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Em Fevereiro, o panorama nas aplicações tradicionais não sofreu alterações, tendo as taxas dos Certificados de Aforro e dos vários depósitos a prazo permanecido iguais às do mês anterior. Por seu turno, a generalidade das Bolsas europeias subiu em Fevereiro, impulsionadas pelos bons resultados anuais das empresas. Contudo, Lisboa foi a excepção ao recuar 1,5%.
- Rendimento Garantido: taxa dos Certificados mantém-se.
A taxa base dos Certificados de Aforro mantém-se em 1,6% líquida. Os depósitos a prazo também não registaram alterações.
- Câmbios, Inflação e Taxas de Juro: dólar recua, taxas sobem
O dólar vacilou com um anúncio do banco central coreano, enquanto as taxas de longo prazo parecem começar a subir e ajustar-se mais à realidade económica.
- Mercados bolsistas: Lisboa em contra-ciclo
Encorajadas pelos bons resultados anuais das empresas, a generalidade das Bolsas europeias obteve ganhos em Fevereiro. Lisboa foi a excepção ao recuar 1,5%, empurrada pelos principais pesos pesados.
1. Rendimento Garantido:
Taxa dos Certificados de Aforro mantém-se em 1,6%
A taxa base líquida dos Certificados de Aforro mantém-se em 1,6% no mês de Março. Desde Julho de 2003 que esta taxa permanece no intervalo compreendido entre 1,4% e 1,6%, devido à estabilidade das taxas de juro de curto prazo.
A taxa dos Certificados é actualizada mensalmente com base nas últimas vinte observações da Euribor a três e doze meses do mês anterior. A vantagem, face aos depósitos, reside no prémio de permanência semestral líquido de 0,2%, após os primeiros seis meses, até ao máximo de 1,6%, atingido no início do quinto ano de aplicação.
Depósitos online são mais rentáveis
As taxas de juro dos depósitos bancários continuam sem mostrar sinais de recuperação. No entanto, têm surgido novos depósitos para os utilizadores dos serviços Internet banking. O serviço BCAGlob@l disponibiliza alguns depósitos a prazo com taxas definidas para quem subscrever até dia 15 de Março.
- Actualmente, o melhor depósito a um ano, o BPN Global 3%, rende 2,4%, em termos líquidos. Mas exige um montante a partir de €50.000. O BCAGlob@l rende 2,2% para um montante mínimo de €500. A taxa média de um depósito de €5.000 a um ano é apenas de 1,1% e há muitas instituições a remunerar abaixo desse valor.
- A seis meses o BPN Global 3% proporciona 2,4% de rendimento, mas apenas para montantes superiores a €50.000. Se não tem um montante tão elevado, opte pelo BCAGlob@l (2,2%).
- É na banca online que consegue as melhores remunerações para depósitos de prazo até três meses: o Super Depósito da Bigonline rende 3%, mas apenas nos primeiros três meses da aplicação. Para períodos de um mês, o BNC NetPrazo é remunerado à taxa Euribor na data da contratação, adicionada de um "bónus" de 0,5% brutos. Actualmente, proporciona 2,1%. Em alternativa, quem necessite de maior liquidez, pode optar pela conta à ordem da Bigonline ou do Banco Best, cujo rendimento é superior ao de muitas contas a prazo (1,8% e 1,6%, respectivamente).
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Certificados de Aforro |
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Taxa base (1) |
Prémio de permanência (2) |
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1,6 % |
0,2 % |
Fonte: Poupança Quinze (1) Taxa anual nominal líquida garantida por três meses, para os Certificados subscritos em Março de 2005 ou que iniciem um novo período de contagem de juros. (2) Taxa anual líquida a adicionar, por cada semestre decorrido, à taxa base, com início no segundo semestre e até um máximo de 1,6%.
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Depósitos a Prazo (1) |
|
Taxa média (2) |
Melhor taxa (3) |
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1,1 % |
2,2 % |
Fonte: Poupança Quinze (1) Taxas anuais nominais líquidas para remunerar um depósito de 5 000 euros a um ano. (2) Média das taxas indicativas praticadas pelos bancos em 04/03/05. (3) BCAGlob@l.
