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As medidas preventivas contra o VIH/sida não fazem parte dos comportamentos de rotina de muitos portugueses, que ainda revelam desconhecimento acerca da doença, das formas de transmissão do vírus e dos meios de prevenção. Eis as principais conclusões de um inquérito a mais de três mil pessoas realizado pela DECO/PRO TESTE, cujos resultados são publicados na edição de Fevereiro da TESTE SAÚDE.
Segundo aquela revista da DECO, mais de metade dos inquiridos diz nunca utilizar meios de prevenção contra a sida durante as relações sexuais e apenas cerca de um em cada seis afirma praticar sempre sexo protegido.
O preservativo masculino, o meio de prevenção contra a sida mais difundido, não é usado por cerca de 42% dos homens portugueses. E este não é um comportamento exclusivo dos que têm uma relação afectiva estável: em cada cinco pessoas que admitem ter vários parceiros sexuais, uma reconhece não recorrer ao preservativo.
Dos inquiridos neste estudo que já usaram preservativos, mais de metade sente-se pouco à vontade com os mesmos, 40% referem que é difícil encontrar um par que pratique sexo seguro e a mesma percentagem diz ter receio de que o seu parceiro não tenha prazer aquando da utilização do preservativo.
Outro factor dissuasor para utilizar o preservativo poderá ser o seu preço: 85% dos inquiridos pela DECO/PRO TESTE consideram estes produtos caros ou muito caros. Além disso, cerca de um quarto confessa sentir-se envergonhado ao comprar preservativos em público.
Quanto a conhecimentos sobre o VIH/sida e as suas formas de transmissão, de acordo com a TESTE SAÚDE, ainda há muitas ideias erradas na cabeça dos portugueses. Por exemplo, 44% dos inquiridos acreditam que o contágio é possível através da picada de um insecto e uma em cada cinco pessoas julga que pode contrair o vírus VIH ao sentar-se numa sanita de uma casa de banho pública.
As medidas a adoptar com vista à prevenção também parecem não ser claras para grande parte dos inquiridos. Em cada dez pessoas, sete pensam que usar dois preservativos ao mesmo tempo é mais seguro do que apenas um. Além disso, cerca de um quarto dos inquiridos acredita que o diafragma e o dispositivo intra-uterino, métodos utilizados na prevenção da gravidez, também protegem contra o VIH.
Este estudo revela ainda que 44% dos portugueses já fizeram, pelo menos uma vez, o teste para detectar o VIH. Entre as razões apontadas, além de questões de saúde, encontram-se a contratação de seguros e empréstimos bancários.
Outro dado preocupante, refere a TESTE SAÚDE, é o facto de 21% das pessoas que nunca fizeram o teste não saberem onde dirigir-se para efectuá-lo. De quatro países onde foi realizado este estudo (Portugal, Bélgica, Espanha e Itália), o nosso foi o que revelou maior desconhecimento neste domínio.
Dos inquiridos que realizaram o teste, apenas 5% recorreram aos Centros de Aconselhamento e Diagnóstico Precoce do VIH. Por isso, a associação de consumidores apela a uma maior divulgação destes serviços, que são gratuitos e existem de Norte a Sul do país.
Perante estes resultados, a DECO/PRO TESTE defende que o Estado, através da Comissão de Luta Contra a Sida e de outras organizações que têm desenvolvido trabalho nesta área, deve:
- continuar a apostar em campanhas sistemáticas de informação, em linguagem simples e clara, tendo em conta as questões onde ainda há dúvidas ou desconhecimento;
- empenhar-se mais em campanhas específicas, adequadas aos grupos com maior carência de informação nesta matéria;
- estudar as razões porque as pessoas informadas não usam meios preventivos e descobrir formas de convencê-las a fazê-lo;
- encontrar soluções para reduzir os custos dos preservativos e melhorar (ou aumentar) as vias de distribuição gratuita dos mesmos, sobretudo junto de quem tem menos possibilidade de adquiri-los, nomeadamente os adolescentes.
Quanto aos consumidores, a DECO/PRO TESTE aconselha a que tomem todas as precauções para evitar o contágio e que introduzam o tema VIH/sida nas discussões familiares. Em Portugal, há mais de 22 mil casos de VIH/sida notificados e as estimativas apontam para a existência de muitos mais (30 a 50 mil), sendo a situação mais preocupante do que no resto da União Europeia. Por isso, “todos temos obrigação de contribuir para limitar a sua propagação, quanto mais não seja tentando influenciar as pessoas mais próximas a adoptar comportamentos saudáveis”.
| Teste Saúde n.º 47 - Fevereiro/Março de 2004 - pág. 13 a 17 |
26.01.2004
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