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Petróleo afectou pouco as Bolsas

Apesar da escalada do preço do petróleo e do aumento das taxas de juro nos EUA e em inúmeras economias, os mercados accionistas obtiveram ganhos significativos em Setembro. A Euronext Lisboa destacou-se, subindo 3,5%. Nas aplicações sem risco, realce para a ligeira subida da taxa base dos Certificados de Aforro para 1,6% em Outubro.

Rendimento Garantido: remuneração dos Certificados sobe para 1,6%. A taxa base dos Certificados de Aforro subiu para 1,6% líquida, para as subscrições ou renovações que ocorram durante o mês de Outubro. O prémio de permanência continua a ser o motivo de interesse desta aplicação face às alternativas sem risco.

Taxas de câmbio: taxas de curto prazo em alta. Com a retoma económica bem encaminhada, muitos bancos centrais já iniciaram o ciclo de subida das taxas directoras. Contudo, as taxas de longo prazo ainda não reflectiram essa evolução, nomeadamente nos Estados Unidos.

Mercados bolsistas: Setembro termina positivo. Apesar da nova escalada do preço do barril de petróleo e da subida dos juros nos Estados Unidos, os mercados financeiros obtiveram ganhos significativos em Setembro. A Euronext Lisboa foi uma das Bolsas que mais subiu, ao avançar 3,5%.

 

Rendimento Garantido

Taxa dos Certificados de Aforro sobe para 1,6%. Há mais de um ano que a taxa base líquida dos Certificados de Aforro se situa entre 1,5% e 1,6%, mais precisamente desde Julho de 2003. Foi nesse mês que o Banco Central Europeu efectuou a última alteração na taxa directora da zona euro, passando de 2,5% para 2%. Até à data, o BCE não efectuou qualquer outra alteração. O cálculo da taxa base dos Certificados tem em conta as últimas 20 observações da Euribor a três e doze meses, do mês anterior, traduzindo a evolução das taxas de curto prazo do mercado. A subida que regista no mês de Outubro está relacionada com a subida da Euribor a doze meses.

Um dos aspectos mais interessantes deste produto é o prémio de permanência semestral de 0,2% líquido após os primeiros seis meses e até ao máximo de 1,6% (atingido no início do quinto ano). Os Certificados de Aforro subscritos há mais de quatro anos têm actualmente o prémio de permanência máximo acrescido à taxa base, totalizando uma remuneração líquida de 3,1%.

O Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP) divulgou, recentemente, novos procedimentos relativos à subscrição, movimentação e transmissão dos Certificados de Aforro. A partir de agora, a subscrição de Certificados pressupõe a abertura de uma conta junto do IGCP. Estas alterações vêm no sentido da desmaterialização deste tradicional produto de poupança.

Os depósitos estagnados. Os depósitos a prazo continuam sem registar alterações significativas. Há vários meses que a taxa média de um depósito de €5.000 a um ano é de 1%.

Os melhores depósitos encontram-se na banca online para prazos inferiores a seis meses: BNC NetPrazo (2,1%) a um mês, o Super Depósito da Bigonline (3%) a três meses. E na banca tradicional para prazos compreendidos entre seis a doze meses: BPN Global 3% que rende 2,4% líquidos. A desvantagem desta conta é exigir um mínimo muito elevado (€50.000). Se não tem um montante tão elevado, opte pelo Depósito Ouro (2%) ou o Imoprazo (1,9%), ambos do Banco Nacional de Crédito.

Quem necessite de maior liquidez pode optar por uma conta à ordem na Bigonline (1,8%) ou no Banco Best (1,6%).

Certificados de Aforro

Taxa base (1)

Prémio de permanência (2)

1,6 %

0,2 %

Fonte: Poupança Quinze (1) Taxa anual nominal líquida garantida por três meses, para os Certificados subscritos em Outubro de 2004 ou que iniciem um novo período de contagem de juros. (2) Taxa anual líquida a adicionar, por cada semestre decorrido, à taxa base, com início no segundo semestre e até um máximo de 1,6%.

Depósitos a Prazo (1)

Taxa média (2)

Melhor taxa (3)

1 %

1,9 %

Fonte: Poupança Quinze (1) Taxas anuais nominais líquidas para remunerar um depósito de 5 000 euros a um ano. (2) Média das taxas indicativas praticadas pelos bancos em 30/09/04. (3) BNC (Imoprazo).