2. Câmbios, Inflação e Taxas de Juro
No mês passado, o mercado cambial foi marcado pelo “episódio” coreano. Um relatório do Banco da Coreia deu a entender que as autoridades monetárias deste país teriam a intenção de mudar a gestão de reservas em detrimento do dólar americano. Perante esta notícia, o dólar caiu bruscamente face às principais divisas mundiais. Contudo, as autoridades coreanas apressaram-se a esclarecer que o objectivo não passava pelo fim da aquisição de dólares. No final, o dólar acabou por recuar apenas cerca de 1,8% face ao euro. O iene japonês, por seu turno, caiu cerca de 2,6% contra a moeda única europeia, pressionado pelas estatísticas económicas mais recentes que apontam para uma nova recessão no Japão.
A Reserva Federal norte-americana prossegue a política de ajustamento da taxa de juro directora, que se situa agora em 2,5%. Com a inflação superior a 3%, a política monetária americana continua expansionista e novas subidas são incontornáveis nos próximos meses. Por seu turno, o Banco Central Europeu privilegia a manutenção da sua actual política, pelo que a diferença de rendimentos, nas aplicações a curto prazo, irá jogar, cada vez mais, a favor dos títulos norte-americanos.
Nos mercados de obrigações, a normalização das taxas de juro de longo prazo parece ter-se iniciado. A aversão ao risco dos investidores e o excesso de liquidez conduziram-nas para valores mínimos em 2004 e no início deste ano. Contudo, dado o regresso do crescimento económico e a subida do preço do petróleo, com as inerentes pressões inflacionistas, esse comportamento é pouco justificável. A formação de uma “bolha” obrigacionista foi uma das principais ameaças detectadas pelos bancos centrais. Com este risco afastado, não há dúvida de que as taxas irão continuar a subir nos próximos meses.
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Câmbios em
28/02/05 |
|
Cód. ISO |
Moeda |
Câmbio
em euros |
Variação face ao euro
% |
Flutuações |
Perspectivas (1) |
|
1 mês |
1 ano |
1 ano |
Longo prazo |
|
GBP |
Libra esterlina |
1,4509 |
0,3 |
-2,9 |
Moderadas |
- |
= |
|
CHF |
Franco suíço |
0,6506 |
0,8 |
2,7 |
Moderadas |
= |
+ |
|
DKK |
Coroa dinamarquesa |
0,1344 |
0,0 |
0,1 |
Reduzidas |
= |
= |
|
SEK |
Coroa sueca |
0,1104 |
0,6 |
2,1 |
Moderadas |
+ |
++ |
|
NOK |
Coroa norueguesa |
0,1217 |
0,8 |
6,4 |
Moderadas |
= |
- |
|
USD |
Dólar americano |
0,7534 |
-1,8 |
-6,4 |
Elevadas |
+ |
++ |
|
CAD |
Dólar canadiano |
0,6129 |
-0,9 |
2,2 |
Elevadas |
+ |
++ |
|
AUD |
Dólar australiano |
0,5981 |
0,6 |
-3,7 |
Elevadas |
+ |
+ |
|
JPY |
Iene japonês (100) |
0,7225 |
-2,6 |
-1,9 |
Elevadas |
= |
++ |
Fonte: Poupança Quinze (1) -- forte depreciação; - ligeira depreciação; = estável; + ligeira apreciação; ++ forte apreciação.
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Taxas em
28/02/05 |
|
Cód. ISO |
Inflação (1) |
Taxas de juro a 3 meses |
Taxas de juro a 10 anos |
|
(%) |
Mês |
Valor em (%) |
Tendência (2) |
Valor em (%) |
Tendência (2) |
|
EUR |
2,1 |
Jan |
2,14 |
= |
3,52 |
+ |
|
GBP |
1,6 |
Jan |
4,88 |
= |
4,73 |
+ |
|
CHF |
1,2 |
Jan |
0,69 |
+ |
2,17 |
+ |
|
USD |
3,0 |
Jan |
2,89 |
+ |
4,31 |
+ |
|
CAD |
1,6 |
Jan |
2,58 |
+ |
4,20 |
+ |
|
AUD |
2,6 |
Dez |
5,89 |
+ |
5,56 |
+ |
|
JPY |
-0,3 |
Jan |
0,02 |
= |
1,18 |
= |
Fonte: Poupança Quinze (1) Variação dos preços face ao mesmo mês do ano anterior. (2) - diminuição; = estável; + subida.
