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As incineradoras de resíduos urbanos que operam no nosso país (a Valorsul, em Lisboa, e a Lipor, no Porto) respeitam os limites estabelecidos pela União Europeia para as substâncias nocivas libertadas pelos fumos resultantes da queima do lixo (nomeadamente dioxinas e metais pesados). Entre continuar a despejar o lixo em aterros sanitários (que já estão a atingir o ponto de saturação em várias zonas do país) e incinerá-lo, não há dúvida de que a incineração é, pois, um mal menor.
Em todo o caso, a verdadeira solução para o problema do aumento
imparável dos resíduos produzidos deveria passar pela obrigatoriedade
de redução da quantidade de embalagem, por parte dos fabricantes
e embaladores e por políticas que incentivem a reutilização
e a reciclagem. É o que defende a revista Teste Saúde, na sua
edição de Janeiro de 2003.
Entre 1980 e 2000, a produção nacional de resíduos aumentou
cerca de 50% e, actualmente, cada português produz, em média, 1,2
kg de lixo por dia. Se pensarmos que, ao queimar os resíduos, as incineradoras
reduzem 90% do seu volume e 80% do seu peso, percebemos, rapidamente, a sua
vantagem sobre os aterros sanitários. Apesar destes factos, a queima
do lixo não deixa de ser uma actividade que contribui para o aumento
da carga de poluentes atmosféricos, lembra aquela revista da DECO. Além
disso, um terço dos resíduos que são incinerados poderiam
ser reciclados. Os objectivos da reciclagem estão, pois, bem longe de
serem atingidos.
O Ministério do Ambiente e as entidades gestoras de resíduos
deveriam intensificar as campanhas de sensibilização da população
para a separação dos resíduos e a sua colocação
nos ecopontos. A recolha selectiva porta a porta, como já acontece em
alguns municípios, constitui um exemplo de sucesso. Por que não
seguir este sistema noutras zonas do país?
Além destas medidas, as autoridades deveriam impedir que as empresas
incineradoras detenham, também, o pelouro da reciclagem nas zonas onde
actuam. Na verdade, esta situação constitui um conflito de interesses
susceptível de inviabilizar o sucesso da reciclagem, alerta a Teste
Saúde: o processo de incineração só é
rentável se forem queimados materiais combustíveis (essencialmente,
plástico, papel e cartão), não apresentando vantagens para
outros materiais como vidro e metal (muito menos para a matéria orgânica,
a qual possui elevado teor de humidade). O desejável sucesso de políticas
de redução de resíduos e incremento da reciclagem poderia
comprometer a viabilidade económica destas unidades incineradoras.
Se o Ministério do Ambiente nada fizer, em breve, teremos problemas
ambientais ainda mais graves pela sobrelotação dos aterros e pela
proliferação de novas incineradoras. Haja, pois, coragem política.
| Teste Saúde n.º 41 - Janeiro/Fevereiro de 2003 - Páginas 16 a 19 |
03.01.2003
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