e inchaço facial. A incidência da doença baixou entre 1987 (ano em que a vacina foi introduzida no Programa Nacional de Vacinação) e 1993, voltando a subir a partir de 1994, devido a uma alteração do vírus. Mesmo assim, é aconselhável continuar a vacinação. Nas crianças vacinadas, a papeira tem sido menos grave.

A rubéola quase não representa perigo para as crianças, mas se surgir durante a gravidez, o bebé pode nascer surdo, cego ou com problemas mentais. Com a vacina, protege-se a criança e evita-se que a grávida venha a contrair a doença, por contágio. As mulheres que pretendam engravidar devem verificar, através de uma análise ao sangue, se estão imunizadas contra a rubéola. Se não estiverem, convém vacinarem-se e não deverão engravidar nos três meses seguintes.

As vacinas contra o sarampo e a rubéola podem provocar febre, erupções cutâneas, tosse de curta duração e conjuntivites. Podem ainda surgir dores nas articulações, causadas pela vacina da rubéola e, em casos muito raros (um, num milhão de vacinações), meningites, originadas pela vacina da papeira.

Vírus do Papiloma Humano

Este vírus, também conhecido por HPV, é responsável por várias doenças, incluindo cancro no colo do útero, vagina, vulva, ânus e orofaringe. Transmite-se facilmente por contacto sexual.

Existem vários tipos de HPV. As vacinas existentes são específicas contra o HPV 16 e 18, responsáveis por 70% das lesões no colo do útero. Por isso, a melhor estratégia de combate às doenças inclui a vacina e o rastreio do cancro do colo do útero com citologia vaginal.

Os efeitos indesejáveis mais frequentes da vacina são febre, dor e comichão no local da picada. Este pode ainda ficar duro e vermelho.