3. Mercados bolsistas
Fevereiro foi positivo para a maioria das Bolsas que acompanhamos, com excepção de Lisboa que recuou 1,5%. Na Europa, as subidas foram acentuadas, com Amesterdão e Bruxelas a registarem ganhos superiores a 4%, enquanto Zurique e Paris avançaram, respectivamente 3,9 e 3,2%. Nos Estados Unidos, Nova Iorque ganhou 2,1% em dólares, embora apenas 0,2% em euros. O comportamento favorável dos mercados em Fevereiro deveu-se, sobretudo, à divulgação de bons resultados anuais por parte das empresas, com a maioria a atingir ou a superar as estimativas. Contudo, o entusiasmo em torno dos resultados não deve ser excessivo, já que o crescimento dos lucros para 2005 deverá ser mais modesto face a 2004. Com efeito, será bastante difícil manter a rentabilidade e o ritmo de subida dos dividendos. Além disso, o aumento da concorrência e a manutenção do preço do petróleo em níveis elevados deverão pressionar os lucros. Assim, antecipando a continuação de um ambiente económico difícil, as empresas avançam para processos de fusões e aquisições. Um exemplo é a aquisição da Gillette pela Procter & Gamble ou a disputa entre a Verizon e a Qwest sobre a MCI.
No plano sectorial, destaque para o sector petrolífero que beneficiou da subida do preço do ouro negro. Realçamos também o comportamento positivo das empresas farmacêuticas, depois de um comité consultivo ter emitido um parecer, que normalmente é seguido pelas entidades de regulamentação, indicando que o Celebrex da Pfizer e o Vioxx da Merck podem ser comercializados nos Estados Unidos. A Poupança Acções passou a recomendar a compra de Pfizer, Novartis e GlaxoSmithKline.
Por cá, num mês de eleições legislativas, e após o forte arranque no início do ano, vários títulos corrigiram dos máximos obtidos em Janeiro. Entre eles, a Brisa (-6,4%) foi penalizada pela descida do sector de utilities na Europa e depois de ter divulgado resultados anuais que não entusiasmaram. A Portugal Telecom também fechou no vermelho, com o mercado a antecipar um recuo das margens no quarto trimestre, o que acabou por se verificar. Por fim, a EDP recuou 2,2%, afectada pela provável alteração na reestruturação do sector energético nacional. Entretanto, a eléctrica nacional já publicou os seus lucros de 2004, que excluindo elementos extraordinários ficaram um pouco acima do que esperávamos. Consulte o nosso boletim financeiro Poupança Acções para acompanhar de perto a época de apresentação de resultados e ficar a par dos nossos conselhos.
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Bolsas em
28/02/05 |
|
Bolsa (1) |
Evolução no último mês (2) |
Evolução nos últimos doze meses (2) |
Índice de sobre/sub valorização (3) |
Price/Earnings médio do último exercício (4) |
Price/Earnings médio do exercício em curso (4) |
|
Euronext Lisboa |
-1,5% |
3,5% |
-0,3 |
16,8 |
14,0 |
|
Eurnonext Amesterdão |
4,5% |
13,1% |
0,3 |
12,6 |
11,5 |
|
Euronext Bruxelas |
4,1% |
32,9% |
-0,1 |
12,7 |
12,0 |
|
Euronext Paris |
3,2% |
13,9% |
0,6 |
23,3 |
12,5 |
|
Frankfurt |
2,5% |
8,6% |
1,0 |
17,8 |
12,5 |
|
Londres |
2,8% |
11,4% |
-0,6 |
19,1 |
15,7 |
|
Madrid |
1,9% |
17,8% |
0,0 |
18,0 |
14,4 |
|
Milão |
1,5% |
23,4% |
0,1 |
18,7 |
13,8 |
|
Nova Iorque |
0,2% |
0,4% |
0,1 |
18,0 |
16,4 |
|
Sidney |
2,7% |
24,0% |
-0,5 |
n.d. |
n.d. |
|
Tóquio |
0,0% |
7,4% |
1,3 |
n.d. |
n.d. |
|
Zurique |
3,9% |
8,9% |
-0,1 |
18,8 |
13,7 |
Fonte: Poupança Acções (1) Índices Datastream, excepto Lisboa (PSI-20). (2) Em euros. (3) Um valor do índice inferior a -0,5 indica que a bolsa está subvalorizada, entre -0,5 e 0,5 que está a um nível correcto e mais de 0,5 que está sobrevalorizada. Este índice considera as taxas de juro de longo prazo, a taxa de câmbio e o risco associado a cada Bolsa. (4) Cotação/Lucros correntes (sem elementos excepcionais). n.d. = não disponível.
10.03.2005
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