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Autismo: sinais para agir rápido

Um filho autista não pode ser isolado. Apoiar desde cedo pode desenvolver capacidades, apesar da perturbação não ter cura.

Autismo: sinais para agir rápido

Fechados às emoções

Sem cura ou medicação específica, o autismo é uma das perturbações neurológicas mais complicadas. Só o apoio psicológico pode reabilitar algumas capacidades, como o convívio social e a autonomia nas tarefas básicas do dia-a-dia. Esta perturbação não pressupõe uma deficiência mental e muitos doentes têm um coeficiente de inteligência elevado.

Não se conhecem as causas, mas sabe-se que o autismo nasce com a criança. Em muitos casos, torna-se evidente antes dos 3 anos, se houver atraso na fala ou dificuldade em interagir com outras crianças. Os factores que podem estar relacionados são vários, desde a síndrome do X Frágil, uma anomalia caracterizada por atraso mental, face alongada e orelhas grandes ou salientes, à fenilcetonúria, incapacidade de metabolizar a fenilalanina. Uma infecção viral da mãe durante a gestação, como a rubéola, ou anomalias em certas funções cerebrais são outros factores ambientais que podem intervir.

Por vezes, o problema só é detectado quando a criança entra na escola, ao não interagir normalmente com os colegas. Até aos 5 anos, o comportamento autista acentua-se: não fala ou utiliza a “ecolália”, ou seja, repete palavras e frases. A linguagem pode surgir aos 5 e até aos 9 anos, mas não é utilizada para conversar e comunicar com sentido. Sem conseguir manifestar as suas necessidades, gritam ou arrancam dos outros o que querem.

No mundo das pessoas com autismo, tudo obedece a regras precisas e hábitos, dos horários à disposição do quarto. Podem também ter tiques e movimentos repetitivos, como rodar mãos e dedos. No casos mais graves, o toque de telefone ou de um tecido na pele podem ser insuportáveis. Os autistas são sensíveis a certos sons, texturas, sabores e cheiros, mas podem não sentir dor.

Atenção aos sintomas

Até aos 15 meses:

  • não olha quando falam para ele;
  • não procura os adultos para o agarrarem;
  • demonstra desinteresse em partilhar objectos e actividades;
  • não age por imitação, como sorrir em resposta;
  • não acena “adeus”;
  • parece não ouvir quando o chamam;
  • não responde a pedidos verbais simples;
  • ausência das primeiras palavras, como “mamã” e “papá”.

Até aos 18 meses:

  • não aponta para partes do corpo;
  • continua sem dizer palavras;
  • não imagina, nem brinca ao “faz-de-conta”;
  • não aponta para objectos;
  • sem resposta quando lhe apontam objectos.

Até aos 2 anos:

  • ainda não utiliza frases com duas palavras;
  • não imita as actividades caseiras;
  • mostra desinteresse nas outras crianças.

Estimular capacidades

Identificar cedo o autismo permite planear a educação da criança e ajudar a família a estimular o seu potencial. O médico de família ou pediatra ajudam a descodificar preocupações de pais ou educadores em relação aos sintomas. Aqueles podem reencaminhar para consultas de desenvolvimento ou de pedopsiquiatria nos hospitais e alguns centros de saúde.

As terapias utilizadas procuram que a criança melhore a sua comunicação e as relações com os outros. As pessoas com autismo aprendem melhor por visualização e apreciam rotinas. É frequente ensinar-se o uso da comunicação por figuras, por exemplo. Planear e dividir as tarefas em sequência facilita a adaptação aos ambientes novos.

Entre os 2 e 4 anos, a intervenção tem melhores resultados na inteligência e linguagem e consegue prever problemas de saúde associados, como os do sono, alimentares e epilepsia.

Nos casos mais ligeiros, a escola é um estímulo importante, desde que o autista seja acompanhado com técnicos especializados. Para perturbações mais profundas, existem residências, onde se ensina um ofício, como culinária, tecelagem, jardinagem ou até música.

 
 
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