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"Não acredite em tudo o que lê! Especialmente quando se trata de mensagens alarmistas sobre assuntos de saúde que invadem a sua caixa de correio electrónico". O alerta é da revista TESTE SAÚDE, que, na última edição, desmistifica alguns desses e-mails.
Quem tem uma caixa de correio electrónico, provavelmente já recebeu mensagens que alegam que os desodorizantes causam cancro da mama, que o uso de tampões está associado ao cancro do útero ou que alguns champôs têm uma substância cancerígena. Este tipo de mensagens, também conhecidas pela designação inglesa “hoax”, utilizam frequentemente uma linguagem pseudocientífica, sem fundamentação credível e cheia de imprecisões. A motivação por trás destes fenómenos em cadeia não será, muitas vezes, despida de interesses. Por vezes, visa formar bases de dados de endereços electrónicos. Também podem esconder interesses comerciais. Outras vezes, são despoletadas por sentimentos de solidariedade ingénua (apelos para dar sangue a uma criança com leucemia). Ou trata-se apenas de uma brincadeira de gosto duvidoso.
Muitos destes rumores têm origem nos Estados Unidos e dão a volta ao Planeta, e há sempre alguém (de boa fé ou por malícia) que se dá ao trabalho de os traduzir, por vezes, com algumas adaptações à realidade do país. Veja-se o caso da mensagem dos champôs com substâncias cancerígenas. Nalguns países, vem assinada por um elemento da Universidade da Pensilvânia e, em Portugal, a tradução da mensagem inclui uma adaptação da autora, que passou a ter um nome português! E, muitas vezes, estes boatos usam abusivamente nomes e títulos profissionais para dar uma imagem de credibilidade. Por vezes, são pessoas que existem mesmo, como apurou a TESTE SAÚDE, no caso do alerta sobre desodorizantes que causam cancro da mama. Após o contacto com a suposta investigadora de uma universidade do Uruguai, esta respondeu que nada tem a ver com a mensagem e as alegações, sem fundamento, feitas em seu nome.
Conselho da revista da DECO: “perante boatos alarmistas de saúde, quebre a cadeia de "desinformação". Se conhecer a pessoa que lho enviou, explique-lhe do que se trata e não reencaminhe a mensagem. E se tiver dúvidas em relação à veracidade dos factos, pode fazer uma pesquisa num motor de busca estrangeiro. Quase sempre, antes de circular no nosso país, estes rumores já passaram por outros pontos do Planeta e já foram identificados como boatos sem qualquer fundamento”.
| Teste Saúde n.º 51 - Outubro/Novembro de 2004 - pág. 20 a 23 |
27.09.2004
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