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O presidente executivo pode receber 100 vezes mais do que o vencimento médio da empresa que lidera. Esta disparidade é excessiva num período em que o corte de despesas é essencial.
O salário do presidente da Comissão Executiva das empresas nacionais (inclui fixo e bónus) é cerca de 37 vezes superior à média recebida por trabalhador nessa empresa, segundo os relatórios anuais de 2009. Trata-se de um valor elevado, apesar de inferior à média noutros países europeus.
O líder executivo da administração de uma empresa nacional auferiu, em média, mais de € 800 mil num ano. António Mexia da EDP foi o mais bem pago (3,1 milhões de euros) e o que recebeu menos foi Américo Amorim (208 mil euros).
Maior disparidade nas grandes empresas
No geral, as grandes empresas apresentam um rácio “salário do presidente da Comissão Executiva/salário médio da empresa” elevado. A Portugal Telecom e a EDP registaram 105 e 85, respetivamente, valores muito acima da média cifrada em 47, das empresas incluídas no mais recente estudo de Corporate Governance a nível internacional (média de 37 nas empresas nacionais). Mas há exceções: a Brisa tem um rácio de 15, ao nível de uma empresa de menor dimensão.
Também detetamos grandes disparidades entre o salário dos trabalhadores. Em média, um funcionário da Sonaecom (telecomunicações) recebe 5 vezes mais do que um da Jerónimo Martins (distribuição).
As empresas com maior exigência de formação profissional têm um salário médio superior. Daí que as ligadas à construção ou distribuição alimentar tenham salários médios inferiores. A presença em mercados externos com salários inferiores também se reflete nas médias.
Na banca, o salário médio mensal (exclui o conselho de administração) do BES é de € 3063, muito acima dos € 2229, no BPI, ou € 1913, no BCP.
Remuneração variável excessiva
Nalguns casos, a remuneração variável pode até respeitar os princípios de um bom governo societário, mas a PROTESTE POUPANÇA considera este tipo de remunerações excessivo. No período de crise atual, o corte de custos é uma das soluções adotadas pelas empresas. Em média, 35% da remuneração da administração provém de bónus variáveis. Na EDP, atinge mesmo os 79 por cento. Ou seja, os executivos receberam quase 4 vezes mais em bónus do que no seu salário de base.
Uma grande diferença no rácio salário do presidente executivo/salário médio face a empresas do mesmo setor, dimensão ou resultados similares pode denunciar uma administração excessivamente bem paga, o que retira valor à empresa. De uma forma geral, este foi um indicador onde as empresas falharam. Ao nível internacional, há rácios superiores a 200.
As boas práticas de governo das sociedades permitem um maior controlo sobre a administração e a eficácia dos mecanismos para evitar riscos. Estudos comprovam que empresas com melhor governo das sociedades superaram melhor a crise de 2008.
O estudo completo pode ser consultado no portal financeiro PROTESTE POUPANÇA.
Última atualização em fevereiro de 2011
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