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Genéricos: poupança travada por atrasos da indústria

Quando a patente de um medicamento de marca expira, podem produzir-se genéricos. Mas estes demoram mais de 7 meses a chegar ao mercado.

Numa amostra de 219 medicamentos, se o genérico ficasse logo disponível, os consumidores poupariam 20% nas despesas. O atraso custou 3 mil milhões de euros a Portugal e aos restantes países da União Europeia. As conclusões são de um inquérito da Comissão Europeia (CE) sobre a concorrência no sector, divulgado no início de Julho, com a colaboração do Bureau Européen des Unions de Consommateurs, do qual a DECO faz parte.

O estudo confirma as suspeitas de diminuição de medicamentos inovadores e do atraso na entrada de genéricos no mercado. Em média, passou-se de 40 moléculas novas por ano, de 1995 a 1999, para 27, desde 2000. As farmacêuticas gastaram apenas 17% do seu orçamento em pesquisa e desenvolvimento, de 2000 a 2007, destaca o relatório da CE. Percentagem inferior à fatia dedicada a marketing e acções promocionais, de 23 por cento.

Tácticas para marcar passo
Segundo a CE, o atraso no lançamento de genéricos deve-se a várias estratégias das empresas para manter o monopólio dos seus medicamentos. Em fármacos com mais de mil milhões de euros de facturação anual, por exemplo, são frequentes patentes múltiplas, o que prolonga o prazo.

Os processos em tribunal contra genéricos são outra forma de ganhar tempo: em média, 2,8 anos. Entre as 700 acções da amostra do estudo da CE, a indústria de genéricos ganhou em 60% dos casos. Por vezes, estes fabricantes estabelecem acordos com as empresas de fármacos inovadores para não produzirem os seus genéricos.

A publicidade negativa junto das entidades reguladoras é outra táctica dos laboratórios que atrasa o aparecimento dos genéricos em cerca de 4 meses. Antes do lançamento, também é frequente a marca do medicamento original retirá-lo do mercado e introduzir um novo, pouco diferente do anterior. Desvia, assim, os pacientes que poderiam aderir ao genérico.

Quando são lançados, os genéricos são, em média, 25% mais baratos, ao nível europeu. Ao fim de 2 anos, a vantagem face ao preço inicial do medicamento original sobe para 40 por cento. Por concorrerem com preços mais competitivos, os genéricos promovem a descida do custo das marcas.

Exija o seu direito de opção
A poupança está ao alcance da sua carteira e contribui para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde, pago pelos impostos de todos. No consultório ou na farmácia, genérico ou marca, o importante é respeitar a sua vontade. Se tem dúvidas, peça ao seu médico para informá-lo de alternativas genéricas. Na farmácia, pode optar por um medicamento mais barato, a não ser que o médico não o autorize expressamente na receita.

  Última atualização em julho de 2009

 
 
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