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Apesar da economia mundial ter crescido a bom ritmo no primeiro trimestre, os mercados não vivem um ambiente de festa. Em Maio, muitas Bolsas registaram mesmo quedas. A subida do preço do petróleo é agora o centro das atenções, fazendo renascer o espectro da inflação. Os receios dos investidores estão, cada vez mais, patentes na subida das taxas de juro registadas um pouco por todo o lado. Contudo, este sentimento dos mercados tem sido benéfico para as aplicações indexadas à Euribor, como os Certificados de Aforro e alguns depósitos a prazo.
Rendimento Garantido: a taxa base dos Certificados subiu para 1,54%. A taxa base dos Certificados de Aforro reflectiu a subida da taxa Euribor. Assim, em Junho, as novas subscrições ou renovações são efectuadas à taxa anual líquida de 1,54%. Continuam a ser lançados produtos estruturados com rendimento dependente da Euribor, mas nem sempre a fórmula de cálculo do rendimento é favorável ao investidor!
Taxas de câmbio: o “efeito” petróleo. Após os EUA, coube à Europa e ao Japão anunciarem um bom desempenho económico no primeiro trimestre. O regresso da Europa ao crescimento beneficiou particularmente o euro. Nos mercados de obrigações, a subida do preço do petróleo e o receio de tensões inflacionistas manteve as taxas em alta e as cotações das obrigações continuaram sob pressão.
Mercados bolsistas: Maio no vermelho. Apesar dos resultados trimestrais das empresas terem sido globalmente favoráveis, os mercados bolsistas evoluíram maioritariamente em baixa durante o mês de Maio, pressionados pelo aumento do preço do petróleo e pela expectativa de subida das taxas de juro nos Estados Unidos.
Rendimento Garantido
A expectativa de subida das taxas de juro de curto prazo despertou algumas aplicações de aforro (Certificados e alguns depósitos). Tem-se também assistido a uma crescente comercialização de produtos estruturados com rendimento dependente da Euribor. Mas nem sempre a fórmula de cálculo do rendimento é favorável ao subscritor, pois, na maioria dos casos, quando a Euribor sobe, o rendimento desce.
Certificados de Aforro a subir. A taxa base líquida dos Certificados de Aforro passou de 1,46%, em Maio, para 1,54%, em Junho. Esta subida foi impulsionada pela recuperação da taxa Euribor. A taxa base dos Certificados é calculada todos os meses com base nas últimas vinte observações da Euribor a três e doze meses do mês anterior. A vantagem, face aos depósitos, é o prémio de permanência semestral líquido de 0,2%, após os primeiros seis meses, até ao máximo de 1,6%, atingido no início do quinto ano de aplicação.
Os depósitos continuam à espera… As taxas de juro dos depósitos bancários continuam sem mostrar sinais de recuperação. Apenas os depósitos indexados à Euribor, na data de constituição, têm beneficiado de bons ventos. A Euribor tem subido nos últimos meses. Ainda assim, são poucos os depósitos que proporcionam remunerações superiores à taxa de inflação prevista para este ano pela OCDE (2,1%). A taxa média de um depósito de 5 000 euros a um ano é apenas de 1% líquida, o que significa que a maior parte das instituições bancárias estão a remunerar os seus clientes a taxas bastante inferiores.
É na banca online que consegue as melhores remunerações para depósitos de prazo até três meses. O BNC NetPrazo (depósito a um mês do Banco Nacional de Crédito) é remunerado à taxa Euribor na data da contratação, adicionada de um "bónus" de 0,5% brutos. Actualmente, proporciona 2,1%. Para aplicações a três meses, o Bigonline remunera a 3%. Para seis meses ou doze meses, o BPN Global 3% proporciona 2,4% de rendimento, mas apenas para montantes superiores a 50 000 euros. Se não tem um montante tão elevado, opte pelo DP Interactivo do BPN, que oferece 2,2% (seis meses) ou o Imoprazo do BNC, que rende 1,9% (um ano).
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Certificados de Aforro |
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Taxa base (1) |
Prémio de permanência (2) |
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1,5 % |
0,2 % |
Fonte: Poupança Quinze (1) Taxa anual nominal líquida garantida por três meses, para os Certificados subscritos em Junho de 2004 ou que iniciem um novo período de contagem de juros. (2) Taxa anual líquida a adicionar, por cada semestre decorrido, à taxa base, com início no segundo semestre e até um máximo de 1,6%.
