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Pílula do dia seguinte: profissionais de saúde pecam por omissão

O atendimento proporcionado a quem procura a pílula do dia seguinte é deficiente. Muitas vezes, os pacientes não recebem informação acerca da forma tomar o medicamento, dos seus efeitos secundários e dos cuidados ter para garantir a sua máxima eficácia. Raros são, também, os profissionais que dão conselhos para prevenir a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis. Estas são as principais conclusões de um estudo realizado pela DECO/PRO TESTE, cujos resultados foram publicados na edição de Dezembro da TESTE SAÚDE.

A equipa da DECO/PRO TESTE fez 94 visitas anónimas a centros de saúde, hospitais, farmácias e outros serviços que prestam apoio no domínio da sexualidade e apenas conseguiu comprar a pílula do dia seguinte ou obter uma consulta em 77. Destes, 52 chumbaram no atendimento!

Ao contrário do que ditam as regras de boas práticas profissionais da Direcção-Geral da Saúde e da Ordem dos Farmacêuticos, a maioria dos profissionais de saúde não se preocupou em aconselhar a mulher acerca da forma de tomar o medicamento e que o deveria fazer o mais rapidamente possível, para uma maior eficácia.

Os efeitos secundários da pílula e as situações que exigem uma consulta médica apenas foram integralmente explicados no Centro de Saúde de Faro. Mais de metade dos profissionais não deu nenhuma indicação a este respeito.

No que se refere aos conselhos de prevenção da gravidez e das doenças sexualmente transmissíveis, só foram irrepreensíveis as consultas do Centro de Saúde da Foz do Douro (Porto) e da Associação para o Planeamento da Família de Faro.

Dos centros de saúde em que houve consulta, a maioria disponibilizou gratuitamente a pílula do dia seguinte, tal como manda a lei. Os centros de saúde Norton de Matos, de Coimbra, São João, de Lisboa e Carvalhosa, do Porto, e os hospitais não ofereceram o medicamento, mas tentaram remediar a situação, prescrevendo-o, para que fosse adquirido na farmácia.

Nas farmácias, seria de esperar que vendessem as pílulas não sujeitas a receita médica. No entanto, as farmácias Pombeiro e Confiança, do Porto, optaram por vender um medicamento sujeito a receita médica. Além de se tratar de uma situação ilegal, esta pílula apresenta maior risco de efeitos secundários, pelo que não será a mais adequada para tomar em auto-medicação , refere a TESTE SAÚDE.

De acordo com aquela revista de consumidores, nos centros de saúde e hospitais, por vezes, as mulheres que procuram a pílula do dia seguinte nem conseguem consultar um profissional de saúde, porque os funcionários administrativos não sabem qual o serviço para que devem enviá-las, obrigam-nas a andar pelos corredores à procura do enfermeiro de serviço ou, simplesmente, barram-lhes a entrada.

Perante falhas tão graves no atendimento às mulheres que procuram a pílula, a DECO/PRO TESTE considera imprescindível que o Ministério da Saúde tome o assunto em mãos e insista em campanhas de informação/formação junto dos seus funcionários, incluindo os administrativos, para que a lei e as orientações existentes sejam postas em prática.

Quanto às farmácias, diz a TESTE SAÚDE, ao contrário do que foi verificado no estudo, deveriam ter sempre disponível a pílula do dia seguinte e acompanhar a venda com as informações necessárias. A entrega de um pequeno questionário anónimo, a preencher pela mulher no momento, o recurso a informações escritas ou a um gabinete mais reservado da farmácia podem ser a solução para a falta de privacidade existente aos balcões.

O fundamental, reforça aquela revista, é que nenhum profissional de saúde se demita da sua função educativa no domínio da sexualidade e não desperdice as ocasiões em que são os próprios pacientes a procurá-los.

| Teste Saúde n.º 46 - Dezembro de 2003/Janeiro de 2004 - pág. 9 a 13 |

24.11.2003

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