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O panorama dos depósitos e dos Certificados de Aforro não aqueceu ao longo do Verão. Pelo contrário, desde há alguns meses que praticamente não surgem novidades de peso nas taxas de juro destas aplicações. Por seu turno, as principais Bolsas mundiais estiveram agitadas com a escalada do preço do barril de petróleo e a revisão em baixa das perspectivas económicas nos Estados Unidos.
Rendimento Garantido: Taxa dos Certificados desce para 1,5%. Os bancos mantêm as mesmas taxas nos depósitos há vários meses. Apesar de um ligeiro recuo, a taxa base dos Certificados de Aforro permanece no mesmo intervalo (entre 1,5 e 1,6%) há mais de um ano!
Taxas de câmbio: Dúvidas sobre a retoma. As taxas de juro de longo prazo têm recuado devido ao ressurgimento de dúvidas quanto à sustentabilidade da retoma económica. Por seu lado, os mercados cambiais têm sido pautados por uma relativa estabilidade nos últimos meses.
Mercados bolsistas: Alta do petróleo e economia pressionaram. A escalada do preço do barril de petróleo e a revisão em baixa das perspectivas económicas nos Estados Unidos pesaram sobre as Bolsas mundiais durante o Verão. Em Agosto, a praça lisboeta recuou 0,2%.
Rendimento Garantido
Há mais de um ano que a taxa base líquida dos Certificados de Aforro se situa entre 1,5% e 1,6%, mais precisamente desde Julho de 2003. Foi precisamente nesse mês que o Banco Central Europeu efectuou a última alteração na taxa directora da zona euro, passando de 2,5% para 2%. Até à data não houve qualquer alteração. O cálculo da taxa base dos Certificados baseia-se na Euribor (três e doze meses) e traduz a evolução das taxas de curto prazo do mercado.
Um dos aspectos mais interessantes deste produto é o prémio de permanência semestral de 0,2% líquido após os primeiros seis meses e até ao máximo de 1,6% (atingido no início do quinto ano). Quem já tem Certificados de Aforro há mais de quatro anos, goza actualmente do prémio de permanência máximo acrescido à taxa base, totalizando uma remuneração líquida de 3,1%.
Os depósitos estagnados. Os depósitos a prazo continuam sem registar alterações significativas. Há vários meses que a taxa média de um depósito de €5.000 a um ano é de 1%. Os melhores depósitos encontram-se na banca online para prazos inferiores a seis meses: BNC NetPrazo (2,1%) a um mês, o Super Depósito da Bigonline (3%) a três meses. E na banca tradicional para prazos compreendidos entre seis a doze meses: BPN Global 3% que rende 2,4% líquidos. A desvantagem desta conta é exigir um mínimo muito elevado (€50.000). Se não tem um montante tão elevado, opte pelo Depósito Ouro (2%) ou o Imoprazo (1,9%), ambos do Banco Nacional de Crédito.
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Certificados de Aforro |
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Taxa base (1) |
Prémio de permanência (2) |
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1,5 % |
0,2 % |
Fonte: Poupança Quinze (1) Taxa anual nominal líquida garantida por três meses, para os Certificados subscritos em Setembro de 2004 ou que iniciem um novo período de contagem de juros. (2) Taxa anual líquida a adicionar, por cada semestre decorrido, à taxa base, com início no segundo semestre e até um máximo de 1,6%.
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Depósitos a Prazo (1) |
|
Taxa média (2) |
Melhor taxa (3) |
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1 % |
1,9 % |
Fonte: Poupança Quinze (1) Taxas anuais nominais líquidas para remunerar um depósito de 5 000 euros a um ano. (2) Média das taxas indicativas praticadas pelos bancos em 31/08/04. (3) BNC (Imoprazo).
Câmbios, Inflação e Taxas de Juro
O período estival foi pouco tranquilo para a economia mundial, que não confirmou o bom desempenho obtido na Primavera. Entre outros, podemos destacar dois elementos determinantes para este cenário. Por um lado, o preço do barril de petróleo atingiu novos máximos. Uma subida que provoca um importante acréscimo de custos nas empresas, gera mais despesas para as famílias e atinge a moral e o bolso de consumidores e investidores.
