O cancro do sistema
linfático atinge, todos os anos, cerca de três mil
portugueses. Detectar e
tratar numa fase inicial pode salvar mais de 90% dos doentes.
Os linfomas são cancros que afectam o sistema
linfático,
responsável pelas defesas do
organismo. Atingem, anualmente, cerca de três mil
portugueses, sendo a quinta
causa de morte por cancro e a terceira doença maligna mais
frequente nas
crianças.
Como atinge o sistema
imunitário, o paciente começa a ter queixas, como
gânglios inchados, problemas
no baço ou outros órgãos implicados
nas defesas do organismo.
Na maioria dos casos,
o inchaço dos gânglios é causado por
uma infecção benigna como
gripe, otites, abcesso num dente ou um
furúnculo.
É uma reacção normal do
sistema imunitário perante vírus ou
bactérias. Pode também tratar-se de uma
doença como mononucleose, toxoplasmose, artrite
reumatóide ou lúpus. Em apenas
1% dos pacientes com gânglios inchados se acaba por
diagnosticar um linfoma.
Os linfomas têm vindo
a aumentar nas últimas décadas nos
países desenvolvidos e Portugal não foge
à
regra. Existem hoje múltiplas formas de tratamento e a
maioria dos pacientes
sobrevive. Por este motivo, é importante conhecer a
doença e ir ao médico
quando surgem os primeiros sinais.
Sinais de
alarme
Gânglios inchados há
mais de 2 semanas ou que aumentam.
Nas crianças,
gânglios na zona das clavículas, na cova do
cotovelo ou atrás do joelho.
Área dos gânglios
avermelhada e quente.
Gânglios rijos,
fixos e irregulares.
Suores nocturnos.
Cansaço.
Perda de peso
inexplicada.
Acabar com
dúvidas
Traçar o diagnóstico
correcto e identificar o tipo de linfoma é decisivo para a
escolha do
tratamento adequado.
O médico avalia cada caso, tendo em
conta os sintomas, idade do
paciente, localização
dos gânglios, duração do
inchaço e o facto de ser uma situação
generalizada
ou localizada. Os gânglios inchados na zona das
clavículas são os mais
preocupantes e devem ser analisados, sobretudo nas crianças.
Se o médico não
encontrar uma causa evidente para o inchaço dos
gânglios ou suspeitar de que
possa estar relacionado com uma doença grave, pode pedir
exames de diagnóstico.
Análises ao sangue, testes ao HIV (em caso de
gânglios generalizados) e a
pesquisa de mononucleose são os testes mais recomendados.
Pode ainda pedir um
raio-X, TAC ou ressonância
magnética da
área onde estão localizados os
gânglios inchados.
Mas a biopsia de um
gânglio linfático é o único
exame para um diagnóstico
conclusivo.
Se a biopsia revelar
um linfoma, tem de sujeitar-se a mais exames (TAC,
ressonância magnética) para
analisar o tipo de tumor e definir o estado da
doença. Perante alguns sintomas
(por exemplo, anemia), pode ser necessário fazer uma biopsia
da medula óssea.
Falar com o
médico
Com sintomas
suspeitos de linfoma convém ir ao médico
sem tardar. A maioria tem cura, quando detectada numa fase inicial.
Mesmo em casos
avançados, a probabilidade de cura é elevada.
Os tratamentos podem
causar infertilidade, pelo que os jovens devem falar com o
médico sobre as
soluções que existem para mais tarde poderem ter
filhos. A congelação de esperma
ou óvulos é praticada na maioria dos centros de
infertilidade.
Receber a notícia de
que se sofre de um linfoma é um choque para o paciente
e familiares.
Alguns doentes precisam de desabafar e partilhar
experiências. As associações
de doentes ou as consultas de apoio psicológico nos
hospitais do Instituto
Português de Oncologia podem ser uma boa ajuda.
No final dos
tratamentos, o doente deve continuar a ser seguido e fazer
periodicamente
exames (análises, TAC, ressonância
magnética). Mesmo que a resposta aos
tratamentos tenha sido positiva, a maioria das recaídas
ocorre nos dois
primeiros anos. É importante informar o médico
sobre eventuais sintomas
(cansaço, fraqueza muscular, problemas digestivos). Muitas
vezes, estes são
ainda efeitos secundários dos tratamentos, que se podem
prolongar durante meses
ou anos.