Com extractos vegetais, essências, aloé vera, entre outros, os cosméticos apelam cada vez mais a alegações naturais. Mas, muitas vezes, não passa de estratégia para atrair os consumidores.
Embalagem verde, com a imagem de uma flor ou árvore, nome a remeter para algo relacionado com a Natureza, alegação natural e, por vezes, um suposto selo de certificação: é esta a receita de muitos fabricantes para se promoverem. Um produto à base de ingredientes naturais nem sempre é mais seguro e compatível com a pele, inclui propriedades especiais ou tem menor impacto ambiental.
Químicos escondidos
A lista de produtos é variada: gel de duche, champô e creme de rosto e corpo, à venda em hipermercados, lojas especializadas e dietéticas, perfumarias e por catálogo. As alegações naturais abundam, mas as provas na lista de ingredientes são bem menores.
Há cosméticos sobretudo com substâncias naturais e até provenientes da agricultura biológica. Excluem alguns conservantes, corantes e outros ingredientes de origem sintética. Alguns são certificados por entidades independentes. Mas também encontra produtos que aliam substâncias naturais a ingredientes sintéticos usados nos cosméticos tradicionais. Outros produtos incluem muitos ingredientes sintéticos e poucos naturais. E, com frequência, a concentração desses escassos ingredientes naturais é fraca.
Caçadores de mitos
Natural, biológico e orgânico não remetem para a mesma realidade. Um ingrediente natural pode ser proveniente da agricultura convencional. Já os orgânicos ou biológicos devem ser originários apenas da agricultura biológica. Ao contrário do que acontece com os produtos alimentares, não há legislação para determinar as características de um cosmético “natural” ou “biológico”.
Os produtos naturais nem sempre são tão agradáveis de aplicar nem têm um perfume atractivo. Podem ainda apresentar um prazo de validade inferior, pela ausência de conservantes. A probabilidade de contaminação microbiológica é, pois, superior.
Ao nível da tolerância na pele, substâncias naturais não são sinónimo de segurança e podem provocar alergias em alguns indivíduos. Muitos ingredientes identificados como alergénicos são de origem natural.
Dicas para escolher
Não há legislação que impeça os fabricantes de recorrerem a alegações naturais, ainda que os produtos tenham uma maioria de substâncias sintéticas. Por isso, deve dar menos importância à publicidade e ler com atenção a lista de ingredientes. Tão-pouco o facto de uma loja se dizer natural deve ser encarado como garantia.
Na lista de ingredientes, quanto mais nomes em latim, mais produtos naturais. Se estiverem no topo da lista, maior é a concentração.
Alguns nomes que não estão em latim correspondem a ingredientes úteis. Os mais comuns são o tocoferol (vitamina E), o pantenol (vitamina B5), o dióxido de titânio (filtro solar) e os glicosídeos (agentes de limpeza de origem natural).
Um ingrediente natural deve ter quantidades reduzidas de conservantes, como os parabenos. Mas uma pequena dose de etil ou metil parabeno pode ser admissível. Já outros são dispensáveis: BHT, BHA, triclosan (antimicrobianos), DMDM hydantoin, imidazolidinyl urea, diazolidinyl urea e sodium hydroxymethylglycinate (podem libertar formaldeído), petrolatum e paraffinum liquidum (derivados do petróleo), silicones (dimethicone, ethyl trisiloxane), polietilenoglicóis (PEG-8, PEG-100, etc.), corantes e perfumes químicos.