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Metade dos portugueses dorme mal

O stresse e os problemas no trabalho são os principais culpados pelas noites mal passadas. Resultado: excesso de sonolência, o que afecta a saúde, bem como a segurança, tanto em casa, como no trabalho e… na estrada! Eis a principal conclusão de um inquérito da DECO/PRO TESTE, publicado na TESTE SAÚDE de Outubro.

Os dados do estudo mostram que dormir sete a oito horas é a duração de sono que melhor se relaciona com uma boa qualidade de vida, saúde física e mental, e menos sonolência. Quem dorme menos de seis horas por noite refere que esta duração do sono não permite “recarregar as baterias”. Principais factores que parecem prejudicar o sono: ansiedade, stresse, depressão, problemas no trabalho e preocupações familiares. Os problemas físicos (doença, dor), os filhos pequenos e o facto de o parceiro ressonar são outros factores muito citados.

Repercussões para o resto do dia, depois de uma noite mal passada: pelo menos, três em cada quatro portugueses referem sentir-se com mau aspecto, sonolentos, com dores de cabeça ou cabeça pesada, problemas de concentração, reflexos diminuídos e irritabilidade. A saúde mental e a vitalidade foram os aspectos da qualidade de vida mais afectados.

A questão torna-se preocupante quando a sonolência (que afecta o quotidiano de mais de metade dos portugueses) atinge níveis que podem pôr em causa a segurança do próprio ou dos que o rodeiam. Um em cada cinco inquiridos afirmaram acontecer-lhes com alguma frequência estarem tão sonolentos que seria possível adormecerem… ao volante!

Mais de um quarto dos portugueses ressonam alto. Muitas pessoas pensam, erradamente, que ressonar é um sinal de que se está a dormir profundamente. Pelo contrário, ressonar afecta sempre a qualidade do sono. Ressonar alto e acordar várias vezes durante a noite, em sobressalto, com falta de ar, podem indiciar que a pessoa sofre de apneia do sono, um problema de saúde que pode ser grave e precisa de tratamento.

Se sentir alguma alteração nos seus hábitos de sono, não deixe que a situação se arraste. A TESTE SAÚDE enumera algumas medidas simples: não tome medicamentos para dormir por sua iniciativa; mantenha um horário regular de sono; pratique exercício físico regularmente, mas não perto da hora de se deitar; evite o consumo de cafeína, sobretudo nas seis horas antes de ir dormir; não fume, evite bebidas alcoólicas, bem como refeições pesadas antes de se deitar. Não tente forçar o sono. Se não consegue adormecer, levante-se e procure fazer uma actividade relaxante, como ler, até que o sono chegue.

Se estas medidas não forem suficientes, é aconselhável ir ao médico. Também é indicado consultar um médico se se sente sistematicamente sonolento e cansado; ressona e sente que isso o afecta (sonolência, cansaço crónico, falhas de concentração e de memória, irritabilidade, etc.); ressona e sofre de alguma doença cardiovascular; adormece facilmente em eventos sociais ou sente muita sonolência ao volante. Comece por consultar o seu médico de família. Discuta com ele sobre a possibilidade de este o encaminhar para uma consulta do sono. Alguns hospitais têm consultas especializadas, mas as listas de espera são intermináveis…

Tendo em conta que as perturbações do sono são um verdadeiro problema de saúde pública, não se percebe a falta de acessibilidade a cuidados de saúde específicos para tratar problemas do sono, no Sistema Nacional de Saúde”, denuncia esta revista da DECO. Além disso, o Ministério da Saúde e da Educação deveriam promover campanhas de informação, dirigidas a grupos específicos, sobre a importância do sono e os efeitos da sua privação, nomeadamente sobre a condução, os riscos da automedicação, os bons hábitos do sono e os sinais de alerta. A informação é o primeiro passo para adoptar hábitos saudáveis.

| Teste Saúde n.º 51 - Outubro/Novembro de 2004 - pág. 9 a 13 |

27.09.2004

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