Por outro lado, a permanente incerteza no mercado de trabalho pesa sobre a confiança dos consumidores. Os mercados inquietam-se, sobretudo, com o abrandamento da procura norte-americana. Apesar do regresso em força do consumo na França e do bom desempenho do Japão no início do ano, nenhum mercado parece poder substituir o papel de locomotiva que é assegurado pelos Estados Unidos, caso a procura venha a enfraquecer neste país. A vitalidade económica mundial está agora, mais do que nunca, dependente do consumidor americano.
As crescentes dúvidas levaram a que temida subida das taxas de juro não se concretizasse. É verdade que as taxas de curto prazo subiram nos Estados Unidos e no Reino Unido mas, um pouco por todo o lado, as taxas de longo prazo foram recuando para os níveis registados no início do ano, à medida que aumentava a incerteza sobre a sustentação da retoma económica. Actualmente, a Poupança Quinze desaconselha o investimento em obrigações com maturidades muito longas.
O abrandamento da economia mundial, e da americana em particular, também atingiu o mercado cambial. A queda esperada do euro face ao dólar americano não aconteceu e a divisa europeia aproveitou a incerteza nos mercados para estabilizar em torno de 1,20 e 1,22 dólares. Quanto ao iene, este encontra-se agora próximo de seu valor teórico face ao euro, porém obrigações e as acções nipónicas permanecem pouco interessantes. Apesar destes factos, a realidade é que os últimos meses têm sido pautados por uma relativa estabilidade cambial.
| Câmbios
em 31/08/04 |
| Cód. ISO |
Moeda |
Câmbio
em euros |
Variação face ao euro
(em %) |
Flutuações |
Perspectivas (1) |
| 1 mês |
1 ano |
1 ano |
Longo prazo |
| GBP |
Libra
esterlina |
1.4802 |
-2.0 |
2.7 |
Moderadas |
- |
- |
| CHF |
Franco suíço |
0.6489 |
-0.1 |
-0.2 |
Reduzidas |
= |
+ |
| DKK |
Coroa dinamarquesa |
0.1344 |
0.0 |
-0.2 |
Reduzidas |
= |
= |
| SEK |
Coroa sueca |
0.1095 |
1.2 |
0.5 |
Moderadas |
+ |
++ |
| NOK |
Coroa norueguesa |
0.1191 |
0.4 |
-2.0 |
Moderadas |
= |
- |
| USD |
Dólar americano |
0.8228 |
-0.9 |
-9.7 |
Elevadas |
+ |
+ |
| CAD |
Dólar
canadiano |
0.6245 |
-0.1 |
-4.9 |
Elevadas |
+ |
++ |
| AUD |
Dólar australiano |
0.5810 |
-0.1 |
-1.5 |
Elevadas |
+ |
+ |
| JPY |
Iene
japonês (100) |
0.7497 |
0.6 |
-4.0 |
Elevadas |
= |
+ |
Fonte: Poupança Quinze
(1) -- forte depreciação; - ligeira depreciação;
= estável; + ligeira apreciação; ++ forte apreciação.
| Taxas em 31/08/04 |
| Cód.
ISO |
Inflação
(1) |
Taxas
de juro a 3 meses |
Taxas
de juro a 10 anos |
| (%) |
Mês |
Valor
em (%) |
Tendência
(2) |
Valor
em (%) |
Tendência
(2) |
| EUR |
2.3 |
Jul |
2.12 |
= |
3.93 |
+ |
| GBP |
1.4 |
Jul |
4.88 |
+ |
4.93 |
+ |
| CHF |
0.9 |
Jul |
0.58 |
+ |
2.51 |
= |
| USD |
3.0 |
Jul |
1.75 |
+ |
4.00 |
+ |
| CAD |
1.9 |
Jul |
2.30 |
+ |
4.53 |
+ |
| AUD |
2.5 |
Jun |
5.58 |
= |
5.53 |
+ |
| JPY |
-0.2 |
Jul |
-0.02 |
= |
1.27 |
= |
Fonte: Poupança Quinze (1) Variação dos preços face ao mesmo
mês do ano anterior. (2) - diminuição; = estável;
+ subida.
Mercados bolsistas
Apesar de globalmente, as empresas terem divulgado para o segundo trimestre resultados superiores às expectativas, os meses de Julho e Agosto não foram brilhantes para as Bolsas. Primeiro, devido à subida galopante do preço do barril de petróleo. Entre as diversas razões por detrás deste forte aumento está, desde logo, um acréscimo da procura por parte sobretudo da China e dos Estados Unidos. Além disso, receia-se que possa vir a ocorrer uma penúria do lado da oferta, face ao lento recomeço da produção no Iraque, à possível falência do maior produtor russo, a Yukos e às diversas tensões geopolíticas (Venezuela, Nigéria…). Depois, continuam a persistir algumas incertezas sobre a retoma económica. Na Europa, assiste-se a uma muito tímida recuperação da Alemanha, enquanto nos Estados Unidos, após o bom comportamento no quarto trimestre de 2003 e no primeiro trimestre de 2004, os indicadores económicos dão agora alguns sinais contrários, com a confiança dos consumidores a ficar abaixo do esperado.
