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Dados contraditórios entre países, informação confusa, difícil de ler e desactualizada são as principais falhas encontradas pela DECO PROTESTE num estudo a 18 embalagens e folhetos informativos. Os resultados são divulgados na edição de Agosto da TESTE SAÚDE.
O estudo da associação de consumidores, também realizado em Espanha, Bélgica e Itália, aponta incoerências. Por exemplo, o folheto do Vicks Syrup, xarope para a tosse, desaconselha a sua utilização, sem supervisão médica, por crianças com menos de 12 anos, na Bélgica, menos de 6, em Portugal e menos de 2, em Itália e Espanha. O limite diário para a Aspirina é oito comprimidos de 500 mg, em Portugal, e de apenas seis, na Bélgica.
Ao nível nacional, os folhetos e embalagens, em geral, incluem a informação obrigatória, mas esquecem recomendações importantes. Por exemplo, a directiva europeia, já transposta, aconselha os fabricantes a indicarem a frequência das reacções adversas. Alguns dos folhetos já têm esta indicação, mas só um antibiótico (Augmentin) faz bem a separação por frequência, alerta a TESTE SAÚDE.
Alguns medicamentos apresentam o mesmo folheto para diversas dosagens e formas farmacêuticas (xarope, comprimidos, etc.), dificultando leitura. É o caso do anti-histamínico Zyrtec, em comprimidos e xarope.
A influência do álcool, segundo a associação de consumidores, deve constar em todos os folhetos, para que o doente saiba se pode ingeri-lo ou não. Apenas metade dos medicamentos analisados era acompanhada desta informação. A sua ausência na Gabapentina, para a epilepsia, é muito grave, dado que a interacção entre o álcool e o fármaco aumenta o risco de sonolência.
No Fastum, anti-inflamatório em gel, falta uma advertência importante: não apanhar sol, nem frequentar o solário durante o tratamento, por risco de reacções graves. Este efeito foi identificado depois de o fármaco estar à venda. Ao contrário do que sucedeu nos outros países do estudo, o folheto nacional não foi actualizado.
A DECO considera indispensável que os laboratórios e as autoridades que regulam o sector, nomeadamente o Infarmed, ao nível nacional, e a Agência Europeia do Medicamento (EMEA), na Europa, assegurem uma informação mais homogénea, clara e legível ao consumidor.
Aos laboratórios e à EMEA cabe garantir a mesma informação a todos os consumidores europeus, apostando na coerência dos folhetos, tanto ao nível da informação escrita, como dos símbolos e desenhos. Pouco usados no nosso país, estes facilitam a leitura e compreensão.
A lei deve tornar obrigatórios os testes de legibilidade dos folhetos e embalagens por um painel de consumidores, de preferência de vários estratos sociais, para garantir maiores níveis de compreensão.
Os laboratórios que vendem o mesmo medicamento em dosagens e formas farmacêuticas diferentes devem apresentar um folheto para cada uma, de modo a evitar confusões.
Os fármacos de venda livre devem indicar sempre a duração máxima do tratamento, sem supervisão médica.
Os medicamentos sujeitos a regras de aprovação particulares (homeopáticos, fitoterapêuticos, etc.) deveriam ter uma embalagem diferente, para serem facilmente reconhecidos pelos pacientes.
26.07.2007
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