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Taxas moderadoras: DECO reage aos aumentos na saúde

28 Dezembro 2011
Taxas moderadoras: DECO reage aos aumentos na saúde

Foram publicados os aumentos das taxas moderadoras nos serviços de saúde, que em vários casos são superiores a 100 por cento.

A DECO entende que alturas de exceção exigem medidas excecionais. No entanto, é essencial que o seu impacto prático seja devidamente fundamentado, porque as pessoas são mais do que um permanente contribuinte.

Taxas moderadoras aumentam para o dobro
Serviços Custo (€)
2012 2011
Atendimento não urgente
Consulta de medicina geral ou familiar ou outra consulta médica que não da especialidade 5
2,25
Consulta de enfermagem ou de outros profissionais nos cuidados de saúde primários 4
0
Consulta de enfermagem ou de outros profissionais nos hospitais
5
0
Consulta da especialidade
7,5
4,6
Consulta no domicílio
10
4,8
Consulta médica sem a presença do doente
3
0
Atendimento urgente (1)
Urgência polivalente (num hospital onde há articulação entre várias urgências, como pediatria, obstetrícia)
20
9,6
Urgência medico-cirúrgica
17,5
8,6
Urgência hospitalar básica
15
8,6
Serviço de atendimento permanente ou prolongado (SAP)
10
3,8

(1) O valor total a pagar pela consulta, vários exames e tratamentos não pode ultrapassar 50 euros.

Tendo em conta o quadro recessivo da economia portuguesa, as crescentes dificuldades da generalidade da classe média e o empobrecimento de uma larga fatia da população, os aumentos preconizados representam, pela sua dimensão, um claro obstáculo no recurso às unidades públicas de saúde.

A DECO entende que cada vez menos faz sentido falar de taxas moderadoras na verdadeira aceção da palavra. As medidas implementadas não demonstram intenção de moderar o consumo ou o acesso aos serviços de saúde, antes dificultam o acesso à Saúde a muitos portugueses.

A DECO teme que estes aumentos promovam o afastamento dos utentes em relação ao Serviço Nacional de Saúde, ao estarem concebidos numa lógica de cobrar tudo o que for possível. Esta poupança no imediato poderá acarretar maiores custos no futuro. O SNS tenderá a ser utilizado apenas em caso de doença instalada, obrigando a tratamentos mais dispendiosos, deixando a prevenção para segundo plano.

Lamentamos, ainda, que esteja em cima da mesa a possibilidade de estas taxas voltarem a aumentar por imposição da troika durante 2012. Portugal era, já em 2007, um dos países da Europa onde os consumidores mais pagavam do seu bolso pelo acesso à Saúde, de acordo com o relatório do Observatório Europeu dos Sistemas e Políticas de Saúde. Estes pagamentos diretos, alerta a Organização Mundial de Saúde (OMS) afastam os utentes dos sistemas de Saúde e são geradores de iniquidades.

Por isso, a DECO exige maior transparência na fundamentação das medidas apresentadas e dos seus impactos na saúde e no orçamento dos consumidores, bem como no equilíbrio do próprio sistema.


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