 

Câmbios, Inflação e Taxas de Juro

O marasmo que parece afectar os mercados cambais prolongou-se em Setembro. À excepção do iene que se depreciou 2,6% face ao euro e do dólar norte-americano (-2,2%), nenhuma das outras principais divisas apresentou grandes oscilações face à moeda única. Pelo contrário, as movimentações têm sido mais acentuadas nos mercados de obrigações. Nos últimos meses, foram inúmeros os bancos centrais que, um pouco por toda a parte, subiram as taxas de juro de referência.

Com a economia mundial bem encaminhada, as taxas directoras parecem manter-se demasiado baixas em muitos países. Assim, a Reserva Federal norte-americana aumentou, pela terceira vez consecutiva, as taxas em 0,25% colocando a taxa directora em 1,75%. Naturalmente, as taxas de mercado de curto prazo seguiram essa evolução. Contudo, as taxas de longo prazo tiveram um comportamento inverso, o que valorizou as obrigações. Se a taxa directora subiu 0,75% desde 30 de Junho, as taxas de longo prazo americanas recuaram 0,8%, ficando abaixo da fasquia de 4%. A principal causa desta queda pode ser encontrada nas palavras proferidas pelos responsáveis pela política monetária dos EUA. No decurso dos últimos meses, afirmaram, inúmeras vezes, que a evolução dos preços e as expectativas de inflação se mantinham sob controlo. Mas é uma situação paradoxal e insustentável a prazo.

A economia americana avança progressivamente para o auge deste ciclo de crescimento. As autoridades monetárias vão continuar a aumentar a taxa directora, pelo que as taxas de longo prazo terão incorporar essa tendência mais tarde ou mais cedo. Até agora, do lado dos empréstimos governamentais, os juros situam-se ao mesmo nível do início da retoma económica na Primavera de 2003. Na zona euro, se as taxas permanecem reduzidas, trata-se de um cenário mais condizente com a conjuntura. A actividade económica está a recuperar mas ainda de forma pouco sustentada. Além disso, a inflação europeia é inferior à dos EUA, levando o BCE a afastar, de momento, o aumento da sua taxa directora.

 Câmbios em 30/09/04

Cód. ISO

Moeda

Câmbio
em euros

Variação face ao euro
(em %)
Flutuações
Perspectivas (1)

1 mês

1 ano

1 ano

Longo prazo

GBP

Libra esterlina

1.4569

-1.6

2.1

Moderadas

-

=

CHF

Franco suíço

0.6448

-0.6

-0.8

Reduzidas

=

+

DKK

Coroa dinamarquesa

0.1344

0.0

-0.2

Reduzidas

=

=

SEK

Coroa sueca

0.1106

1.0

-0.4

Moderadas

+

++

NOK

Coroa norueguesa

0.1196

0.4

-1.7

Moderadas

=

-

USD

Dólar americano

0.8051

-2.2

-6.2

Elevadas

+

+
CAD

Dólar canadiano

0.6362

1.9

0.0

Elevadas

+

++

AUD

Dólar australiano

0.5832

0.4

0.3

Elevadas

+

+

JPY

Iene japonês (100)

0.7305

-2.6

-5.0

Elevadas

=

++

Fonte: Poupança Quinze
(1) -- forte depreciação; - ligeira depreciação; = estável; + ligeira apreciação; ++ forte apreciação.

 Taxas em 30/09/04

 

Cód. ISO

Inflação (1)

Taxas de juro a 3 meses

Taxas de juro a 10 anos

(%)

Mês

Valor em (%)

Tendência (2)

Valor em (%)

Tendência (2)

EUR

2.3

Ago

2.15

+

3.92

+

GBP

1.3

Ago

4.88

+

4.83

+

CHF

0.9

Set

0.61

+

2.50

+

USD

2.7

Ago

1.98

+

4.02

+

CAD

1.9

Ago

2.52

+

4.55

+

AUD

2.5

Jun

5.57

+

5.43

+

JPY

-0.2

Jul

-0.06

=

1.14

=

Fonte: Poupança Quinze (1) Variação dos preços face ao mesmo mês do ano anterior. (2) - diminuição; = estável; + subida.