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Depósitos a Prazo (1) |
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Taxa média (2) |
Melhor taxa (3) |
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1 % |
1,9 % |
Fonte: Poupança Quinze (1) Taxas anuais nominais líquidas para remunerar um depósito de 5 000 euros a um ano. (2) Média das taxas indicativas praticadas pelos bancos em 31/05/04. (3) BNC (Imoprazo).
Câmbios, Inflação e Taxas de Juro
Depois dos Estados Unidos, foi a vez da Europa e do Japão anunciarem um bom desempenho económico no primeiro trimestre. Com um crescimento de 5,6%, o Japão superou mesmo o desempenho dos EUA (4,4%) e confirmou o bom momento da sua economia. Na zona euro, a progressão de 1,3% registada no primeiro trimestre está longe de ser excepcional, mas assinala o fim de um longo período de marasmo. Este valor é ainda mais importante porque foi acompanhado do regresso do consumo privado, que estava “ausente” desde há muito tempo. Este regresso fortalece a retoma económica europeia que se mantinha dependente das exportações e da despesa pública. As boas notícias também não passaram despercebidas ao mercado cambial, tendo o euro se apreciado consideravelmente contra as divisas da zona dólar e face ao iene.
Apesar do crescimento sustentado da economia mundial, o ambiente não é de festa nos mercados. As atenções centram-se agora no preço do petróleo que continua a atingir novos máximos. Em apenas um mês, o barril de crude subiu mais 4,2% (+16,5% desde o início do ano). Em Nova Iorque, o barril ultrapassa 41 dólares enquanto, na Europa, o Brent é negociado em torno de 38 dólares. Na origem desta subida é possível encontrar diversos factores, como a incerteza no Iraque, as hesitações no seio da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), a forte subida da procura por parte da China, ou ainda a incapacidade das refinarias americanas. Dos dois lados do Atlântico, muitos se inquietam com as consequências nefastas desta evolução na taxa de inflação. Se o petróleo permanecer muito tempo aos níveis actuais, decerto irá colocar um travão às economias, mas o impacto da recente subida deve ser relativizado. De momento, as pressões sobre os preços continuam muito reduzidas, se exceptuarmos o impacto directo nos produtos petrolíferos.
| Câmbios
em 31/05/04 |
| Cód. ISO |
Moeda |
Câmbio
em euros |
Variação face ao euro
(em %) |
Flutuações |
Perspectivas (1) |
| 1 mês |
1 ano |
1 ano |
Longo prazo |
| GBP |
Libra
esterlina |
1.5014 |
1.5 |
7.8 |
Moderadas |
- |
- |
| CHF |
Franco suíço |
0.6528 |
1.5 |
0.0 |
Reduzidas |
= |
+ |
| DKK |
Coroa dinamarquesa |
0.1344 |
0.1 |
-0.2 |
Reduzidas |
= |
= |
| SEK |
Coroa sueca |
0.1098 |
0.6 |
0.4 |
Moderadas |
+ |
++ |
| NOK |
Coroa norueguesa |
0.1220 |
0.3 |
-4.0 |
Moderadas |
= |
- |
| USD |
Dólar americano |
0.8189 |
-1.8 |
-3.7 |
Elevadas |
+ |
+ |
| CAD |
Dólar
canadiano |
0.6001 |
-1.1 |
-3.1 |
Elevadas |
+ |
++ |
| AUD |
Dólar australiano |
0.5844 |
-3.0 |
5.5 |
Elevadas |
+ |
+ |
| JPY |
Iene
japonês (100) |
0.7409 |
-2.0 |
4.2 |
Elevadas |
= |
++ |
Fonte: Poupança Quinze
(1) -- forte depreciação; - ligeira depreciação;
= estável; + ligeira apreciação; ++ forte apreciação.
| Taxas em 31/05/04 |
| Cód.
ISO |
Inflação
(1) |
Taxas
de juro a 3 meses |
Taxas
de juro a 10 anos |
| (%) |
Mês |
Valor
em (%) |
Tendência
(2) |
Valor
em (%) |
Tendência
(2) |
| EUR |
2.5 |
Mai |
2.09 |
= |
4.21 |
+ |
| GBP |
1.2 |
Abr |
5.12 |
+ |
5.16 |
+ |
| CHF |
0.5 |
Abr |
1.89 |
= |
2.62 |
= |
| USD |
2.3 |
Abr |
3.36 |
+ |
4.54 |
+ |
| CAD |
1.8 |
Abr |
3.81 |
= |
4.68 |
+ |
| AUD |
2.0 |
Mar |
5.46 |
+ |
5.82 |
+ |
| JPY |
-0.4 |
Abr |
0.48 |
= |
1.22 |
= |
Fonte: Poupança Quinze (1) Variação dos preços face ao mesmo
mês do ano anterior. (2) - diminuição; = estável;
+ subida.