Neste contexto, a maioria das Bolsas ocidentais evoluíram em baixa. Em Agosto, Frankfurt liderou as quedas ao recuar 2,5%, enquanto Londres e Paris registaram perdas de 0,8% cada. Ao nível sectorial, para além das empresas petrolíferas, somente os valores mais defensivos, como as farmacêuticas e as empresas de serviços públicos, alcançaram ganhos durante o Verão. Ao invés, os títulos tecnológicos sofreram perdas acentuadas, apesar das boas notícias ao nível dos resultados, do anúncio da Microsoft de distribuição de um dividendo excepcional aos seus accionistas e da introdução em Bolsa do Google. Na origem, estiveram então diversos comentários negativos efectuados por alguns dos protagonistas deste sector, como a ST Microelectronics, a Intel, a Nokia e a Phillips, que se mostraram pessimistas para os próximos trimestres.
Na Euronext Lisboa realce para o lançamento da OPA da Semapa sobre a Portucel a 1,55 euros por acção, que começou no dia 18 de Agosto e termina a 28 de Setembro. Dado que a cotação ajustou ao valor da contrapartida oferecida, pode vender a acção em Bolsa. Nos mais e menos do mês, destaque pela positiva para as subidas da Novabase (+4,4%) e da Brisa (+2,7%), cujos resultados semestrais excederam ligeiramente as expectativas. Impulsionada pela boa evolução dos lucros a concessionária de auto-estradas alcançou recentemente um novo máximo histórico. Pela negativa, o BPI foi o título mais penalizado ao ceder 5,6%.
Alguns dos pesos pesados reservaram para Setembro a divulgação dos seus resultados, que terá de ocorrer até ao final do mês, e que continuarão a ser analisados pelo boletim financeiro Poupança Acções.
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Bolsas em 31/08/04
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Bolsa (1)
|
Evolução no último mês (2)
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Evolução nos últimos doze meses (2)
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Índice de sobre/sub valorização (3)
|
Price/Earnings médio do último exercício (4)
|
Price/Earnings médio do exercício em curso (4)
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|
Euronext Lisboa
|
-0.2%
|
18.6%
|
-0.4
|
21.9
|
15.2
|
|
Eurnonext Amesterdão
|
-0.9%
|
5.0%
|
0.1
|
16.6
|
11.4
|
|
Euronext Bruxelas
|
3.9%
|
29.9%
|
-0.3
|
15.2
|
11.4
|
|
Euronext Paris
|
-0.8%
|
14.1%
|
0.6
|
31.6
|
14.7
|
|
Frankfurt
|
-2.5%
|
8.0%
|
1.0
|
36.2
|
14.6
|
|
Londres
|
-0.8%
|
13.9%
|
-0.6
|
22.5
|
17.6
|
|
Madrid
|
-0.2%
|
15.2%
|
-0.1
|
17.1
|
15.0
|
|
Milão
|
-1.2%
|
14.2%
|
0.0
|
21.2
|
16.7
|
|
Nova Iorque
|
-0.6%
|
0.5%
|
0.2
|
20.6
|
16.9
|
|
Sidney
|
0.5%
|
12.5%
|
-0.6
|
n.d.
|
n.d.
|
|
Tóquio
|
-0.3%
|
10.1%
|
1.6
|
n.d.
|
n.d.
|
|
Zurique
|
-1.5%
|
9.8%
|
-0.1
|
19.2
|
15.2
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Fonte: Poupança Acções (1) Índices Datastream, excepto Lisboa (PSI-20). (2) Em euros. (3) Um valor do índice inferior a –0,5 indica que a bolsa está subvalorizada, entre –0,5 e 0,5 que está a um nível correcto e mais de 0,5 que está sobrevalorizada. Este índice considera as taxas de juro de longo prazo, a taxa de câmbio e o risco associado a cada Bolsa. (4) Cotação/Lucros correntes (sem elementos excepcionais). n.d. = não disponível.
09.09.2004
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