Os alimentos podem aumentar ou reduzir a eficácia dos medicamentos orais e provocar efeitos indesejados. Confira os nossos conselhos, siga as indicações do médico e leia o folheto informativo.
Os alimentos podem potenciar ou reduzir os efeitos de um medicamento. As interações resultam, por vezes, num novo efeito adverso e são suscetíveis de mudar a forma como o organismo usa os nutrientes. Estes fenómenos são mais comuns com os medicamentos tomados por via oral, como comprimidos e cápsulas, que seguem o percurso dos alimentos.
O impacto das interações depende de vários fatores, como a idade, a alimentação, eventuais doenças e a quantidade de enzimas envolvidas no metabolismo (transformação) dos fármacos. Os idosos são mais sensíveis a estes efeitos cruzados: consomem mais medicamentos, sofrem alterações que reduzem as funções metabólicas e a capacidade de excretar as substâncias e nem sempre seguem uma alimentação equilibrada.
Mais eficazes com alimentos
Os anti-inflamatórios e os diuréticos devem ser tomados com alimentos, pois irritam o estômago.
Os betabloqueadores, para a hipertensão, também precisam da companhia da comida. De contrário, fazem baixar demasiado a pressão arterial.
Os antifúngicos, como o iatraconazol, funcionam melhor com alimentos. O posaconazol deve ser tomado 20 minutos após uma refeição. A griseofulvina tem mais eficácia com alimentos gordos.
Entre os antipsicóticos, substâncias para tratar a esquizofrenia, a ziprasideona deve ser acompanhada por alimentos. No caso de outros fármacos para estas patologias (aripiprazola, clozapina, olanzapina, etc.), é indiferente se o estômago está ou não vazio.
Os sedativos e os hipnóticos tanto podem ser tomados com a refeição como após.
O levodopa, para a doença de Parkinson, deve ser ingerido com comida e muita água, para favorecer a absorção.
Com o estômago vazio
Os inibidores da enzima de conversão da angiotensina, para a hipertensão, devem ser tomados 1 hora depois das refeições.
Já os glicósidos, usados no tratamento de arritmias cardíacas, são administrados 1 a 2 horas depois de comer.
De preferência, tome os inibidores da bomba de protões (para as úlceras), os antibióticos e os medicamentos para o hipotiroidismo com o estômago vazio ou, pelo menos, cerca de 1 hora antes de comer. Exceção: as cefalosporinas (antibióticos), que devem ser tomadas após a refeição.
Os medicamentos para a tuberculose podem ser ingeridos 1 hora antes ou 2 horas depois de comer.
Entre os fármacos contra a malária, a halofantrina não deve acompanhar gorduras, que aumentam muito a sua concentração e, assim, podem conduzir a um efeito tóxico. Tome a mefloquina logo depois da refeição.
Não ingira as substâncias contra infeções por parasitas com gorduras, pois podem causar um efeito tóxico.
Não misturar com bebidas alcoólicas
O álcool potencia a sonolência provocada pelos anti-histamínicos, usados contra as alergias.
A combinação de bebidas alcoólicas com analgésicos como o paracetamol danifica o fígado. Já em conjunto com os anti-inflamatórios, podem causar hemorragias no estômago.
Misturado com fármacos para controlar a dor (opioides), o álcool pode provocar coma ou a morte.
Em conjunto com os broncodilatadores, para tratar problemas respiratórios, podem surgir náuseas, vómitos, dores de cabeça e irritabilidade.
Com as estatinas, para o colesterol, aumenta o risco de danos no fígado.
O álcool aumenta a sonolência provocada pelos antidepressivos, antipsicóticos, ansiolíticos e medicamentos para a doença bipolar. Dependendo da dose, há risco de morte.
Combinados com a cafeína
Os broncodilatadores, para os problemas respiratórios, se tomados com café, podem causar náuseas, vómitos, dores de cabeça e situações de irritabilidade.
No caso dos antipsicóticos, para a esquizofrenia, aumenta a absorção da clozapina, o que pode dar origem a efeitos adversos (por exemplo, palpitações).
Em conjunto com antibióticos como a enoxacina, a ciprofloxacina ou a norfloxacina, faz disparar o nível de cafeína no organismo. Podem surgir palpitações, excitação, alucinações e tremores (efeitos típicos da cafeína).
Interações mais frequentes
Substância ativa
Produtos a evitar
Anti-inflamatórios
Bebidas alcoólicas
Alguns antibióticos (ciprofloxacina,
tetraciclinas e quinolonas)
Laticínios
Estatinas (colesterol)
Bebidas alcoólicas e toranja
Broncodilatadores (problemas respiratórios)
Bebidas alcoólicas e cafeína
Varfarinas (anticoagulantes do sangue)
Bebidas alcoólicas e alimentos ricos em vitamina K (espinafres,
brócolos, couve-de-bruxelas, etc.)
Ansiolíticos
Bebidas alcoólicas
Inibidores da enzima de conversão da angiotensina (hipertensão)
Alimentos ricos em potássio (banana, laranja, legumes, etc.)
Diuréticos
Alimentos em geral e, sobretudo, os ricos em potássio (banana, laranja, legumes, etc.)