 

Mercados bolsistas

Após os difíceis meses deste último Verão, devido à escalada do preço do petróleo, o mês da rentrée, Setembro, trouxe ganhos para a maior parte das Bolsas. Com efeito, e apesar do petróleo ter continuado a bater máximos sucessivos e da subida das taxas de juro nos Estados Unidos, os mercados accionistas evoluíram em alta, com Bruxelas a ganhar 5,2%, Milão a subir 3,8% e Sidney a valorizar 3,6%. Nova Iorque, por sua vez, registou uma ligeira perda medida em euros, (embora em dólares tenha encerrado positiva), face à desvalorização do dólar face à moeda única europeia.

A suportar o bom comportamento das Bolsas estiveram as empresas industriais (caso das petrolíferas) e ainda os títulos ligados às telecomunicações, tecnologia e media. Pior foi a evolução dos sectores ditos defensivos. Tal deveu-se a diversos factores, como a revisão em baixa dos resultados por parte de algumas empresas de alimentação e bens de consumo (Unilever, Coca-Cola, Colgate-Palmolive…). Também o sector farmacêutico esteve sobre pressão, dada a concorrência dos medicamentos genéricos e aos elevados custos associados à investigação e desenvolvimento.

Quanto à Euronext Lisboa, o saldo foi bastante positivo com o PSI-20 a subir 3,5%. Por detrás deste registo estão sobretudo os bons resultados semestrais divulgados no decurso do mês. Entre eles contam-se os da Sonae (+4,7%), que registou fortes melhorias, sobretudo no plano operacional, fruto da retoma dos resultados na indústria e nas telecomunicações. O grupo PT também divulgou resultados favoráveis (a PT subiu 6% e a PTM 1,1%) e anunciou um reforço da remuneração dos seus accionistas. Nos media, a Cofina (+13,3%) registou uma forte subida dos resultados impulsionada pela subsidiária Investec. A empresa afirmou recentemente a sua intenção de autonomizar este negócio, separando assim a área de media da área industrial. Mas outras empresas estiveram em destaque. A Brisa (+8,1%) bateu novo máximo histórico beneficiando do bom momento do sector e das boas perspectivas para o seu negócio. Face à forte subida verificada em 2004, superior a 27%, deixámos de recomendar novas compras. Contudo, a Brisa permanece correctamente avaliada, pelo que pode manter em carteira. Por fim, foram conhecidos os resultados da OPA da Semapa (+2,4%) sobre a Portucel. A operação foi, como era esperado, coroada de sucesso com a cimenteira a garantir 60,4% da papeleira.

Para o último trimestre, o cenário para os mercados é de alguma incerteza. O preço do barril de petróleo não pára de subir e nos Estados Unidos, no início de Novembro, decorrem as eleições presidenciais. De resto, dentro em breve, serão conhecidos os resultados do terceiro trimestre. Consulte os nossos conselhos no boletim financeiro Poupança Acções , de forma a construir uma carteira de investimento diversificada.

 Bolsas em 30/09/04

Bolsa (1)

Evolução no último mês (2)

Evolução nos últimos doze meses (2)

Índice de sobre/sub valorização (3)

Price/Earnings médio do último exercício (4)

Price/Earnings médio do exercício em curso (4)

Euronext Lisboa

3.5%

19.4%

-0.5

22.5

15.8

Eurnonext Amesterdão

0.7%

12.2%

+0.2

16.5

11.4

Euronext Bruxelas

5.2%

36.7%

-0.2

16.0

11.9

Euronext Paris

1.9%

20.6%

+0.6

31.2

15.8

Frankfurt

2.3%

16.2%

+1.0

37.0

15.1

Londres

1.3%

18.2%

-0.6

23.0

17.9

Madrid

2.1%

22.5%

-0.1

17.5

15.3

Milão

3.8%

20.3%

+0.0

21.6

16.7

Nova Iorque

-0.7%

6.9%

+0.2

20.5

17.0

Sidney

3.6%

19.5%

-0.7

n.d.

n.d.

Tóquio

-5.1%

3.7%

+1.5

n.d.

n.d.

Zurique

0.6%

11.5%

-0.1

19.3

15.4

Fonte: Poupança Acções (1) Índices Datastream, excepto Lisboa (PSI-20). (2) Em euros. (3) Um valor do índice inferior a –0,5 indica que a bolsa está subvalorizada, entre –0,5 e 0,5 que está a um nível correcto e mais de 0,5 que está sobrevalorizada. Este índice considera as taxas de juro de longo prazo, a taxa de câmbio e o risco associado a cada Bolsa. (4) Cotação/Lucros correntes (sem elementos excepcionais). n.d. = não disponível.

08.10.2004

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