Mercados bolsistas
O mês de Maio ficou assinalado pela divulgação de uma série de dados favoráveis no plano macroeconómico nos Estados Unidos (criação de empregos, crescimento do PIB revisto em alta…). A priori positivas, estas notícias apontam, todavia, para um cenário de subida das taxas de juro americanas a curto prazo. Este facto, aliado ao regresso das preocupações inflacionistas face à subida em flecha do preço do petróleo prejudicou o comportamento da maioria dos mercados bolsistas em Maio e relegou para segundo plano os bons resultados trimestrais das empresas. Depois de já ter descontado estes elementos em Abril, Nova Iorque foi menos afectada que as Bolsas na Europa, onde uma descida dos juros continuava até há pouco tempo a ser ponderada, mas que face às estatísticas encorajadoras provenientes das duas principais economias da zona euro, a Alemanha e a França deixou de fazer sentido. À excepção das Bolsas alemã, francesa e nipónica que estão caras, os principais mercados encontram-se correctamente avaliados. Somente Londres e Sidney estão baratas.
Ao nível sectorial, os valores mais defensivos (serviços públicos colectivos, farmacêuticos…) foram novamente os menos afectados. Fortemente penalizadas no mês anterior, as empresas de tecnologias de informação registaram uma boa recuperação nos Estados Unidos, sob a batuta dos semicondutores (Intel, Texas Instruments…) que esperam uma subida das vendas de equipamentos electrónicos. Entre os sectores que averbaram maiores perdas, encontramos sem surpresas as telecomunicações, face à elevada sensibilidade do sector ao nível de taxas de juro, por via do forte endividamento. Ainda nos sectores sensíveis à evolução das taxas, os bancos resistiram graças aos resultados trimestrais superiores às expectativas (BNP Paribas, UBS, Dexia, Fortis), enquanto o sector dos seguros, um dos raros a não conseguir alcançar uma subida desde o início do ano, acumula más notícias e continuou a degradar-se.
Por cá, Lisboa recuou 3,7%, limitada sobretudo pelos factores externos já apontados. Entre os principais títulos que compõem o PSI-20, a Portugal Telecom cedeu 6,7%, enquanto o BCP e a EDP recuaram respectivamente 1 e 2,6%.
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Bolsas em 31/05/04
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Bolsa (1)
|
Evolução no último mês (2)
|
Evolução nos últimos doze meses (2)
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Índice de sobre/sub valorização (3)
|
Price/Earnings médio do último exercício (4)
|
Price/Earnings médio do exercício em curso (4)
|
|
Euronext Lisboa
|
-3.7%
|
26.8%
|
-0.4
|
22.1
|
15.8
|
|
Eurnonext Amesterdão
|
-0.8%
|
22.0%
|
0.2
|
17.3
|
12.4
|
|
Euronext Bruxelas
|
-0.4%
|
31.0%
|
-0.3
|
14.6
|
11.3
|
|
Euronext Paris
|
-0.3%
|
27.1%
|
0.7
|
22.8
|
16.4
|
|
Frankfurt
|
-1.4%
|
28.4%
|
1.1
|
36.8
|
16.1
|
|
Londres
|
0.2%
|
25.0%
|
-0.5
|
22.5
|
18.8
|
|
Madrid
|
-1.7%
|
26.4%
|
0.0
|
17.6
|
15.2
|
|
Milão
|
-2.0%
|
16.0%
|
-0.1
|
21.6
|
17.2
|
|
Nova Iorque
|
-0.6%
|
14.9%
|
0.3
|
21.5
|
17.9
|
|
Sidney
|
-1.5%
|
24.7%
|
-0.6
|
n.d.
|
n.d.
|
|
Tóquio
|
-6.0%
|
44.9%
|
1.6
|
n.d.
|
n.d.
|
|
Zurique
|
-0.7%
|
26.3%
|
0.0
|
19.8
|
14.5
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Fonte: Poupança Acções (1) Índices Datastream, excepto Lisboa (PSI-20). (2) Em euros. (3) Um valor do índice inferior a –0,5 indica que a bolsa está subvalorizada, entre –0,5 e 0,5 que está a um nível correcto e mais de 0,5 que está sobrevalorizada. Este índice considera as taxas de juro de longo prazo, a taxa de câmbio e o risco associado a cada Bolsa. (4) Cotação/Lucros correntes (sem elementos excepcionais). n.d. = não disponível.
03.06.2004
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